Nova denúncia contra vice-prefeito de Lages reacende debate sobre violência psicológica
Mais um relato de abuso psicológico envolvendo o vice-prefeito de Lages, Jair Júnior, veio à público nesta semana, reacendendo um tema sensível e urgente: o enfrentamento à violência de gênero e a importância de estruturas reais de acolhimento às vítimas. A denúncia, que está sendo investigada pela Delegacia da Mulher, foi feita por uma ex-namorada do político, apenas um dia após a prisão dele por agressão física contra outra ex-companheira — episódio que ganhou grande repercussão no mês de março.
Conteúdos
A CORAGEM QUE NASCE DO ACOLHIMENTO
Em entrevista à Rádio Clube de Lages, as advogadas Natália Ferreira e Tatiane Issac, representantes legais da nova vítima, compartilharam detalhes sobre o caso. Elas contam que o relacionamento ocorreu em 2022 e que os episódios de violência psicológica teriam acontecido ao longo de 2023. No entanto, a mulher só agora encontrou forças para denunciar. O motivo? A visibilidade do caso anterior a encorajou a buscar justiça.
“Ela só decidiu denunciar agora porque se sentiu acolhida e segura diante da repercussão do primeiro caso”, relataram as advogadas, destacando o poder que a solidariedade e a escuta ativa podem ter no rompimento do silêncio.
INVESTIGAÇÃO EM ANDAMENTO E APLICABILIDADE DA LEI MARIA DA PENHA
Segundo a Dra. Natália Ferreira, o inquérito ainda está em fase preliminar. “Nós acompanhamos nossa cliente na Delegacia de Polícia Civil, onde ela prestou depoimento e entregamos todas as provas e indicações de testemunhas à Delegacia da Mulher. O procedimento ainda está em fase inicial, com coleta de provas e oitiva de testemunhas”, explicou.
Embora não tenha ocorrido agressão física, a denúncia é amparada pela Lei Maria da Penha, pois envolve relatos de violência emocional — uma forma de abuso ainda subnotificada, mas profundamente danosa.
O PESO DO JULGAMENTO SOCIAL: UMA BARREIRA SILENCIOSA
Quantas histórias você conhece que ficaram abafadas pelo medo do que os outros vão dizer? A advogada Tatiane Issac chama atenção justamente para esse fator, que ainda silencia muitas mulheres.
“Ela não teve coragem de denunciar em 2023 por receio da reação da sociedade. Só agora, com o acolhimento e por ver semelhanças entre os casos, ela decidiu procurar a polícia”, relatou Tatiane. Ela também informou que, após o fim do relacionamento, a vítima buscou apoio psicológico durante cerca de um ano para lidar com as consequências emocionais do que viveu.
DENÚNCIA SOB SIGILO, MAS IMPACTO COLETIVO
Como se trata de um processo baseado na Lei Maria da Penha, a nova denúncia tramita sob segredo de Justiça. No entanto, as advogadas ressaltam que, ainda que as ações corram separadamente, os casos podem se cruzar juridicamente no momento de avaliar provas e padrões de comportamento.
UM CHAMADO ÀS MULHERES: “PRECISAMOS ACOLHER, NÃO JULGAR”
Encerrando a entrevista, a Dra. Natália Ferreira fez um apelo que transcende a esfera judicial: “A nossa luta é para que todos os casos de violência doméstica sejam denunciados. Precisamos acolher, não julgar. Muitas mulheres ainda vivem caladas dentro de casa por medo do julgamento social. Isso precisa mudar”.
O CASO QUE NÃO SE ENCERRA: REFLEXÕES QUE FICAM
O novo episódio envolvendo o vice-prefeito de Lages reforça o que os dados já nos dizem: a violência de gênero não se restringe aos gritos ou marcas visíveis. Ela pode estar disfarçada em frases depreciativas, manipulações emocionais, chantagens sutis — e, mesmo assim, deixar cicatrizes profundas.
A denúncia feita nesta semana não apenas amplia o histórico de acusações contra Jair Júnior, como também desafia a sociedade lageana — e catarinense — a olhar com mais seriedade para a violência psicológica. Afinal, o silêncio é cúmplice. E você, já se perguntou de que lado quer estar?
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