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Brasil e Japão assinam acordos estratégicos para fortalecer parcerias comerciais

Durante sua visita oficial ao Japão nesta terça-feira, 25 de março, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou o objetivo estratégico de recuperar os US$ 6 bilhões perdidos na balança comercial entre os dois países na última década. O encontro com empresários brasileiros da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) foi o palco ideal para esse anúncio, abordando principalmente a abertura do mercado japonês para a carne brasileira, um setor crucial para a economia nacional.

BRASIL E JAPÃO: O IMPULSO NECESSÁRIO PARA UM COMÉRCIO MAIS FORTE

De acordo com Lula, a balança comercial entre Brasil e Japão chegou a impressionantes US$ 17 bilhões em 2011, mas, em 2024, esse valor despencou para US$ 11 bilhões. “Isso significa que temos US$ 6 bilhões para recuperar em minha visita ao Japão”, afirmou o presidente, enfatizando a importância de fortalecer os laços comerciais entre as duas nações.

Mas o que isso realmente significa para o Brasil? Ao recuperar essa fatia do comércio, o país pode não apenas ampliar suas exportações, mas também gerar um impacto positivo em toda a cadeia produtiva, especialmente na indústria de carnes. Para Lula, o papel do presidente é abrir portas, mas as negociações devem ser conduzidas pelo setor privado. “Precisamos entender as dificuldades do setor e saber o que pode ser feito para superar obstáculos”, explicou.

O MINISTRO DA AGRICULTURA E A ABERTURA DO MERCADO JAPÔNICO

O Ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, também destacou a longa trajetória de negociações para a exportação de carne bovina brasileira para o Japão. “Este processo já dura mais de 20 anos, e o último protocolo está sendo discutido há cinco anos. Nosso objetivo é acelerar esse processo e garantir mais competitividade para nossos empresários”, explicou Fávaro, reforçando que a carne bovina brasileira já atende às exigências sanitárias e comerciais do Japão.

A novidade? Em maio de 2024, o Brasil obteve o status de “livre de febre aftosa sem vacinação”, o que abre novas portas para exportações, especialmente para o Japão e outros países que exigem esse certificado. Apenas alguns estados brasileiros possuem esse reconhecimento, e a ampliação para todo o território nacional promete aumentar ainda mais o potencial exportador do Brasil.

CARNE BOVINA E A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Não podemos ignorar que a carne é o quarto maior item nas exportações brasileiras, sendo superada apenas por soja, petróleo bruto e minério de ferro. Renato Costa, presidente da Friboi, compartilhou sua visão otimista para o futuro. “Com a visita de Lula, as coisas estão caminhando. Estamos confiantes, pois o Japão é o terceiro maior importador de carne do mundo”, afirmou.

A boa notícia é que o mercado interno não será prejudicado. De acordo com Costa, apenas 30% da produção de carne brasileira é destinada à exportação. O crescimento do rebanho e o acesso a novos mercados proporcionam sustentabilidade para toda a cadeia produtiva, beneficiando a indústria, os produtores e o país.

GRIPE AVIÁRIA E NOVOS PROTOCOLOS

O ministro Carlos Fávaro também abordou o tema da gripe aviária, uma preocupação crescente no Brasil. Nos últimos dois anos, o país tem adotado medidas para impedir a propagação do vírus, especialmente na avicultura comercial. O Brasil mantém o status de país livre de gripe aviária em seus plantéis comerciais, o que garante ao país uma posição de destaque no fornecimento de carne de frango para o Japão, que é o maior importador global deste produto.

A mudança recente no protocolo de aves permite a regionalização, ou seja, se um município for afetado por surtos de gripe aviária, o comércio será restrito àquela localidade, sem afetar o restante do país. “Esse é um avanço significativo e oferece maior segurança ao Japão, que depende do Brasil como seu principal fornecedor de carne de frango”, destacou Fávaro.

JAPÃO E BRASIL FIRMAM NOVOS ACORDOS E PARCERIAS

Nesta quarta-feira (26), o presidente Lula e o primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba assinaram uma série de acordos que incluem áreas como comércio, indústria, meio ambiente e tecnologia. Além disso, 80 novos instrumentos de cooperação foram firmados entre empresas, bancos e universidades de ambos os países. Um dos principais focos dessa colaboração é a transição energética, com o Japão se comprometendo a ampliar o uso de biocombustíveis.

“Queremos aumentar o comércio entre Brasil e Japão, especialmente no setor de biocombustíveis, etanol, hidrogênio verde e combustíveis renováveis”, afirmou Lula, destacando as oportunidades de investimento que surgem com o novo contexto de transição energética no Japão.

AMBIÇÃO PARA O MERCOSUL E A COP30

Lula também falou sobre as perspectivas para o Mercosul. Em 2024, o Brasil assumirá a presidência do bloco e pretende avançar em um acordo comercial com o Japão. O primeiro-ministro japonês reiterou a vontade de fortalecer as relações econômicas com o Mercosul, ampliando ainda mais a cooperação entre os países.

Além disso, Lula enfatizou a importância da COP30, que será realizada em Belém, no Brasil, em 2025. “É essencial que Brasil e Japão se juntem para apresentar metas ambiciosas de redução de emissões de gases de efeito estufa”, destacou o presidente, reiterando o compromisso dos dois países com a mitigação das mudanças climáticas.

O QUE A VISITA DE LULA AO JAPÃO REPRESENTA PARA O FUTURO DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS?

Essa visita de Estado de Lula ao Japão, que é sua quinta viagem ao país, mas a primeira de tal magnitude, marca uma nova fase nas relações entre as duas nações. O presidente brasileiro aproveitou a ocasião para reforçar o papel do Japão como um exemplo de desenvolvimento e inovação, destacando a importância de aprender com o país asiático nas áreas de ciência, tecnologia e educação.

Lula também se comprometeu a continuar cuidando da comunidade brasileira no Japão, composta por cerca de 211 mil pessoas, e a promover o ensino da língua japonesa para facilitar a inclusão das crianças e adolescentes brasileiros no sistema educacional japonês.

A visita de Lula ao Japão, com a assinatura de acordos e a busca pela recuperação do comércio bilateral, traz um futuro promissor para ambos os países. Com foco em inovações sustentáveis, avanços no comércio de carnes, e uma estreita colaboração em áreas como biocombustíveis e meio ambiente, o Brasil e o Japão estão prontos para fortalecer ainda mais seus laços econômicos e diplomáticos. E você, como vê as oportunidades dessa parceria estratégica para o Brasil? O que essa nova fase do comércio internacional pode significar para o país?

As próximas semanas prometem grandes novidades, especialmente com a próxima COP30 e a liderança do Brasil no Mercosul. Vamos ficar de olho!

 

Fonte: Agência Brasil


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