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Bitcoin, blockchain e descentralização

Artigo por Wladimir Crippa No artigo de hoje abordarei o problema dos “generais bizantinos” e explicarei o que isso tem a ver com o Bitcoin, com a blockchain e com a descentralização/desintermediação nas relações. O problema dos “generais bizantinos” é um conceito da teoria da computação e se refere a uma situação em que sistemas computacionais precisam cooperar para alcançar um consenso, mesmo quando alguns dos componentes podem falhar ou fornecer informações incorretas. A analogia se baseia na ideia de generais bizantinos tentando coordenar um ataque em uma guerra, mas alguns deles podem ser traidores e enviar mensagens falsas, ocasionando um ataque fracassado. A resolução desse problema é crucial em sistemas distribuídos, onde diferentes partes precisam concordar em um estado comum, mesmo diante de possíveis falhas ou comportamentos maliciosos. O Bitcoin utiliza uma tecnologia chamada “prova de trabalho” para resolver o problema dos generais bizantinos. Na rede Bitcoin, os participantes (chamados mineradores) competem para resolver problemas matemáticos complexos. O primeiro a resolver o problema tem o direito de adicionar um bloco à cadeia de blocos, que é a base da contabilidade descentralizada do Bitcoin. Essa abordagem de prova de trabalho (Proof of Work – PoW) cria um consenso na rede, pois para alterar um bloco existente, um atacante teria que resolver novamente todos os problemas matemáticos associados a esse bloco e a todos os blocos subsequentes, o que é computacionalmente inviável. Portanto, o Bitcoin utiliza a prova de trabalho para alcançar consenso em uma rede descentralizada e resistir a potenciais comportamentos maliciosos, resolvendo, assim, o problema dos generais bizantinos na implementação de sistemas distribuídos. A tecnologia blockchain revolucionou a maneira como alcançamos consenso em redes descentralizadas, possibilitando a eliminação de intermediários. Vamos explorar como essa inovação não só impacta o universo das criptomoedas, como o Bitcoin, mas também como ela pode ser aplicada em diversas outras áreas. A base da blockchain é uma rede descentralizada de computadores, conhecidos como nós, que mantêm um registro público e imutável de transações. Essas transações são agrupadas em blocos, e cada bloco está vinculado ao anterior, formando uma corrente de blocos – daí o nome blockchain. O consenso é alcançado através de protocolos que garantem que todos os participantes concordem sobre a validade das transações. Tradicionalmente, as transações exigem intermediários, como bancos ou instituições financeiras, para validar e registrar as operações. A blockchain permite a eliminação desses intermediários, pois o consenso é atingido pela rede como um todo, sem depender de uma autoridade central. Isso resulta em transações mais eficientes, rápidas e, muitas vezes, com custos reduzidos. A inovação não se limita às criptomoedas. A capacidade de eliminar intermediários pode ser aplicada em várias áreas, transformando processos e modelos de negócios. Alguns exemplos:
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- Contratos inteligentes: Os contratos inteligentes são programas autoexecutáveis que se ativam automaticamente quando as condições predefinidas são atendidas. Na área legal e de negócios, isso elimina a necessidade de intermediários para garantir o cumprimento de acordos, reduzindo custos e aumentando a eficiência.
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- Cadeia de suprimentos: A rastreabilidade na cadeia de suprimentos pode ser otimizada com a blockchain. Produtores, distribuidores e varejistas podem compartilhar informações transparentes e imutáveis sobre a origem e o movimento dos produtos, reduzindo fraudes e garantindo a qualidade.
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- Votação eletrônica: A blockchain pode aprimorar a integridade e a segurança em sistemas de votação eletrônica. Cada voto é registrado de forma imutável, eliminando riscos de manipulação e aumentando a confiança na democracia digital.