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Brasil registra crescimento de 14% na reciclagem de PET em dois anos

O Brasil deu um passo significativo em direção à sustentabilidade em 2024, alcançando a marca de 410 mil toneladas de embalagens PET recicladas, superando em 14% as 359 mil toneladas recicladas no ano anterior. Esses números foram apresentados na 13ª edição do Censo da Reciclagem do PET no Brasil, um levantamento divulgado pela Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet) nesta segunda-feira (24). Embora o aumento da reciclagem seja um avanço notável, o estudo aponta que ainda existem desafios significativos que impedem o pleno desenvolvimento da indústria de reciclagem.

UMA JORNADA DE CONQUISTAS E DESAFIOS: O QUE DIZ A ABIPET

A conquista de um número recorde de reciclagem, sem dúvida, é motivo de celebração, mas, por outro lado, revela uma dura realidade: a falta de políticas públicas de coleta seletiva eficazes é um dos principais obstáculos para o crescimento sustentável do setor. Segundo Auri Marçon, presidente da Abipet, a falta de infraestrutura adequada e o descompasso entre a oferta de embalagens PET e a capacidade de reciclagem das empresas são problemas que não podem ser ignorados.

Em sua análise, Marçon destaca a preocupação com a ociosidade no setor, que tem afetado a produtividade das empresas recicladoras. “As empresas recicladoras chegam a operar com uma ociosidade média de 23%, chegando a picos de até 40%”, revela. Isso significa que uma parte significativa das instalações de reciclagem está subutilizada devido à escassez de matéria-prima, que muitas vezes acaba indo para aterros comuns ou sendo descartada de forma inadequada no meio ambiente.

Mas você já parou para refletir sobre o impacto disso? Como podemos melhorar esse cenário e garantir que mais PETs tenham um destino sustentável? A resposta, segundo a Abipet, passa por um esforço conjunto entre a indústria, o governo e a sociedade.

O DESTINO DAS EMBALAGENS PET RECICLADAS EM 2024: NOVOS PRODUTOS E OPORTUNIDADES

A cada tonelada reciclada de PET, uma nova chance de transformar resíduos em produtos úteis e de valor agregado surge. Em 2024, o principal destino da resina reciclada foi a fabricação de novas embalagens, que absorveram 37% do total reciclado. Esses novos produtos são amplamente utilizados em indústrias de bebidas não alcoólicas, como águas, refrigerantes e energéticos.

O setor têxtil também tem ganhado destaque no aproveitamento do PET reciclado, utilizando 24% da resina para criar tecidos sustentáveis. Cada peça de roupa feita a partir de PET reciclado representa não apenas um avanço no reaproveitamento de materiais, mas também um passo para a redução do impacto ambiental da indústria da moda.

Além disso, a indústria química e a fabricação de lâminas e chapas também estão incorporando o PET reciclado em seus processos. Juntas, essas áreas representam 26% do total reciclado. O uso do PET reciclado em fitas de arquear, utilizadas em embalagens e no fechamento de caixas, também tem mostrado crescente demanda, com 10% do total de resina reciclada sendo utilizado para esse fim.

Mas você sabia que cada garrafa PET descartada corretamente pode contribuir para essa cadeia de reciclagem e reaproveitamento de materiais? É um ciclo que começa com o consumidor e termina em novos produtos que ajudam a diminuir o desperdício de recursos naturais.

O IMPACTO DA FALTA DE COLETA SELETIVA: O QUE ESTÁ EM JOGO?

Apesar dos avanços em reciclagem, a falta de políticas públicas de coleta seletiva é uma das maiores barreiras enfrentadas pelo setor. “O Brasil ainda sofre com a ausência de um sistema de coleta seletiva eficiente, que permita o descarte adequado de embalagens PET e, consequentemente, o aumento da capacidade de reciclagem”, afirma Auri Marçon.

Essa deficiência na coleta seletiva tem um efeito direto na indústria de reciclagem, que se vê forçada a operar com capacidade ociosa. O problema se agrava quando muitas embalagens PET não chegam aos pontos de coleta ou são descartadas incorretamente, indo parar em locais inadequados, como aterros sanitários ou, pior ainda, em áreas de preservação ambiental.

Portanto, é fundamental que haja um esforço coletivo para melhorar o sistema de coleta seletiva em todo o país. A implementação de políticas públicas mais eficazes, aliadas à conscientização da população, pode ser a chave para transformar o Brasil em um modelo de sustentabilidade.

A RECICLAGEM COMO PARTE DA SOLUÇÃO: UM COMPROMISSO DE TODOS

O Censo da Reciclagem do PET 2024 traz uma mensagem clara: embora o Brasil tenha feito avanços significativos na reciclagem de embalagens PET, ainda há um longo caminho a percorrer. Para que a indústria de reciclagem continue a crescer e se fortalecer, é essencial que a população, as empresas e os governos unam forças para resolver os desafios estruturais que ainda existem.

A reciclagem não é apenas uma responsabilidade da indústria, mas um compromisso de todos. Você, consumidor, pode fazer a diferença ao adotar práticas conscientes de descarte de embalagens PET. E as empresas e os governos precisam se envolver ativamente na criação de soluções que facilitem esse processo.

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Fonte: Agência Brasil



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