Frequentadores da Galheta exigem medidas legais e plano de manejo para naturismo

A Praia da Galheta, localizada em Florianópolis, foi palco de uma importante audiência pública na tarde de quinta-feira (20). Com a proposta de discutir a situação da praia, especialmente em relação à prática do naturismo, o evento contou com a presença de diversos representantes políticos, naturistas e forças de segurança. O encontro foi mediado pelo deputado Alex Brasil (PL) e propôs uma reflexão profunda sobre o futuro do local e as regulamentações que envolvem o uso da praia.
Conteúdos [esconder]
- O IMPASSE SOBRE O NATURISMO: QUAL O FUTURO DA GALHETA?
- NORMATIZAÇÃO E A CRÍTICA À MUDANÇA LEGISLATIVA DE 2016
- SEGURANÇA E POLÊMICAS NO LOCAL
- O IMPACTO DA AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
- DESAFIOS SOCIAIS: HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA CONTRA A COMUNIDADE LGBT
- O QUE VEM POR AÍ: O PROJETO DE LEI E A REGULAMENTAÇÃO DA GALHETA
- O FUTURO DA GALHETA ESTÁ EM JOGO
O IMPASSE SOBRE O NATURISMO: QUAL O FUTURO DA GALHETA?
Durante a audiência, um tema central foi levantado: a regulamentação e a fiscalização do naturismo na Praia da Galheta, que já é praticado há mais de 20 anos. Muitos frequentadores do local exigem a criação de um plano de manejo específico para a área, com a implementação de regras claras que garantam a segurança dos naturistas e a preservação do meio ambiente.
O deputado Marquito (PSOL) destacou a urgência de uma ação mais efetiva em relação ao plano de manejo da Galheta. “O Plano de Manejo não foi publicado e a prioridade número um é a publicação do plano, que já foi discutido no Conselho Consultivo”, afirmou, enfatizando que essa é uma necessidade urgente para o local.
Mas qual a real situação da Galheta? O que precisa ser feito para equilibrar o desejo de liberdade dos naturistas com as exigências de segurança e preservação do meio ambiente?
NORMATIZAÇÃO E A CRÍTICA À MUDANÇA LEGISLATIVA DE 2016
Mirian Carvalho, uma das principais vozes do naturismo na Galheta e membro da Associação Amigos da Galheta (GAL), foi contundente ao criticar a mudança legislativa municipal de 2016, que retirou a autorização para a prática do naturismo no local. Em sua fala, Mirian pediu uma revisão dessa decisão, argumentando que a mudança contribuiu para o aumento de crimes como assédio sexual, furtos e até mesmo turismo sexual na região.
“Somos adeptos da filosofia naturista, buscamos a harmonia plena do ser humano com a natureza e a preservação do meio ambiente. Pedimos socorro há mais de 20 anos. Desde 2016, com a mudança na legislação, aumentaram os crimes. Não criminalizem os naturistas e apoiem a aprovação de uma lei que proteja nossa prática com regras claras”, defendeu Mirian.
Além disso, o advogado Anselmo Machado, contratado pela GAL, reforçou a demanda por mais fiscalização e regulamentação no local. “Fizemos um dossiê que comprova que a Galheta vem pedindo socorro há 24 anos. Não somos contra a fiscalização, mas queremos uma presença mais constante do poder público para garantir o naturismo”, afirmou.
SEGURANÇA E POLÊMICAS NO LOCAL
Porém, a questão da segurança foi outro ponto crítico levantado durante a audiência. As autoridades locais apresentaram diferentes visões sobre a situação da Galheta, com relatos de desafios na fiscalização e preocupações sobre comportamentos inadequados no local.
A vice-prefeita de Florianópolis, Marianne Matos, destacou que, durante uma visita à praia, encontrou um cenário de degradação, com lixo e violência no ambiente. “A praia está cheia de tocas, trilhas depredadas, lixo absurdo, camisinhas e lenços. Desde 2016, a autorização para o nudismo foi retirada da lei, e não posso permitir que as pessoas fiquem nuas no espaço público. Precisamos trazer tranquilidade para todos que frequentam o local”, afirmou a vice-prefeita.
O coronel Anderson de Medeiros, do Corpo de Bombeiros, também expressou sua preocupação com a segurança, mencionando dificuldades em alocar guarda-vidas na praia em 2025, além de relatos de confrontos durante abordagens.
Por outro lado, o Major Anderson Torres de Oliveira, da Polícia Militar, atribuiu parte dos problemas ao uso inadequado do espaço público. Ele enfatizou a impossibilidade de se instalar um posto de polícia fixo na praia, mas garantiu que a Operação Verão está reforçando o policiamento e que drones serão usados para monitorar a área.
O IMPACTO DA AÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (MPF)
O procurador Walmor Alves Moreira, do Ministério Público Federal (MPF), também se posicionou sobre a situação da Galheta. Ele revelou que, em 2023, ajuizou uma ação civil pública para tratar da ordenação das praias Mole e Galheta, com o objetivo de recuperar a fauna e a flora da região e promover uma integração entre os órgãos responsáveis pela gestão ambiental.
“O MPF recebeu diversas denúncias de agressões ao meio ambiente e violência contra mulheres e adolescentes. Estamos buscando uma solução integrada para a Galheta e a Mole”, afirmou Walmor, destacando que uma possível mudança na localização do naturismo para outras praias da Ilha de Santa Catarina está sendo considerada.
DESAFIOS SOCIAIS: HOMOFOBIA E VIOLÊNCIA CONTRA A COMUNIDADE LGBT
O debate também trouxe à tona questões sociais importantes, como a homofobia enfrentada por parte da comunidade LGBT que frequenta a Galheta. O vereador Leonel Camasão trouxe à tona imagens de ameaças de morte contra gays, escritas nas pedras da praia, e alertou para a hipocrisia existente no debate sobre o espaço.
“Enquanto a hipocrisia toma conta do debate, o que está ausente é o estado. O problema da Galheta não é o naturismo ou o sexo ao ar livre, mas sim a falta de presença e fiscalização”, afirmou Camasão, destacando a necessidade de mais políticas públicas para garantir a segurança e a inclusão de todos os frequentadores da praia.
O QUE VEM POR AÍ: O PROJETO DE LEI E A REGULAMENTAÇÃO DA GALHETA
No encerramento da audiência, o deputado Alex Brasil (PL) se mostrou otimista sobre o futuro da Galheta. “Ficou claro que todos querem salvar a Galheta. Agora, estamos trabalhando em um projeto de lei para regulamentar o uso da praia, considerando todas as demandas discutidas aqui”, anunciou.
O deputado convidou diversos representantes de associações para uma nova reunião em seu gabinete, onde discutirá os detalhes do projeto de lei que pode trazer uma solução para as questões de segurança, preservação ambiental e regulamentação do naturismo na praia.
O FUTURO DA GALHETA ESTÁ EM JOGO
A Praia da Galheta é um espaço único, que combina beleza natural com uma história rica de práticas culturais como o naturismo. No entanto, sua situação atual exige uma reflexão profunda e uma ação conjunta de todos os envolvidos, desde os naturistas até as autoridades públicas, para garantir a preservação do local e a segurança de todos os frequentadores.
Será que é possível encontrar um equilíbrio entre a preservação ambiental, a liberdade do naturismo e a segurança pública? O futuro da Galheta depende da aprovação de um plano de manejo eficaz e de uma legislação clara que permita o uso consciente e respeitoso desse paraíso natural. A audiência pública foi apenas o começo de um longo processo de discussão e ação, mas, como foi enfatizado por diversos participantes, o primeiro passo foi dado. E agora, o que podemos esperar dessa nova fase da Praia da Galheta?
Quer saber mais sobre o futuro da Galheta e das praias de Florianópolis? Acompanhe os próximos passos dessa história que, sem dúvida, ainda reserva muitos capítulos.
Fonte: Agência ALESC
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