Estudo revela que 90% das agressões a mulheres foram presenciadas por terceiros

Em um país onde, ano após ano, casos de violência contra a mulher continuam a crescer, uma pesquisa revela dados alarmantes que trazem à tona a realidade da violência doméstica no Brasil. O mais recente estudo, a 5ª edição do relatório Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, apresentado pelo Instituto Datafolha e solicitado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), apresenta números que refletem não apenas a gravidade da situação, mas também a necessidade urgente de políticas públicas e apoio àquelas que enfrentam esse pesadelo silencioso.
Conteúdos [esconder]
- A REALIDADE QUE SE ESCONDE POR TRÁS DAS PORTAS FECHADAS
- POR QUE AS VÍTIMAS NÃO DENUNCIAM?
- TESTEMUNHAS: QUEM ASSISTE A ESSA VIOLÊNCIA?
- A FAMILIARIDADE COM A VIOLÊNCIA: QUEM SÃO OS AGRESSORES?
- A VIOLÊNCIA NAS QUATRO PAREDES: O LUGAR MAIS PERIGOSO
- UM DADO ALARMANTE: A VIOLÊNCIA É UMA REALIDADE PARA 37,5% DAS MULHERES NO BRASIL
- O QUE FAZER DIANTE DE UMA SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA?
A REALIDADE QUE SE ESCONDE POR TRÁS DAS PORTAS FECHADAS
Uma das estatísticas mais perturbadoras deste levantamento é que 91,8% das agressões cometidas contra mulheres nos últimos 12 meses foram presenciadas por outras pessoas. Impressionante, não? Esses números refletem a crua realidade da violência no Brasil, onde o ciclo de abuso não se limita ao agressor e à vítima, mas envolve também aqueles que, muitas vezes, estão próximos o suficiente para fazer a diferença, mas não o fazem. O que chama ainda mais a atenção é que 86,7% dos testemunhos vêm de pessoas próximas à vítima – amigos, familiares e outros conhecidos.
POR QUE AS VÍTIMAS NÃO DENUNCIAM?
A pergunta que surge é: por que, mesmo com tanta visibilidade, muitas mulheres continuam a sofrer em silêncio? O estudo revela que 47,4% das vítimas optaram por não denunciar a agressão nem buscar ajuda de instituições especializadas ou até mesmo de pessoas próximas. Qual é a razão para esse comportamento? Medo, vergonha ou uma sensação de impotência diante de um sistema que ainda falha em protegê-las?
TESTEMUNHAS: QUEM ASSISTE A ESSA VIOLÊNCIA?
A pesquisa também traz à tona o perfil das testemunhas dessas cenas de violência. 47,3% das agressões foram presenciadas por amigos e conhecidos da vítima, enquanto 27% das testemunhas eram filhos da mulher agredida. Para muitos especialistas, ver uma violência doméstica pode ter efeitos devastadores, não apenas para a vítima, mas também para as pessoas que testemunham o abuso. O relatório aponta que esse tipo de exposição pode gerar distúrbios emocionais, cognitivos e comportamentais, afetando a percepção do que é, ou deveria ser, um ambiente seguro em casa.
E as crianças? Elas, que testemunham ou vivenciam esse tipo de violência, têm uma probabilidade significativamente maior de reproduzir comportamentos violentos na vida adulta, seja como vítimas ou até como agressores. Um dado impressionante mencionado no estudo é que, em muitos casos, testemunhar violência doméstica é pior do que ser a própria vítima, especialmente quando os pais são os envolvidos.
A FAMILIARIDADE COM A VIOLÊNCIA: QUEM SÃO OS AGRESSORES?
Outro ponto crucial do estudo é a identificação dos agressores. Cônjuges, namorados e ex-companheiros continuam sendo os principais agressores, com 40% das agressões sendo cometidas por essas figuras. O segundo grupo mais comum são ex-cônjuges ou ex-companheiros, responsáveis por 26,8% dos casos. Esse padrão reflete claramente a violência doméstica e intrafamiliar, onde o espaço que deveria ser seguro se transforma em um terreno de abusos físicos e psicológicos. Além disso, pais, padrastos e até filhos estão frequentemente envolvidos, com 5,2% das agressões sendo cometidas por pais e mães e 4,1% por padrastos e madrastas.
A VIOLÊNCIA NAS QUATRO PAREDES: O LUGAR MAIS PERIGOSO
Em um país onde, muitas vezes, a violência acontece em silêncio, dentro das próprias casas, o estudo revela que 57% das agressões ocorreram dentro da residência da vítima. Já parou para pensar como o ambiente familiar, que deveria ser um refúgio, se transforma em um lugar de medo e dor para milhares de mulheres?
A pesquisa também evidenciou um aumento nos tipos de agressões sofridas pelas mulheres. A violência física, que inclui tapas, empurrões, socos e chutes, atingiu 16,9% das mulheres, o que representa o maior número desde o início da pesquisa. E mais de 8,9 milhões de mulheres brasileiras sofreram agressões físicas no último ano. Mas a violência não é apenas física: ofensas verbais, insultos e humilhações chegaram a 31,4%, representando um aumento de 8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Entre as formas de violência mais cruéis, a violência sexual se destaca. Pelo menos uma em cada dez mulheres foi vítima de abuso sexual ou forçada a manter relações sexuais sem seu consentimento. E, como o relatório esclarece, a violência sexual não é um fenômeno isolado – ela acontece em todos os âmbitos da vida das mulheres, inclusive dentro do casamento, caracterizando o estupro marital.
UM DADO ALARMANTE: A VIOLÊNCIA É UMA REALIDADE PARA 37,5% DAS MULHERES NO BRASIL
Em números absolutos, 21,4 milhões de mulheres com 16 anos ou mais foram vítimas de algum tipo de violência nos últimos 12 meses. 37,5% das mulheres no Brasil vivenciaram algum dos cinco tipos de violência identificados pela pesquisa: física, psicológica, moral, patrimonial e sexual.
Isso é inaceitável! O Brasil vive uma realidade em que a violência contra a mulher se perpetua, e os números do relatório são um reflexo de um ciclo vicioso que precisa ser quebrado urgentemente.
O QUE FAZER DIANTE DE UMA SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA?
Caso você se depare com uma situação de violência doméstica ou seja vítima dela, existem canais de ajuda imediata. Para emergências, a orientação é chamar a Polícia Militar pelo número 190.
Além disso, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) oferece um suporte essencial. O número funciona 24 horas por dia e é gratuito, sendo possível também realizar denúncias via WhatsApp, pelo número (61) 9610-0180. A central oferece informações sobre a aplicação da Lei Maria da Penha, além de indicar serviços especializados de atendimento.
O que muitos não sabem é que, além dessas linhas de apoio, o relatório menciona outras instituições que podem ajudar as mulheres a encontrar acolhimento, suporte jurídico e psicológico para enfrentar a violência doméstica.
Fonte: Agência Brasil
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