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Conselho da Cidade terá como missão fiscalizar e debater o futuro de São José

Em um passo decisivo rumo ao futuro urbano que deseja construir, São José acaba de dar forma a uma instância fundamental de participação cidadã: o Conselho da Cidade. O novo órgão terá a missão de acompanhar de perto a aplicação do recém-aprovado Plano Diretor, um documento que redesenha os rumos do crescimento josefense.

Mas afinal, o que isso muda na vida de quem mora, trabalha ou circula por São José?

O QUE TRAZ O NOVO PLANO DIRETOR?

O novo Plano Diretor de São José chega com promessas grandiosas: modernizar a cidade, abrir espaço para grandes empreendimentos e organizar o crescimento urbano. Mas será que essas mudanças representam um avanço para toda a população — ou apenas para parte dela?

A proposta aprovada pela Prefeitura libera, por exemplo, a construção de edifícios com até 25 andares, um movimento que pode transformar drasticamente a paisagem urbana. Em troca, exigem-se contrapartidas urbanísticas dos empreendedores. Mas essas compensações são suficientes para equilibrar os impactos de uma verticalização intensa em áreas muitas vezes despreparadas para tal densidade?

Também são apresentados incentivos para habitações de interesse social e estímulos à construção de edifícios menores, de até quatro andares, com o objetivo de baratear o custo habitacional. A promessa parece positiva — mas, na prática, será que esses estímulos serão adotados pelo mercado? Ou corremos o risco de ver um crescimento que favorece as camadas mais altas da população, enquanto a periferia segue esquecida?

“Com o crescimento acelerado de São José, o novo Plano Diretor abre espaço para discutir com mais profundidade questões como saneamento, habitação, mobilidade e meio ambiente”, afirma o secretário adjunto de Urbanismo e Serviços Públicos, Michael Rosanelli. Mas se a discussão é importante, mais essencial ainda é garantir que essas políticas saiam do papel e que seus efeitos sejam distribuídos de forma justa entre todas as regiões da cidade.

Além disso, o plano traz novas regras para o parcelamento e uso do solo, além da possibilidade de aumentar o coeficiente de aproveitamento urbano para até 2,5, desde que o empreendedor ofereça algo em troca — geralmente melhorias urbanas pontuais. Mas quem define o que é uma boa contrapartida? E essas melhorias realmente compensam o impacto sobre a infraestrutura, o trânsito e o meio ambiente?

Com áreas rurais preservadas e um centro urbano cada vez mais dinâmico, São José vive um momento de virada. Mas o desafio agora é evitar que esse desenvolvimento gere exclusão e desequilíbrio. Crescer sim — mas para todos.

CONSELHO DA CIDADE: A NOVA VOZ DO DESENVOLVIMENTO URBANO

E como garantir que tudo isso saia do papel de forma transparente, participativa e bem conduzida? A resposta está na criação do Conselho da Cidade, uma espécie de bússola cidadã para acompanhar a aplicação prática do plano. A posse dos conselheiros deve ocorrer ainda este mês.

Com caráter estratégico, o Conselho terá a tarefa de fiscalizar e monitorar se as diretrizes estão sendo aplicadas de forma coerente com os objetivos do Plano Diretor — e com as necessidades reais da população.

“O crescimento acelerado de São José exige uma abordagem estratégica. O novo Plano abre espaço para debater questões como saneamento, mobilidade, habitação e meio ambiente com mais profundidade”, destaca Michael Rosanelli, secretário adjunto de Urbanismo e Serviços Públicos.

Na visão do arquiteto e urbanista Ângelo Arruda, assessor técnico da Susp, o plano representa um avanço técnico e democrático: “Essa revisão resgata o processo participativo iniciado há anos e permite que São José tenha diretrizes claras e modernas.” No entanto, mesmo com a participação da sociedade, é legítimo se perguntar: até que ponto as demandas populares foram de fato incorporadas à versão final?

A PRIMEIRA MISSÃO: A 6ª CONFERÊNCIA MUNICIPAL DA CIDADE

Assim que for nomeado, o novo Conselho da Cidade já terá sua primeira missão: coordenar a 6ª Conferência Municipal da Cidade, agendada para 28 de junho. O evento será um espaço de escuta, debate e construção coletiva, reunindo representantes da sociedade civil, entidades e o poder público em torno das diretrizes da Política Nacional de Desenvolvimento Urbano.

“Vamos discutir e identificar na Conferência Municipal as principais demandas do município, as quais serão encaminhadas para a conferência estadual, onde serão consolidadas em um documento único a ser apresentado na conferência nacional”, explica Ângelo Arruda.

O FUTURO ESTÁ EM CONSTRUÇÃO — E ELE É PARTICIPATIVO

Mais do que normas técnicas, o Plano Diretor e o Conselho da Cidade representam um novo olhar sobre o que significa planejar o espaço urbano: um olhar que convida a sociedade a participar, opinar e co-construir a cidade onde quer viver. E você, já pensou em como sua voz pode ajudar a moldar o futuro de São José?


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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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