Depois de um início de ano com freio puxado, os lares de Santa Catarina voltaram a respirar um pouco mais aliviados. É o que mostra o novo levantamento da Fecomércio SC, divulgado nesta quinta-feira (24): a intenção de consumo das famílias catarinenses avançou 1,2% em abril, encerrando dois meses consecutivos de retração.
Mais do que um número positivo, o dado coloca o estado em destaque nacional. Santa Catarina registrou o terceiro maior crescimento do país no período analisado — uma performance que contrasta com a média nacional, que caiu 0,4%.
SANTA CATARINA NAVEGA CONTRA A MARÉ
Enquanto boa parte do Brasil ainda lida com os efeitos de juros elevados e inflação resistente, o consumidor catarinense mostra disposição para gastar — um termômetro importante para o comércio local.
“Apenas sete estados, de um total de 27 unidades federativas, registraram crescimento em abril. E Santa Catarina foi uma delas, com um dos maiores índices. Todos os nossos indicadores apontam que a economia do nosso estado está apresentando grande resiliência, apesar do momento atual conturbado, em um cenário de juros em níveis preocupantes e inflação acima da meta”, afirmou Hélio Dagnoni, presidente da Fecomércio SC.
O índice que mede a intenção de consumo, criado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), chegou a 114,2 pontos em Santa Catarina. Para quem não está familiarizado com essa métrica, valores acima de 100 indicam que as famílias se consideram satisfeitas com seu padrão atual de consumo.
EMPREGO E RENDA AINDA GERAM INCERTEZA
Nem tudo são flores, no entanto. Dois dos principais pilares da confiança do consumidor — emprego e renda — apresentaram sinais de enfraquecimento.
A satisfação com o emprego atual caiu 1,8% em abril, chegando a 126,8 pontos, o nível mais baixo registrado nos últimos 18 meses. Na mesma linha, a satisfação com a renda recuou 2% no mês e 2,1% na comparação com abril de 2024, mas ainda permanece na chamada “zona de otimismo”, com 129,4 pontos.
OTIMISMO RESISTENTE ENTRE OS CATARINENSES
Mesmo com quedas em emprego e renda, o sentimento geral ainda tende ao otimismo. De acordo com a economista da Fecomércio SC, Edilene Cavalcanti, a percepção sobre a situação financeira pessoal tem se mantido positiva.
“Atualmente, 45,8% dos catarinenses acreditam que a sua situação financeira está melhor agora do que um ano atrás. Aqueles que acreditam numa piora são 36,6%. Já aqueles que falam em estabilidade são 16,4%”, destaca Edilene.
Ou seja, apesar dos desafios macroeconômicos, a percepção da população sobre sua própria realidade financeira segue relativamente favorável — e isso acaba refletindo diretamente na disposição de consumir.
UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL PARA O COMÉRCIO?
Para o setor varejista, essa virada no comportamento do consumidor pode ser um sinal de alívio. Afinal, a intenção de consumo costuma ser um indicador antecipado do que vem pela frente no caixa das lojas, supermercados e serviços em geral.
Agora, resta a dúvida: será que esse movimento de recuperação vai se manter nos próximos meses? Os dados apontam que Santa Catarina está em um bom momento, mas a conjuntura nacional ainda impõe cautela.
De qualquer forma, como mostram os números da Fecomércio SC, a resiliência do consumidor catarinense segue sendo uma das marcas mais fortes da economia estadual.
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