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Projeto que cria o Dia do Conservadorismo avança em Florianópolis e gera polêmica

Proposta segue para a sanção do prefeito Topazio Neto

Você já ouviu falar em um “Dia do Conservadorismo”? Pois é exatamente essa nova data que está prestes a entrar para o calendário oficial de Florianópolis. Aprovado na Câmara Municipal, o projeto de lei que institui essa celebração vem causando discussões acaloradas tanto dentro quanto fora do plenário. Afinal, homenagear um nome emblemático da direita brasileira como Olavo de Carvalho é uma atitude simbólica — e, para muitos, também controversa.

Mas o que motivou essa decisão? E por que ela está provocando reações tão intensas? A seguir, você entende os bastidores dessa história que está movimentando o cenário político da capital catarinense.


PROJETO DE LEI PROPÕE CELEBRAÇÃO ANUAL DOS VALORES CONSERVADORES

Na sessão legislativa realizada na última terça-feira (20), os vereadores de Florianópolis aprovaram o Projeto de Lei nº 19435/2025, de autoria do vereador João Padilha (PL), que propõe a criação do “Dia do Conservadorismo”. A data escolhida? 29 de abril — o dia do nascimento do polêmico escritor e ideólogo Olavo de Carvalho.

O objetivo, segundo o texto do projeto, é “reconhecer, celebrar e promover os valores, ideias e princípios que o conservadorismo representa”, além de incentivar a reflexão sobre temas considerados fundamentais por essa corrente de pensamento, como a preservação de tradições, o papel da família, a liberdade econômica e a identidade cultural nacional.

Padilha defende que a medida tem uma função educativa e simbólica:

“Olavo foi um dos principais articuladores intelectuais do movimento conservador brasileiro no século 21”, declarou o vereador durante a justificativa do projeto.


UMA HOMENAGEM QUE VAI ALÉM DAS PALAVRAS

A criação da data comemorativa não se limita a uma simples menção no calendário. O projeto prevê a realização de conferências, fóruns e debates públicos voltados para a discussão dos pilares do conservadorismo. Além disso, propõe a organização de eventos culturais que celebrem símbolos nacionais, tradições populares e manifestações ligadas à identidade brasileira.

Para seus apoiadores, a proposta é uma maneira de valorizar uma vertente política que, muitas vezes, se vê excluída dos espaços de representação cultural e acadêmica. A iniciativa pode ser lida como uma tentativa de institucionalizar um campo ideológico historicamente marginalizado na esfera pública.


QUEM FOI OLAVO DE CARVALHO?

Se o nome Olavo de Carvalho ainda causa dúvidas em você, é importante contextualizar: nascido em São Paulo, Olavo foi escritor, jornalista, ensaísta e, segundo ele mesmo, astrólogo. Faleceu em 2022, aos 74 anos. Foi um dos principais nomes a defender a revalorização dos princípios conservadores no Brasil, especialmente nos anos que antecederam a ascensão de Jair Bolsonaro à presidência.

Suas obras e suas aulas — muitas vezes transmitidas online para milhares de seguidores — ajudaram a moldar parte do pensamento político da nova direita brasileira. Sua figura, porém, sempre foi controversa. Para uns, um pensador ousado; para outros, um propagador de desinformação.


VEREADORES DE OPOSIÇÃO REAGEM: “GRANDE BABOSEIRA”

Apesar da aprovação pela maioria dos vereadores, a proposta não passou sem resistência. Cinco parlamentares — todos ligados a partidos de esquerda como PSOL e PT — votaram contra o projeto, argumentando que ele representa um desvio da função pública e uma violação ao princípio da impessoalidade previsto na Constituição.

O vereador Leonel Camasão (PSOL) foi direto:

“Além de ser uma grande baboseira, o projeto fere o princípio constitucional da impessoalidade, uma vez que promove no calendário oficial uma ideologia política”, criticou.

A reação de Camasão ecoa um sentimento compartilhado por parte da sociedade civil e por setores da oposição, que enxergam na proposta uma tentativa de institucionalizar um viés ideológico dentro da máquina pública.


COMO CADA VEREADOR VOTOU?

Contra o projeto:

  • Leonel Camasão (PSOL)

  • Afrânio Boppré (PSOL)

  • Ingrid Sateré Mawé (PSOL)

  • Bruno Ziliotto (PT)

  • Carla Ayres (PT)

A favor:

  • João Padilha (PL)

  • Manu Vieira (PL)

  • Pastor Giliard Torquato (PL)

  • Gemada (PL)

  • Ingo Câmara (PL)

  • Adrianinho (Republicanos)

  • Claudinei Marques (Republicanos)

  • Bezerra (MDB)

  • Diácono Ricardo (PSD)

  • Gui Pereira (PSD)

  • Rafinha (PSD)

  • Ricardo Pastrana (PSD)

  • Renato da Farmácia (PSDB)

Abstenção:

  • Dinho (União Brasil)


QUAL O PRÓXIMO PASSO?

Agora, a proposta segue para a sanção do prefeito Topazio Neto. Caso seja aprovada sem vetos, o Dia do Conservadorismo passará a fazer parte oficialmente do calendário de Florianópolis, com possibilidade de mobilização cultural e política em torno da data anualmente.


O QUE ESTÁ EM JOGO?

Mais do que uma simples efeméride, a criação do Dia do Conservadorismo coloca em pauta uma discussão maior: até que ponto o poder público deve ou pode institucionalizar ideologias políticas? Ao mesmo tempo, levanta questões sobre o pluralismo democrático — seria justo negar voz a uma corrente ideológica sob o argumento de sua discordância com ela?

É nesse cenário que a política local reflete debates nacionais: ideologia, representatividade, tradição, progresso. E você, o que pensa sobre isso? A homenagem a Olavo de Carvalho é um reconhecimento justo ou uma imposição ideológica travestida de celebração?


UMA TENDÊNCIA QUE VEM PARA FICAR?

Se Florianópolis aprovar oficialmente essa data, será um caso inédito no Brasil. Mas será que outras cidades seguirão o mesmo caminho? Em tempos de polarização, é bem possível que sim.

Enquanto isso, a pergunta que fica é: qual será o próximo valor ideológico a ganhar uma data oficial? E, mais importante ainda: estamos prontos para discutir isso de forma madura, plural e democrática?

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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