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Alexandre de Moraes vê confissão flagrante de crime em fala de Bolsonaro

Uma nova decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu origem às recentes medidas cautelares contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Divulgada nesta sexta-feira (18), a decisão afirma que Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, fizeram o que o ministro classificou como uma “confissão flagrante” de práticas criminosas com o objetivo de obstruir a Justiça brasileira e coagir o Judiciário.

Mas o que exatamente motivou a reação do Supremo? Segundo Moraes, a declaração de Jair Bolsonaro em entrevista coletiva, condicionando a retirada das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional, ultrapassa os limites da liberdade de expressão e avança no terreno da obstrução judicial.

INVESTIGAÇÕES ENVOLVEM OBSTRUÇÃO, COAÇÃO E AMEAÇA À SOBERANIA

O ministro apontou que tanto Bolsonaro quanto Eduardo Bolsonaro são investigados por diversos crimes graves, incluindo:

  • Coação no curso do processo (Art. 344 do Código Penal);

  • Obstrução de investigação criminal contra organização criminosa (Art. 2º, § 1º, da Lei 12.850/13);

  • Abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L do Código Penal);

  • Atentado à soberania nacional (Art. 359-I do Código Penal).

O entendimento da Corte é que, ao articular com um governo estrangeiro ações que afetem diretamente o Brasil, como a taxação de 50% sobre produtos brasileiros anunciada por Donald Trump, os investigados colocam a soberania nacional em risco.

“As ações de Jair Messias Bolsonaro demonstram que o réu está atuando dolosa e conscientemente de forma ilícita, conjuntamente com o seu filho, Eduardo Nantes Bolsonaro, com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado estrangeiro”, escreveu Moraes.

MEDIDAS CAUTELARES TÊM APOIO DA PF E DA PGR

Com base nessas ações e nas evidências apresentadas, o STF determinou uma série de medidas cautelares contra o ex-presidente, entre elas:

  • Recolhimento domiciliar das 19h às 6h nos dias úteis e em tempo integral nos fins de semana e feriados;

  • Monitoramento com tornozeleira eletrônica;

  • Proibição de contato com embaixadores, autoridades estrangeiras e com outros investigados;

  • Impedimento de se aproximar de embaixadas e consulados.

Essas medidas foram solicitadas pela Polícia Federal e contaram com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo os órgãos, existe risco real de fuga por parte do ex-presidente — o que justificaria o uso da tornozeleira.

PUBLICAÇÕES E ENTREVISTAS EMBASARAM DECISÃO

A decisão judicial não se baseia apenas em investigações sigilosas. Moraes ressaltou que as condutas atribuídas a Jair e Eduardo Bolsonaro aconteceram “à luz do dia”, em postagens nas redes sociais, em entrevistas a veículos como a CNN e em coletivas de imprensa.

A decisão traz, inclusive, prints das postagens de Eduardo Bolsonaro no X (antigo Twitter), em que ele reforça as críticas ao STF e apoia a taxação anunciada pelo governo norte-americano.

“A ousadia criminosa parece não ter limites”, pontuou o ministro, ao justificar a urgência das medidas impostas pelo Supremo.

SOBERANIA NACIONAL NÃO SE NEGOCIA, DIZ MORAES

Para Alexandre de Moraes, as falas e movimentações do ex-presidente e de seu filho têm um claro objetivo: pressionar politicamente o STF, criar instabilidade econômica e minar a confiança pública nas instituições brasileiras.

“A implementação do aumento de tarifas tem como finalidade a criação de uma grave crise econômica no Brasil, para gerar uma pressão política e social no Poder Judiciário e impactar as relações diplomáticas entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou o ministro.

O magistrado ainda reiterou que a soberania brasileira é inegociável e deve ser protegida com rigor. Ao final da decisão, ele cita o escritor Machado de Assis para reforçar o ponto:

“A soberania nacional é a coisa mais bela do mundo, com a condição de ser soberania e de ser nacional.”

NOVO INQUÉRITO FOI ABERTO PARA APURAR CRIMES CONTRA A SOBERANIA

A decisão do STF não se limita a medidas restritivas. Um novo inquérito foi aberto a pedido da PGR para investigar as possíveis violações contra a soberania nacional cometidas por Jair e Eduardo Bolsonaro. A ação corre em paralelo à Ação Penal 2.668, na qual o ex-presidente e outros oito nomes — entre civis e militares — são acusados de liderar uma tentativa de golpe de Estado com o objetivo de mantê-lo no poder, mesmo após sua derrota nas eleições.

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Fonte: Agência Brasil

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