Santa Catarina enfrenta alta ocupação de UTIs e longas filas na saúde pública
Audiência na Alesc expõe gargalos críticos no sistema de saúde catarinense
Quem precisa de uma consulta com especialista pelo SUS sabe: a espera pode ser longa. E, infelizmente, essa realidade foi confirmada com números e falas diretas durante a audiência pública de prestação de contas da Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizada nesta quarta-feira (28), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O encontro foi promovido pela Comissão de Saúde da Casa e revelou um cenário que pede atenção imediata — tanto da gestão quanto da população.
Conteúdos
- SISTEMA SOB PRESSÃO: O QUE MOSTRAM OS NÚMEROS
- “A FILA NÃO TEM FIM”: O DESABAFO DOS GESTORES
- A ESTRATÉGIA: MAIS PRESTADORES, MENOS ESPERA?
- A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO E O ALERTA SOBRE A GRIPE
- VIOLÊNCIA CONTRA PROFISSIONAIS: UM LIMITE QUE NÃO PODE SER ULTRAPASSADO
- FISCALIZAÇÃO, DIÁLOGO E PRESSÃO: AÇÕES NECESSÁRIAS
- E O CIDADÃO? QUAL O SEU PAPEL NISSO TUDO?
SISTEMA SOB PRESSÃO: O QUE MOSTRAM OS NÚMEROS
Durante a audiência, os dados referentes ao primeiro quadrimestre de 2025 foram apresentados, cumprindo o que determina a Constituição quanto à transparência na gestão de recursos públicos da Saúde. Mas o que era para ser apenas uma apresentação técnica se transformou em um forte chamado à ação.
Com 1.445 leitos de UTI ativos em todo o estado, Santa Catarina conta hoje com pouco mais de 100 leitos disponíveis. Isso mesmo: menos de 10% de margem para absorver novos casos que demandem internação intensiva.
Além disso, desde 2023, o estado contabilizou 883.811 cirurgias realizadas, sendo:
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348.806 eletivas (aquelas que podem ser agendadas),
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303.468 de emergência, e
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204.537 ambulatoriais oftalmológicas.
Ainda assim, a fila por procedimentos continua crescendo — e parece não ter fim.
“A FILA NÃO TEM FIM”: O DESABAFO DOS GESTORES
Não foi preciso muito tempo para que a principal dor da gestão estadual de Saúde viesse à tona: a fila.
“A fila de espera não tem fim”, admitiu sem rodeios Manoela Schilickmann, gerente de planejamento da SES. “Estamos analisando com cuidado a situação de cada especialidade para reforçar esse enfrentamento”, acrescentou, destacando que o desafio é constante e exige soluções estruturantes.
A ESTRATÉGIA: MAIS PRESTADORES, MENOS ESPERA?
Diante desse panorama, a SES afirma estar apostando em um caminho ousado: ampliar a rede de atendimento com prestadores próprios e contratados, sem depender exclusivamente da habilitação federal.
“A estratégia do governo tem sido ampliar a oferta e trazer o maior número possível de prestadores de serviço para o SUS”, explicou Talita Cristine Rosinski, superintendente de Serviços Especializados e Regulação (SUR). “Criamos uma habilitação estadual para não dependermos do Ministério da Saúde e, com isso, aumentamos os serviços da linha de cuidado, principalmente em especialidades como ortopedia e cardiologia”.
Além disso, Talita destacou que o estado paga uma tabela diferenciada, mais atrativa do que a nacional, o que facilita a adesão de novos profissionais e clínicas. Será essa a chave para destravar o sistema?
A IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO E O ALERTA SOBRE A GRIPE
Como se não bastassem os desafios estruturais, um outro fator vem sobrecarregando o sistema: o aumento nos casos de infecções respiratórias, impulsionadas principalmente pela Influenza A. E o problema pode ser evitado, ao menos em parte, com algo simples: vacina.
“Estamos realmente num momento de sobrecarga em nosso sistema de saúde e é preciso reforçar o pedido para que as pessoas busquem a vacinação”, alertou o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, que participou da audiência de forma remota.
De acordo com o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal contra a gripe em Santa Catarina está em apenas 38,37% do público-alvo. Quando olhamos para as crianças, o número é ainda mais preocupante: de 554 mil aptas a receber a dose, somente 163 mil foram vacinadas até o momento.
VIOLÊNCIA CONTRA PROFISSIONAIS: UM LIMITE QUE NÃO PODE SER ULTRAPASSADO
Entre números e estratégias, a audiência terminou com um momento de indignação e empatia. O presidente da Comissão de Saúde, deputado Neodi Saretta (PT), encerrou a reunião lamentando o episódio de agressão contra dois técnicos de enfermagem no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville.
“Vou quebrar o protocolo para lamentar esse fato, que não pode de maneira nenhuma ocorrer contra um profissional de saúde em pleno exercício de seu trabalho”, declarou o parlamentar.
FISCALIZAÇÃO, DIÁLOGO E PRESSÃO: AÇÕES NECESSÁRIAS
Com um sistema pressionado e uma fila que parece interminável, a Comissão de Saúde da Alesc reforçou seu papel de fiscalização e diálogo permanente com a gestão estadual.
“A apresentação do relatório tem como finalidade possibilitar a troca de informações sobre os desafios, ao mesmo tempo em que mantemos a força de fiscalização da Assembleia”, reforçou Saretta. “Existe a preocupação contínua com as filas para consultas especializadas e procedimentos. A revisão de tabelas do SUS é fundamental para fazer essa fila andar”.
E O CIDADÃO? QUAL O SEU PAPEL NISSO TUDO?
Talvez você esteja se perguntando: e eu, como cidadão, o que posso fazer?
A resposta está em duas frentes: cobrar e colaborar. Cobrar das autoridades mais investimento, planejamento e transparência. E colaborar com atitudes simples, como manter a caderneta de vacinação em dia, respeitar os profissionais de saúde e se informar para entender melhor como funciona a engrenagem do sistema público.
Porque, no fim das contas, a saúde pública é de todos — e para todos.
Fonte: Agência AL
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