Brasil registra 1.450 feminicídios em 2024, aumento de 12 casos em relação ao ano passado

Na terça-feira, 25 de março de 2025, o Ministério das Mulheres do Brasil apresentou o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher (Raseam), um documento abrangente que oferece uma visão detalhada sobre a realidade das mulheres no país, com foco especial na violência de gênero e nas políticas públicas implementadas para enfrentá-la. Os números são alarmantes, mas também refletem progressos significativos no combate à violência contra as mulheres e na promoção da igualdade de direitos. Neste artigo, exploramos os principais achados do relatório e o impacto das políticas públicas nesse cenário.
Conteúdos [esconder]
- VIOLÊNCIA DE GÊNERO: UMA REALIDADE QUE EXIGE URGENTE ATENÇÃO
- POLÍTICAS PÚBLICAS E A LUTA PELA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO
- UMA VISÃO MAIS AMPLA: O RASEAM E O PERFIL SOCIOECONÔMICO DAS MULHERES NO BRASIL
- A LUTA POR UM FEMINICÍDIO ZERO COM DEMOCRACIA E IGUALDADE
- O CAMINHO A SEGUIR: UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA PARA AS MULHERES
VIOLÊNCIA DE GÊNERO: UMA REALIDADE QUE EXIGE URGENTE ATENÇÃO
O Raseam 2025 revelou dados preocupantes, mas também destacou uma redução nas estatísticas de violência letal contra as mulheres. De acordo com os registros de 2024, 1.450 feminicídios foram registrados no Brasil, além de 2.485 homicídios dolosos e lesões corporais seguidas de morte. Esses números, embora ainda alarmantes, representam uma diminuição de 5,07% quando comparados aos dados de 2023, quando foram contabilizados 1.438 feminicídios e 2.707 homicídios e lesões fatais.
Essa redução, embora modesta, é um reflexo do esforço contínuo das políticas públicas voltadas para a erradicação da violência de gênero e da mobilização nacional pelo feminicídio zero. No entanto, não podemos esquecer que o Brasil ainda enfrenta um longo caminho a percorrer. Em um país onde 196 estupros são registrados diariamente, com um total de 71.892 casos em 2024, a luta contra a violência sexual continua sendo uma prioridade nacional. A queda de 1,44% em relação a 2023 é positiva, mas não é suficiente diante da magnitude do problema.
POLÍTICAS PÚBLICAS E A LUTA PELA MUDANÇA DE COMPORTAMENTO
Cida Gonçalves, Ministra das Mulheres, destacou que a redução nos índices de violência de gênero é fruto de uma ação integrada entre governo, sociedade e movimentos sociais. “Isso significa que alguém está intervindo antes que o fato aconteça, que alguém está tomando uma iniciativa”, afirmou a ministra. Ela enfatiza que, embora o papel do Estado seja fundamental, é essencial que toda a sociedade se envolva na prevenção da violência. “Nós precisamos de uma sociedade que não se cale, que não diga que isso é só responsabilidade do Estado. Prioritariamente, é do Estado, mas é de toda a sociedade o papel de intervir, de ligar, de orientar e de falar sobre.”
Esse engajamento da sociedade é crucial, pois, segundo os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS), 60,4% das vítimas de violência contra mulheres adultas (de 20 a 59 anos) são negras ou pardas, enquanto 37,5% são mulheres brancas. A sobreposição de vulnerabilidades para mulheres negras, portanto, exige uma abordagem ainda mais específica e assertiva.
Além disso, um dado alarmante mostra que, em 76,6% dos casos de violência doméstica ou sexual, o agressor é do sexo masculino, e a residência se destaca como o principal local de violência, com 71,6% das notificações ocorrendo dentro de casa. Esses números reforçam a necessidade de políticas públicas que não apenas punam os agressores, mas também previnam as agressões antes que aconteçam.
UMA VISÃO MAIS AMPLA: O RASEAM E O PERFIL SOCIOECONÔMICO DAS MULHERES NO BRASIL
Além dos dados sobre violência, o Raseam 2025 apresenta uma análise detalhada sobre a realidade socioeconômica das mulheres brasileiras, abordando aspectos como autonomia econômica, igualdade no mercado de trabalho, acesso à educação e saúde, e participação política. Um dos destaques é que as mulheres representam a maior parte dos responsáveis pelos domicílios no Brasil, um reflexo da crescente liderança feminina nas esferas sociais e familiares.
No que diz respeito à desigualdade salarial, o relatório revela que as mulheres ganham, em média, apenas 79,3% do rendimento dos homens em empresas formais com 100 ou mais empregados. Essa disparidade salarial ainda é um obstáculo considerável à plena igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. No entanto, o relatório também aponta um avançado desempenho eleitoral das mulheres, com 30,6% das candidatas a prefeita conquistando vitórias nas eleições de 2024, um aumento significativo em relação aos números de 2020.
A LUTA POR UM FEMINICÍDIO ZERO COM DEMOCRACIA E IGUALDADE
Cida Gonçalves, ao comentar sobre os avanços e desafios enfrentados pelas mulheres, afirma que a luta pela erradicação da violência precisa ser constante e se dar em várias frentes. “Agora, o desafio é como manter o processo de diminuição [da violência]. Isso não significa que é para a gente se aquietar. Mas, significa que o que nós fazemos, com um pouco de recurso que nós temos, nós temos dado mensagens e obtido resultados”, pontua a ministra.
O Raseam 2025 integra sete eixos temáticos que abrangem desde o enfrentamento à violência até a promoção da saúde integral, direitos sexuais e reprodutivos, e a presença das mulheres em espaços de poder. O relatório também inclui 328 indicadores, 58 a mais que o número apresentado na versão anterior (2023), refletindo um avanço na coleta e análise de dados oficiais.
Esses indicadores ajudarão a embasar a elaboração de políticas públicas e a promoção de pesquisas sobre os direitos das mulheres, fornecendo um panorama mais completo da situação das brasileiras e das ações necessárias para garantir igualdade e justiça.
O CAMINHO A SEGUIR: UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA PARA AS MULHERES
O Raseam 2025 reafirma a importância da integração entre Estado, sociedade e movimentos feministas para alcançar um futuro sem violência contra as mulheres. Embora o Brasil tenha avançado, os números ainda evidenciam uma realidade cruel que exige mais ações concretas e urgentes.
Mas, e você? O que pensa sobre os avanços e desafios para a igualdade de gênero no Brasil? Como podemos, como sociedade, contribuir para a construção de um futuro sem violência? Afinal, a luta é de todas e todos. Cada ação, cada voz, é um passo em direção a um Brasil mais justo e igualitário.
Para mais informações detalhadas sobre o relatório, acesse o Raseam 2025.
Fonte: Agência Brasil
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