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Santa Catarina mantém crescimento industrial e mostra equilíbrio entre diferentes cadeias produtivas

A variedade de segmentos impulsiona o estado frente a um cenário de juros altos e demanda instável.

Em meio a um cenário econômico desafiador, a indústria catarinense segue demonstrando resiliência e capacidade de adaptação. Dados divulgados pelo IBGE mostram que, no acumulado de janeiro a maio de 2025, a produção industrial de Santa Catarina cresceu 4,8%. Com esse resultado, o estado conquista a terceira melhor performance industrial entre os 15 locais analisados, reforçando sua posição de destaque no setor produtivo nacional.

Mas o que está por trás desse avanço? Quais setores impulsionaram o crescimento? E como o estado está lidando com os freios impostos por uma política monetária ainda restritiva?

METAIS, MÓVEIS E MÁQUINAS LIDERAM O AVANÇO INDUSTRIAL

Segundo análise do Observatório FIESC, os principais motores desse crescimento foram:

  • Fabricação de produtos de metal: crescimento expressivo de 19,3%

  • Fabricação de móveis: alta de 10,3%

  • Máquinas e equipamentos: elevação de 8,8%

Esses segmentos não apenas sustentaram o desempenho positivo do estado, como também refletem a diversidade e a força das cadeias produtivas catarinenses. De acordo com o economista Marcelo de Albuquerque, do Observatório FIESC, o momento exige atenção:

“A alta taxa de juros, aliada à pressão inflacionária e ao cenário externo instável — com compradores internacionais em compasso de espera em alguns segmentos — têm influenciado a produção industrial”, avalia.

MESMO COM PRESSÕES, EXPORTAÇÕES AINDA FAVORECEM ALGUNS SETORES

Apesar dos sinais de desaceleração em alguns segmentos, a diversidade da indústria de Santa Catarina tem sido um ponto a favor.

“Enquanto algumas cadeias produtivas como a de bens de capital já mostram sinais de desaceleração como resultado do ciclo de elevação da Taxa Selic, outras ainda se beneficiam de exportações em alta”, explica Albuquerque.

O setor de madeira e móveis, por exemplo, teve um incremento de 2,5% nas vendas ao exterior no primeiro semestre de 2025, comparado ao mesmo período de 2024. Esse desempenho exportador ajuda a equilibrar o impacto das condições internas mais restritivas.

MAIO REGISTRA LEVE RECUO, MAS ESTADO TEM DESEMPENHO MELHOR QUE A MÉDIA NACIONAL

No recorte mensal, a produção industrial de Santa Catarina recuou 0,2% em maio na comparação com abril. Ainda assim, o resultado foi mais brando que o desempenho nacional, que teve queda de 0,5% no mesmo período. Entre os 15 locais pesquisados pelo IBGE, nove apresentaram retração, indicando uma desaceleração disseminada, mas com intensidade variável.

Essa leve queda, no entanto, não anula o bom desempenho acumulado do ano e reforça a capacidade de resistência da indústria catarinense diante das oscilações econômicas.

PERSPECTIVAS: DIVERSIDADE COMO ESTRATÉGIA

Diante das incertezas no cenário macroeconômico, a diversificação industrial segue como uma das principais fortalezas de Santa Catarina. A atuação em diferentes cadeias produtivas permite maior equilíbrio entre segmentos que enfrentam dificuldades internas e aqueles que se beneficiam de oportunidades externas — especialmente nas exportações.

Enquanto os desafios permanecem — como o alto custo do crédito, o ambiente de juros elevados e as pressões inflacionárias —, o setor industrial catarinense continua respondendo com inovação, produtividade e capacidade de adaptação.


Fonte: Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina – FIESC

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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