Relatos históricos apontam que Israel tem armas atômicas desde os anos 60
Você sabia que o único país do Oriente Médio que não assina o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP) é justamente aquele que mais critica os avanços nucleares do Irã?
Por trás de uma política de silêncio e ambiguidade estratégica, Israel mantém, segundo diversas fontes, um dos arsenais atômicos mais sigilosos do mundo — estimado em até 90 ogivas nucleares. E, ainda assim, escapa do escrutínio da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à ONU.
Conteúdos
UM PROGRAMA QUE COMEÇOU NO SÉCULO PASSADO
A origem do programa nuclear israelense remonta à década de 1950. O historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, em seu livro A Segunda Guerra Fria, afirma que a construção da usina nuclear na cidade de Dimona, ao sul de Jerusalém, começou “bem antes de 1958”. O projeto teria sido executado sob o nome Soreq Nuclear Research Center, operado pela Israel Atomic Energy Commission (IAEC).
Na prática, a usina permaneceu fora dos radares internacionais durante anos. Segundo relatos históricos, a **CIA só teria identificado o local da produção nuclear três anos após seu início — “se é que antes não o sabia”, como pontua o historiador Manoel Bandeira.
AJUDA INTERNACIONAL E O SILÊNCIO OFICIAL
Embora os primeiros reatores tenham sido fornecidos pelos EUA no âmbito do programa “Átomos para a Paz”, Israel avançou significativamente em sua capacidade bélica graças à assistência francesa. Moniz Bandeira destaca que o país recebeu material atômico e cientistas da Comissão de Energia Atômica da França para dar corpo ao seu programa secreto.
E mesmo diante de fortes evidências, Israel nunca confirmou nem negou a existência de armas nucleares — uma postura estratégica que o mantém fora da responsabilização direta por parte de organismos internacionais.
A ESCOLHA PELO SILÊNCIO: UM CASO DE EXCEÇÃO?
Para o cientista político Robson Valdez, do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o cenário evidencia um desequilíbrio no sistema internacional:
“Israel tem um programa nuclear que manipula, instrumentaliza e desenvolve à revelia da AIEA. Para os inimigos, todo o rigor da lei internacional; para parceiros como Israel, notório violador do direito internacional, há uma retórica contemporizadora para suas ações ilegais”.
Essa crítica ecoa também no relato do cientista político Ali Ramos, especialista em mundo islâmico:
“Os EUA fizeram vista grossa. A CIA e o FBI, historicamente influenciados pelo lobby israelense, não teriam sequer informado o presidente Kennedy sobre a verdadeira dimensão do programa nuclear”.
VAZAMENTOS, CONFISSÕES E ESTIMATIVAS
Um dos principais marcos na revelação do arsenal israelense veio em 1986, quando o ex-técnico nuclear Mordechai Vanunu forneceu documentos e imagens ao Sunday Times, detalhando o programa secreto. Por isso, foi condenado por traição e passou 18 anos preso — 11 deles em confinamento solitário.
Vanunu não se arrepende:
“O que eu fiz foi informar o mundo sobre o que está acontecendo em segredo. […] Era sobre salvar Israel de um novo holocausto”.
A Federação de Cientistas Americanos e a Associação de Controle de Armamentos, ambas dos EUA, estimam que Israel possa ter até 90 bombas atômicas. Já o ex-presidente Jimmy Carter, em 2008, falou em 150 ogivas. Outras fontes chegam a especular 300 armas nucleares.
SOB OS OLHOS DA ONU, SEM INSPEÇÃO
Em 1981, após Israel bombardear o reator nuclear Osirak, no Iraque, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 487, que exigia que o país colocasse suas instalações sob inspeção da AIEA — o que nunca ocorreu.
Mais tarde, em 2009, a AIEA voltou a pedir que Israel assinasse o TNP. A resposta do governo foi categórica:
“É direito soberano de qualquer Estado decidir se acede a qualquer tratado.”
Ali Ramos observa que:
“O programa nuclear israelense é o único do mundo que não passa por qualquer tipo de fiscalização internacional. Nem EUA, nem França ou Reino Unido possuem tamanha blindagem”.
UM PODER DE DISSUASÃO COM FINS MILITARES
Além do sigilo, Israel já usou seu poder nuclear como ferramenta de dissuasão. Durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973, quando Síria e Egito tentaram recuperar territórios ocupados, o general Moshe Dayan colocou 13 bombas atômicas em prontidão, instaladas em bombardeiros B-52.
Moniz Bandeira sugere que o objetivo não era usá-las, mas forçar os EUA a intervir e conter os avanços soviéticos na região.
A REALIDADE QUE CONTRASTA COM O DISCURSO
A contradição é evidente: enquanto Israel pressiona a comunidade internacional contra o Irã e sua busca por tecnologia nuclear, mantém seu próprio programa fora de qualquer controle, apoiado por uma rede diplomática de silêncio e conveniência.
Procurada pela reportagem, a Embaixada de Israel no Brasil preferiu não comentar.
Fonte: Agência Brasil
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