“Não foi passeio no parque”, pontua Moraes ao condenar os ataques à democracia
Ministro nega que nega que STF esteja condenando “velhinhas com a bíblia na mão"

A tentativa de golpe que tomou conta de Brasília no dia 8 de janeiro de 2023 continua reverberando no cenário jurídico e político do Brasil. As imagens da depredação das sedes dos Três Poderes da República ainda estão vivas na memória nacional, e a busca por justiça segue em ritmo acelerado. Durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes não poupou palavras ao classificar os eventos daquele dia como “uma verdadeira guerra campal”.
O julgamento que está em curso no STF tem como objetivo avaliar a aceitação da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que aponta o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados como articuladores de uma tentativa de subversão da ordem democrática. Para Moraes, a gravidade dos atos precisa ser compreendida em sua totalidade. “É importante lembrar que tivemos uma tentativa de golpe de Estado violentíssima”, afirmou o ministro, destacando o caráter organizado e premeditado da investida.
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UMA OPERAÇÃO ORQUESTRADA? ENTENDA A TRAMA
A denúncia apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, acusa Bolsonaro e mais 33 pessoas de envolvimento direto nos ataques. Os crimes citados incluem tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada, depredação de patrimônio tombado e dano qualificado pelo uso de violência e grave ameaça.
De acordo com a PGR, a engrenagem da trama golpista começou a girar em meados de 2021, com a estratégia de desacreditar as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral. O objetivo? Criar um ambiente de desconfiança generalizada e justificar uma possível permanência de Bolsonaro no poder, independentemente do resultado das eleições. O ponto culminante desse plano teria sido a violenta invasão aos edifícios públicos em janeiro de 2023.
Agora, a Primeira Turma do STF, composta por cinco dos onze ministros da Corte, avalia a aceitação da denúncia contra os principais articuladores da tentativa de golpe.
FAKE NEWS E DISTORÇÃO DOS FATOS: A NARRATIVA DA “VELHINHA COM A BÍBLIA NA MÃO”
Nos bastidores do debate jurídico, uma outra batalha vem sendo travada: a da desinformação. Entre os defensores do ex-presidente, uma das narrativas mais difundidas é a de que as sentenças aplicadas pelo STF estão penalizando pessoas inocentes, supostamente cidadãos comuns que estavam “apenas passeando” na Praça dos Três Poderes. Moraes, no entanto, rechaçou essa versão durante a sessão.
“Essa narrativa se criou e se repete através de notícias fraudulentas pelas redes sociais, fake news, de que são mulheres, só mulheres e idosas [condenadas]”, declarou o ministro. Para desmentir a informação, ele apresentou dados oficiais: das 497 condenações pelos atos do dia 8 de janeiro, 454 correspondem a pessoas com até 59 anos de idade. Apenas sete condenados tinham entre 70 e 75 anos.
O julgamento prossegue com a análise das questões preliminares levantadas pelas defesas dos acusados, antes da decisão final sobre transformar ou não Bolsonaro e os demais envolvidos em réus no caso.
QUEM SÃO OS PRINCIPAIS ENVOLVIDOS NA DENÚNCIA?
A PGR identificou um grupo de oito pessoas como o “núcleo crucial” da tentativa de golpe. Estes são os principais nomes envolvidos:
- Jair Bolsonaro – ex-presidente da República e principal figura da denúncia;
- Walter Braga Netto – general do Exército, ex-ministro e candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro;
- Augusto Heleno – ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;
- Alexandre Ramagem – ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
- Anderson Torres – ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;
- Almir Garnier – ex-comandante da Marinha;
- Paulo Sérgio Nogueira – general do Exército e ex-ministro da Defesa;
- Mauro Cid – ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e delator no processo.
O desenrolar desse caso não apenas definirá o destino jurídico dos acusados, mas também servirá como um marco na história política do Brasil. Será que o país testemunhará um julgamento exemplar, ou haverá espaço para mais polarização e desinformação? O futuro da democracia está em jogo.
Fonte: Agência Brasil
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