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Programas públicos potencializam a autonomia das mulheres no Brasil

No Dia Internacional da Mulher, celebramos as conquistas alcançadas, mas também reafirmamos o compromisso com a luta contínua por igualdade de gênero. A história das mulheres no Brasil é marcada por uma longa trajetória de resistência, conquistas e desafios. Políticas públicas bem estruturadas têm sido essenciais para promover a autonomia financeira das mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade. São essas iniciativas que têm transformado vidas e garantido que as mulheres, em sua diversidade, encontrem mais oportunidades para prosperar.

AVANÇOS CONQUISTADOS E O CAMINHO QUE AINDA PRECISAMOS PERCORRER

Embora as políticas públicas voltadas para a mulher tenham avançado, é importante lembrar que a luta pela igualdade de gênero está longe de terminar. A luta das mulheres ao longo das décadas – contra o preconceito, a opressão e a marginalização – abriu caminho para os direitos que hoje temos, mas ainda há muito a ser conquistado. E celebrar o Dia Internacional da Mulher não é só uma oportunidade de celebrar vitórias, mas também de lembrar que precisamos continuar pressionando por mudanças estruturais que garantam uma sociedade verdadeiramente igualitária.

BOLSA FAMÍLIA: UM OLHAR ESPECIAL PARA AS MULHERES

Entre os programas mais significativos criados pelo Governo Federal está o Bolsa Família, que, desde sua implementação, tem colocado as mulheres no centro das suas políticas. Ao priorizar as mulheres como responsáveis pelo recebimento do benefício, o programa reconhece o papel fundamental que elas desempenham na gestão financeira dos lares e na promoção do bem-estar de suas famílias. Para gestantes e nutrizes, o programa ainda oferece um adicional de R$ 50, contribuindo para o fortalecimento da saúde materna e infantil.

De acordo com Eliane Aquino, titular da Secretaria Nacional de Renda de Cidadania (Senarc), “Geralmente, as principais beneficiárias do Bolsa Família são mulheres negras, pardas, mães solo e moradoras de áreas periféricas do Brasil. Isso significa que o programa, sob a gestão do presidente Lula, tem um olhar especial para mulheres e crianças, ampliando o acesso a políticas de saúde e educação e contribuindo para a redução do trabalho infantil.”

Em fevereiro de 2025, cerca de 58,3% dos beneficiários do Bolsa Família eram mulheres. Das mais de 53,9 milhões de pessoas atendidas, 31,41 milhões eram do sexo feminino. O impacto do programa é ainda mais expressivo quando observamos a gestão familiar: 83,52% das famílias beneficiadas são chefiadas por mulheres, o que reflete diretamente na capacidade de transformação das políticas públicas em suas vidas.

O IMPACTO DO BOLSA FAMÍLIA: HISTÓRIAS QUE INSPIRAM

Vânia Messias, de 57 anos, é um exemplo claro de como o Bolsa Família pode transformar a vida de uma mulher. Mãe, avó e figura materna para seus sobrinhos, ela compartilhou como o benefício a ajudou a conquistar maior independência e dignidade. “Com o dinheiro do Bolsa Família, eu comprava, muitas vezes, coisas de uso pessoal que eu tinha vergonha de pedir para os meus pais ou outra pessoa”, relembra. “Me ajudou a pagar passagem para ir para minhas aulas e comprar material para os meus cursos”, complementa. Hoje, Vânia tem um novo lar e a segurança para prover para sua família de maneira mais autônoma e digna.

EMPREENDEDORISMO FEMININO EM FOCO: O PROGRAMA ACREDITA NO PRIMEIRO PASSO

Outro programa que tem se destacado é o “Acredita no Primeiro Passo”, lançado em outubro de 2024. Esta iniciativa visa fomentar pequenos negócios e gerar empregos, com um olhar atento para as mulheres de baixa renda. Com a oferta de crédito com juros reduzidos para aqueles que estão inscritos no Cadastro Único (CadÚnico), além de assistência técnica, o programa busca dar suporte a mulheres que querem empreender e alcançar maior autonomia financeira.

Até o momento, mais de R$ 623,3 milhões já foram contratados por mais de 68,4 mil pessoas de baixa renda, e 70% dessas pessoas são mulheres, representando 47,57 mil beneficiadas. Um exemplo de sucesso é o caso de Graziela Araújo do Nascimento, moradora do bairro Piauí, em Parnaíba (PI). Graziela, pedagoga e beneficiária do Bolsa Família, usou o apoio do programa para expandir sua escola de reforço, a “Caminho das Letras”. Ela viu na educação uma oportunidade de transformar a realidade de crianças da sua comunidade. “Eu vi a necessidade de ter um espaço onde pudesse auxiliar as crianças do meu bairro, principalmente aquelas com dificuldades de aprendizado, inclusive crianças autistas”, conta Graziela.

POLÍTICA NACIONAL DE CUIDADOS: UM MARCO NA LUTA DAS MULHERES

No início de 2025, o Brasil deu mais um passo importante rumo à equidade de gênero com a sancionada Política Nacional de Cuidados. Essa política histórica reconhece o cuidado como um direito garantido pelo Estado, abordando uma das questões mais desiguais do país: o peso do trabalho de cuidado sobre as mulheres. Hoje, 64% dos jovens que não estudam nem trabalham são mulheres dedicadas exclusivamente aos afazeres domésticos e cuidados familiares. A situação se agrava entre as mães de crianças de zero a três anos, das quais mais de 80% não conseguem sequer buscar um emprego.

A secretária nacional da Política de Cuidados e Família, Laís Abramo, destaca a relevância dessa política, afirmando: “No Brasil existem diversos serviços relacionados ao cuidado, diversas legislações, mas até agora não havia uma política nacional. Foi essa decisão que foi tomada pelo presidente Lula, no início do seu terceiro mandato: a de promover a construção de uma política nacional integrada de cuidados”.

TRABALHO DOMÉSTICO E CUIDADOS: FORMAÇÃO E OPORTUNIDADE

Uma das iniciativas já em andamento dentro dessa política é o projeto-piloto “Trabalho Doméstico e Cuidados – Mulheres Mil”, desenvolvido em parceria com a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas (Fenatrad). O projeto oferece cursos de formação voltados para a área de cuidados, um setor profissional predominantemente feminino e uma das maiores categorias de trabalhadoras no Brasil. O objetivo é capacitar essas mulheres para que possam ter uma remuneração justa e melhores condições de trabalho, além de garantir um atendimento mais qualificado às famílias.

A iniciativa já foi implementada em municípios de estados como Bahia, Maranhão, Pernambuco, Sergipe, São Paulo e Rio de Janeiro, oferecendo 900 vagas em Institutos Federais, com previsão de expansão. Isso representa mais uma oportunidade para mulheres de diversas regiões do Brasil buscarem uma qualificação profissional e melhorar sua condição de vida.

UMA CAMINHADA DE CONQUISTAS E DESAFIOS

As políticas públicas voltadas para as mulheres têm sido instrumentos poderosos de mudança, mas a jornada em busca da igualdade de gênero continua. Desde a autonomia financeira até o reconhecimento dos direitos de cuidado, cada passo dado é fundamental para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

É importante lembrar que as mulheres continuam sendo protagonistas na transformação social do Brasil, e políticas públicas bem desenhadas, como o Bolsa Família, o Acredita no Primeiro Passo e a Política Nacional de Cuidados, são exemplos de como o apoio governamental pode fazer a diferença na vida de milhares de mulheres. No entanto, as vitórias não são definitivas, e o caminho para a verdadeira equidade ainda está sendo construído todos os dias. Com o engajamento de todos, podemos avançar ainda mais na luta por um Brasil mais igualitário para todas as mulheres.

 

Fonte: Agência Gov


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