Educação

Guia sobre uso de telas por crianças e adolescentes: recomendações para escolas e famílias

Em um mundo cada vez mais digital, os dispositivos eletrônicos se tornaram uma parte essencial da rotina das crianças e adolescentes. No entanto, o uso excessivo dessas tecnologias pode trazer impactos negativos significativos, especialmente na saúde mental. Reconhecendo essa realidade, o governo federal lançou, na última terça-feira (11), o Guia sobre Uso de Dispositivos Digitais. A iniciativa visa construir um ambiente digital mais seguro e saudável, com orientações detalhadas para pais, responsáveis e educadores.

Mas, afinal, como equilibrar o uso das telas com o bem-estar dos jovens? Quais são os limites que devemos estabelecer para garantir uma convivência saudável com a tecnologia?

O IMPACTO DO EXCESSO DE TELAS NA SAÚDE MENTAL

Em uma cerimônia remota, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou os perigos do uso excessivo das telas na saúde mental. “O excesso de tempo no ambiente digital pode causar ansiedade, depressão, sedentarismo, autolesões e possibilitar violações de direitos”, alertou.

A elaboração do guia levou em conta evidências científicas e o testemunho de pessoas diretamente afetadas: crianças, adolescentes, famílias e educadores. Além disso, a ministra enfatizou que o documento será constantemente atualizado para acompanhar as mudanças nas tecnologias e suas repercussões na sociedade.

DESAFIOS DO MUNDO DIGITAL ATUAL

A secretária-executiva do ministério, Janine Mello, trouxe uma análise interessante sobre as dificuldades de supervisionar o uso das telas na atualidade. “O uso é basicamente individual, muito fácil, a qualquer momento, em qualquer lugar”, explicou, ressaltando que isso torna o papel dos adultos mais complexo. “Não têm, exatamente, a noção do que está sendo acessado e que tipo de conteúdo está à disposição daquela criança e adolescente naquele momento.”

Esse cenário é ainda mais desafiador quando consideramos o vasto conteúdo digital produzido para gerar engajamento, muitas vezes sem o devido controle sobre seus efeitos.

FAMILIAS EM TEMPOS DE PANDEMIA: COMO LIDAR COM A EXPANSÃO DIGITAL?

Em entrevista ao programa Repórter Brasil, João Brant, secretário de Políticas Digitais da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), falou sobre como o guia pode ajudar as famílias a lidarem com a aceleração digital, impulsionada pela pandemia. Para ele, é essencial criar um pacto social que valorize o uso positivo da tecnologia enquanto evita seus aspectos negativos.

“O uso de dispositivos digitais pode ser uma ferramenta poderosa, mas também precisa ser controlado”, afirmou Brant, ressaltando a importância de se estabelecer limites claros para crianças e adolescentes.

PRINCIPAIS RECOMENDAÇÕES DO GUIA

O guia traz uma série de recomendações para um uso mais consciente das telas. Entre as principais orientações, destacam-se:

  • Evitar o uso de telas para crianças menores de 2 anos, exceto para interações familiares por videochamada.
  • Não fornecer um celular próprio a crianças antes dos 12 anos.
  • Introduzir o uso de dispositivos digitais de forma gradual, respeitando a autonomia de cada faixa etária.
  • Supervisionar o acesso a redes sociais, sempre respeitando a classificação indicativa.
  • Acompanhamento familiar é essencial durante o uso de dispositivos e redes sociais por adolescentes.
  • Estimular o uso de dispositivos digitais por crianças e adolescentes com deficiência, promovendo acessibilidade e superação de barreiras.
  • Avaliar criteriosamente o uso de dispositivos em escolas, especialmente na primeira infância.

O QUE MUDA NAS ESCOLAS?

O guia também surge como suporte para a recente Lei nº 15.100/2025, que estabelece restrições ao uso de celulares nas escolas públicas e privadas de todo o país. A nova legislação proíbe o uso desses dispositivos durante as aulas, incluindo no recreio e intervalos.

Kátia Schweickardt, secretária de Educação Básica do Ministério da Educação, comentou sobre a importância do guia nesse novo contexto. Segundo ela, a medida tem gerado uma oportunidade única de reavaliar a relação da sociedade com a tecnologia. “Estamos tendo a grande oportunidade de refazer um pacto social em prol de uma sociedade mais saudável e sustentável”, afirmou.

Apesar da resistência inicial de alguns estudantes, especialmente os mais jovens, que são chamados de “nativos digitais”, Schweickardt acredita que a restrição tem trazido resultados positivos no processo de aprendizagem.

O GUIA COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

A elaboração do guia foi coordenada pela Secom/PR, com a colaboração de outros ministérios, incluindo Educação, Saúde, Justiça e Segurança Pública, e Desenvolvimento Social. Para Tiago César dos Santos, da Secom, o guia é uma ferramenta fundamental para o futuro do país. “Essa é uma dor familiar que não se esconde e está exposta, sentada no sofá da sala de cada um de nós”, comentou, destacando a importância do documento para as famílias de todas as classes sociais e regiões do Brasil.

DADOS RELEVANTES: COMO ESTÁ O USO DE INTERNET ENTRE JOVENS NO BRASIL?

De acordo com a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, 93% das crianças e adolescentes de 9 a 17 anos no Brasil são usuários de internet. Isso equivale a cerca de 25 milhões de jovens. O estudo também revela que 23% dos usuários começaram a acessar a internet com menos de 6 anos, uma proporção bem superior à registrada em 2015, quando apenas 11% dos jovens começavam tão cedo.

Esses dados reforçam a necessidade de uma educação digital mais eficaz, com foco no uso saudável e responsável das ferramentas digitais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: COMO A TECNOLOGIA PODE SER PARCEIRA NO CRESCIMENTO SAUDÁVEL?

O lançamento do Guia sobre Uso de Dispositivos Digitais é um passo importante para equilibrar o uso das tecnologias na vida das crianças e adolescentes. Afinal, as telas não precisam ser vistas como inimigas, mas como ferramentas poderosas para o aprendizado e o desenvolvimento, desde que usadas de forma consciente e responsável.

Agora, cabe a cada um de nós—pais, educadores e responsáveis—entender como estabelecer limites que permitam aproveitar o melhor que a tecnologia pode oferecer, sem deixar de lado a saúde mental e o bem-estar dos nossos jovens. Que tipo de pactos sociais podemos criar para garantir esse equilíbrio? O que você, como responsável ou educador, tem feito para estabelecer esses limites e transformar a relação com as telas? A resposta a essas perguntas pode ser a chave para um futuro mais saudável para as próximas gerações.

Acesse o guia completo aqui.

Com informações de Agência Brasil

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