Projeto propõe levar cannabis medicinal ao SUS de São José e emociona com histórias reais
Famílias, médicos e especialistas compartilham experiências que mostram como o óleo da maconha tem transformado vidas.
Na noite da última terça-feira, a Câmara Municipal de São José abriu suas portas para um tema que, embora polêmico para alguns, tem transformado vidas em todo o país: a cannabis medicinal. O encontro, de iniciativa do vereador André Guesser, reuniu especialistas, autoridades em saúde, mães de pacientes e representantes de associações para um debate amplo, empático e profundamente humano sobre os benefícios do óleo extraído da planta da maconha, que hoje é utilizado em tratamentos de saúde com resultados surpreendentes.
Conteúdos
- CANNABIS MEDICINAL: A QUEBRA DE UM PARADIGMA
- RELATOS REAIS QUE EMOCIONARAM O PÚBLICO
- PROJETO DE LEI QUER LEVAR A CANNABIS AO SUS MUNICIPAL
- ASSOCIAÇÕES CATARINENSES PRODUZEM CANNABIS DE ALTA QUALIDADE
- PRESENÇAS DE PESO QUALIFICARAM O DEBATE
- E AGORA, QUAL O PRÓXIMO PASSO?
- A CANNABIS É UM RISCO OU UMA REVOLUÇÃO?
- CONECTE-SE COM O CONECTA SÃO JOSÉ
CANNABIS MEDICINAL: A QUEBRA DE UM PARADIGMA
O debate girou em torno da necessidade urgente de quebrar preconceitos e abrir espaço para o conhecimento científico. “Precisamos, de uma vez por todas, quebrar o paradigma e o preconceito que alguns ainda têm sobre o uso medicinal dessa planta que transforma vidas e só não interessa à indústria farmacêutica”, afirmou o vereador Guesser.
De fato, o uso medicinal da cannabis tem deixado de ser tabu para se tornar esperança. Casos reais e emocionantes mostraram que o tratamento, embora ainda inacessível para muitos, tem proporcionado melhoras significativas na qualidade de vida de pacientes com autismo, epilepsia, dores crônicas e outras condições de saúde complexas.
RELATOS REAIS QUE EMOCIONARAM O PÚBLICO
A força do evento esteve justamente nos depoimentos de quem vive, na prática, o poder transformador da cannabis medicinal.
A mãe Daiana Barcelos compartilhou a história de sua filha Nicole, que tem deficiência e, antes do tratamento, sequer conseguia caminhar sozinha. “Mostrei um vídeo da Nicole antes e depois do uso do óleo. Hoje, ela caminha. Isso não tem preço”, afirmou.
Já Thayne Pauli, mãe de uma criança autista de nível 3, relatou que, após o início do tratamento com o óleo da cannabis, sua filha apresentou melhoras significativas de comportamento e comunicação.
E talvez um dos depoimentos mais tocantes tenha vindo de Juliana Pereira, Agente Comunitária de Saúde e autista. “Antes da cannabis, eu sobrevivia. Hoje, vivo com qualidade de vida”, revelou. Ela contou que, após a Covid-19, desenvolveu uma hipersensibilidade sensorial tão intensa que cogitou abandonar completamente a vida social. “Os médicos pensaram até em me aposentar, mas o tratamento com o óleo da maconha me devolveu a vida”, relatou com emoção.
PROJETO DE LEI QUER LEVAR A CANNABIS AO SUS MUNICIPAL
O debate também serviu de espaço para apresentar e discutir o Projeto de Lei 139/2024, de autoria do vereador Guesser, que propõe a inclusão da cannabis medicinal no sistema público de saúde (SUS) de São José.
A proposta segue o caminho já trilhado por outros municípios brasileiros — e inclusive pelo próprio Estado de Santa Catarina, que recentemente aprovou lei semelhante. “Trazer a cannabis medicinal para o SUS é promover justiça social, dar a oportunidade de que mais pessoas consigam o acesso a esse medicamento que transforma vidas”, reforçou o parlamentar.
ASSOCIAÇÕES CATARINENSES PRODUZEM CANNABIS DE ALTA QUALIDADE
Outro destaque do encontro foi a presença de representantes de associações catarinenses que cultivam e produzem cannabis medicinal, como a Santa Cannabis, presidida por Pedro Sabaciauskis. Segundo os especialistas presentes, os produtos desenvolvidos localmente não só possuem qualidade superior aos importados, como também são muito mais acessíveis em termos de custo.
“Apoiar as associações e baixar o custo de quem precisa do tratamento é o caminho”, defendeu o vereador Guesser, destacando que o incentivo à produção local pode ser estratégico tanto do ponto de vista da economia quanto da saúde pública.
PRESENÇAS DE PESO QUALIFICARAM O DEBATE
A reunião contou com a participação de diversos profissionais de saúde e representantes do poder público, o que garantiu um debate técnico, mas também empático. Estiveram presentes:
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Vereador Sanderson de Jesus
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Fabricia Martins, secretária-adjunta de Saúde de São José
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Dra. Dalla Coleta
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Dra. Ana Carolina Ruver Martins
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Dra. Bárbara Regina Monteiro
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Dra. Raquel Schramm
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Dr. Jorge Lautert
A pluralidade de vozes trouxe ao encontro uma profundidade rara no debate político, deixando claro que o tema é urgente, necessário e humano.
E AGORA, QUAL O PRÓXIMO PASSO?
O Projeto de Lei 139 segue em tramitação na Câmara Municipal de São José. A expectativa é que o debate continue se expandindo, tanto nas instituições quanto entre a população, que pouco a pouco vai se abrindo para um tema que, embora sensível, carrega imensas possibilidades de cuidado e dignidade para quem mais precisa.
Se aprovado, o projeto poderá colocar São José entre as cidades mais avançadas do país em políticas públicas voltadas à medicina canabinoide — um gesto de coragem política e sensibilidade social.
A CANNABIS É UM RISCO OU UMA REVOLUÇÃO?
O que antes era visto com medo e preconceito, hoje desponta como uma das mais promissoras fronteiras da medicina contemporânea. A questão que fica é: vamos continuar negando essa possibilidade a milhares de famílias que precisam, ou vamos abrir caminhos para a transformação social por meio do conhecimento e da empatia?
A resposta está em construção — e passa pelo voto consciente, pela informação de qualidade e pela coragem de rever velhos paradigmas.
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