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Setor criativo cresce mais que o mercado de trabalho geral e emprega 1,26 milhão de brasileiros

Você já parou para pensar em quantas pessoas vivem hoje de ideias criativas? No Brasil, esse número já ultrapassa 1,26 milhão de trabalhadores, atuando em áreas como design, moda, publicidade, audiovisual, pesquisa, tecnologia e até produção cultural. Mais do que um movimento artístico ou cultural, a indústria criativa tem se mostrado uma força econômica concreta — e em expansão acelerada.

De acordo com dados divulgados pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o setor movimentou R$ 393,3 bilhões em 2023. Isso representa 3,59% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, uma alta considerável em relação ao ano anterior, quando o setor respondeu por 3,21% da economia nacional.

“Isso é muito interessante porque não são trabalhadores somente em empresas criativas, mas são trabalhadores criativos em diversas outras empresas, mostrando como esse trabalhador criativo pode trazer valor para outras indústrias do Brasil”, afirma a coordenadora da pesquisa, Júlia Zardo.

A HISTÓRIA DE CESAR BRAVO: UM CASO ENTRE MILHARES

Esse crescimento não é apenas estatístico. Ele é real e pode ser contado por histórias como a de Cesar Bravo, escritor e editor de 47 anos. Depois de anos atuando como farmacêutico bioquímico, ele decidiu mudar completamente de vida.

“Sou muito grato e feliz por conseguir viver do que eu gosto. Não sou um cara do mercado tradicional, não adianta. Eu servi ao mercado tradicional por muito tempo, mas nunca foi onde eu me senti feliz”, conta Bravo.

Em 2011, ele começou a publicar seus livros de forma independente. Cinco anos depois, deixou a indústria farmacêutica para se dedicar integralmente à escrita. Hoje, com seis obras publicadas e trabalhando para uma grande editora, ele vive da criatividade — e compartilha esse universo com sua filha de 8 anos, sua leitora mais entusiasmada.

“Minha filha está sempre comigo. Só de ter uma filha que admira o trabalho do pai, da maneira com que a minha filha admira, já pagaria todas as contas”, relata.

O QUE É A INDÚSTRIA CRIATIVA?

Pode parecer um conceito novo, mas a indústria criativa já está bem definida e é dividida em quatro grandes eixos:

  1. Consumo – Inclui publicidade, marketing, arquitetura, design e moda.

  2. Tecnologia – Abrange pesquisa e desenvolvimento, biotecnologia e TIC (tecnologia da informação e comunicação).

  3. Mídia – Compreende os segmentos editorial e audiovisual.

  4. Cultura – Envolve expressões culturais, patrimônio, música, artes cênicas e visuais.

É justamente essa diversidade de áreas que torna o setor tão robusto e promissor. A criatividade não é mais tratada apenas como inspiração, mas como ativo econômico.

EMPREGOS QUE CRESCEM ALÉM DA MÉDIA

Enquanto o mercado de trabalho em geral registrou crescimento de 3,6% em 2023, a indústria criativa avançou 6,1%. Foram 1,19 milhão de trabalhadores em 2022, saltando para 1,26 milhão no ano seguinte.

Entre os cargos com maior crescimento estão:

  • Analista de e-commerce – alta de 224,9%

  • Profissional de mídias digitais – 74,3%

  • Produtor cultural – 39,3%

  • Apresentador de eventos – 36,6%

Os setores com maior número de profissionais são publicidade e marketing (348 mil), pesquisa e desenvolvimento (212 mil), tecnologia da informação (209 mil), arquitetura (116 mil) e design (105 mil).

E você? Já se imaginou atuando em alguma dessas áreas?

PARTICIPAÇÃO NOS ESTADOS: UM BRASIL DE CONTRASTES

Apesar da média nacional de 3,59% no PIB, alguns estados ultrapassam esse índice, revelando polos mais consolidados da economia criativa. São eles:

  • São Paulo – 5,3% do PIB estadual

  • Rio de Janeiro – 5,2%

  • Distrito Federal – 4,9%

  • Santa Catarina – 4,2%

Por outro lado, algumas regiões ainda enfrentam desafios para desenvolver esse setor. Em cinco estados, a indústria criativa representa menos de 1% da economia local:

  • Maranhão – 0,6%

  • Tocantins – 0,7%

  • Rondônia, Acre e Alagoas – 0,9% cada

Esses dados revelam a desigualdade regional e apontam para a necessidade de políticas públicas mais assertivas para descentralizar o fomento à criatividade.

E O FUTURO? CRESCIMENTO AINDA À VISTA

Segundo a coordenadora da Firjan, Júlia Zardo, a tendência é de que a indústria criativa continue crescendo nos próximos anos, especialmente com o impulso das políticas públicas lançadas após a pandemia.

“Esses dados são até 2023. Isso quer dizer que a gente ainda espera um aumento relevante depois do impacto nos municípios dessa descentralização de recurso público, por exemplo, com a Lei Paulo Gustavo”, afirma Zardo.

Essa legislação, voltada para apoiar o setor cultural, é uma entre várias iniciativas que visam ampliar o acesso a recursos públicos e estimular projetos locais criativos em todo o território nacional.

CRIATIVIDADE COMO PILAR ECONÔMICO

Se antes criatividade era sinônimo apenas de talento ou expressão artística, hoje ela é reconhecida como fator estratégico de desenvolvimento econômico. O Brasil já colhe os frutos disso — e ainda tem muito espaço para crescer.

Em tempos de automação e inteligência artificial, o que mais vale é aquilo que nenhum algoritmo consegue reproduzir com autenticidade: a sensibilidade humana. E talvez seja exatamente aí que a indústria criativa encontra sua força.


Para acessar o levantamento completo da Firjan, acesse:
https://www.firjan.com.br

Fonte: Agência Brasil

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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