Brics foca no Uso de moedas locais para reduzir custos comerciais
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Desde 1º de janeiro, o Brasil assumiu a presidência rotativa do BRICS, e, com ela, trouxe novos desafios e perspectivas para o grupo de nações emergentes. Entre os temas prioritários da presidência brasileira, destaca-se a proposta de avançar no uso de moedas locais nas transações comerciais e financeiras entre os países-membros. O objetivo é claro: reduzir custos e fomentar a autonomia econômica dos membros do bloco, diminuindo a dependência do dólar e fortalecendo o comércio entre as nações.
Conteúdos
- O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O BRICS?
- COMO O USO DE MOEDAS LOCAIS BENEFICIA OS PAÍSES EMERGENTES?
- O QUE DIZEM OS LÍDERES DO BRICS SOBRE A MOEDA COMUM?
- REFORMA DA GOVERNANÇA GLOBAL: UM PROJETO DO BRICS
- O FUTURO DO BRICS E AS PRIORIDADES DA PRESIDÊNCIA BRASILEIRA
- UM ENCONTRO DECISIVO NO PALÁCIO DO ITAMARATY
- O BRICS RUMO A UM NOVO FUTURO
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA O BRICS?
Em uma conversa com jornalistas, o secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Maurício Lyrio, destacou o papel vital dessa mudança no cenário econômico global. O Brasil, que já exerce uma função de liderança no BRICS, é o negociador-chefe do grupo e, por meio de sua presidência, tem como objetivo aprofundar esse processo, que já vem sendo explorado desde 2015.
“É algo que já se desenvolve no BRICS desde 2015 e nós continuamos a avançar. O uso de moedas locais já é praxe no comércio bilateral entre membros do BRICS e continuará a ser incentivado durante a presidência brasileira”, afirmou Lyrio.
Isso implica em uma evolução natural para um sistema financeiro mais flexível e conectado entre as economias emergentes.
COMO O USO DE MOEDAS LOCAIS BENEFICIA OS PAÍSES EMERGENTES?
A utilização de moedas locais, sem a intermediação do dólar, não só reduz os custos operacionais, mas também fortalece a soberania financeira dos países, criando um cenário mais favorável para investimentos internos e transações comerciais entre os membros. Embora a ideia de uma moeda única para o BRICS seja frequentemente discutida, Maurício Lyrio foi enfático ao afirmar que, por enquanto, essa não será uma pauta para o bloco.
“Não há acordos sobre o tema e também porque é um processo muito complexo. São economias grandes, e esse não é um tema fácil de administrar. Claro que existem outras formas de reduzir os custos de operação dentro da lógica do BRICS”, explicou o diplomata.
O QUE DIZEM OS LÍDERES DO BRICS SOBRE A MOEDA COMUM?
Embora o debate sobre uma moeda única não esteja na agenda imediata, Lyrio não descartou a possibilidade de que chefs de Estado discutam essa alternativa no futuro. “Nada impede que, em um horizonte mais distante, os presidentes discutam a viabilidade de uma moeda comum”, afirmou o negociador.
Esse posicionamento surge em um cenário internacional de crescente tensão econômica. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ameaçou os países do BRICS com tarifas elevadas caso o grupo busque alternativas ao dólar em suas negociações. Essa pressão externa, no entanto, não tem desmotivado o grupo, que segue firme em sua missão de fortalecer a governança multilateral.
REFORMA DA GOVERNANÇA GLOBAL: UM PROJETO DO BRICS
O BRICS, desde sua fundação, tem como um de seus maiores objetivos a reforma da governança global, buscando torná-la mais democrática, inclusiva e representativa. O bloco, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, expande sua atuação a cada ano, incorporando novas nações. Em 2024, o Egito, os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita, a Etiópia e o Irã se tornaram membros plenos do BRICS, ampliando a influência da união em várias partes do mundo.
O secretário Lyrio foi claro ao afirmar que a ideia é fortalecer o multilateralismo, especialmente em um contexto em que as economias emergentes buscam mais espaço nas decisões globais. “Reformar para que a governança global se torne mais democrática e representativa é um dos principais pilares do BRICS”, disse.
O FUTURO DO BRICS E AS PRIORIDADES DA PRESIDÊNCIA BRASILEIRA
As discussões do BRICS não param por aí. Entre os dias 25 e 26 de fevereiro, ocorrerá uma série de reuniões com os principais negociadores do bloco para definir as prioridades para o ano de 2024. Dentre os temas que serão abordados estão:
- Cooperação em saúde
- Financiamento de ações para combater as mudanças climáticas
- Comércio, investimento e finanças do BRICS
- Governança da inteligência artificial
- Desenvolvimento institucional do BRICS
Essas pautas têm um impacto direto no futuro das economias emergentes e no fortalecimento da colaboração entre os países membros. Para 2024, a Cúpula de Chefes de Estado do BRICS está agendada para ocorrer em julho, no Rio de Janeiro, e servirá como um ponto culminante para discutir esses temas em nível mais alto.
UM ENCONTRO DECISIVO NO PALÁCIO DO ITAMARATY
A reunião de fevereiro será aberta pelo Ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, onde os “sherpas” do BRICS irão alinhar os detalhes da agenda para a Cúpula de julho. Existe ainda a expectativa de uma sessão especial no segundo dia, com um possível discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abordando a importância do BRICS para o futuro da governança global e das relações internacionais.
Essa será uma oportunidade crucial para reafirmar o compromisso do Brasil com a multilateralidade, enquanto busca novos caminhos para uma economia global mais equilibrada e justa.
O BRICS RUMO A UM NOVO FUTURO
O BRICS está em um momento decisivo, avançando na utilização de moedas locais, buscando reduzir os custos das transações comerciais e reconfigurando as dinâmicas de poder no cenário global. A ideia de uma moeda comum, embora ainda distante, não está descartada e, no futuro, pode se tornar uma realidade. O foco agora é garantir que os países membros possam interagir de forma mais autônoma, criando um espaço financeiro mais independente do dólar.
O Brasil, na presidência do grupo, tem um papel fundamental nessa transformação, guiando o bloco em um processo de renovação econômica e diplomática. À medida que as discussões avançam, o que podemos esperar para o futuro do BRICS? Um fortalecimento ainda maior da governança global, uma economia mais inclusiva e, quem sabe, uma nova moeda que possa se tornar símbolo da força coletiva dos países emergentes. O tempo dirá.
Fonte: Agência Brasil
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