Neste domingo, 20 de julho de 2025, o Brasil se despediu de uma de suas artistas mais emblemáticas: Preta Gil. A cantora, empresária e símbolo de resistência morreu aos 50 anos, nos Estados Unidos, onde estava em tratamento contra um câncer no intestino. Desde maio, ela vinha enfrentando a doença com coragem, submetendo-se a terapias experimentais em Nova Iorque.
A notícia foi confirmada pela família em nota publicada nas redes sociais do pai da artista, o cantor Gilberto Gil. Em palavras carregadas de dor e afeto, o comunicado declarou:
“É com tristeza que informamos o falecimento de Preta Maria Gadelha Gil Moreira, em Nova Iorque, onde estamos neste momento cuidando dos procedimentos para sua repatriação ao Brasil. Pedimos a compreensão de tantos queridos amigos, fãs e profissionais da imprensa enquanto atravessamos esse momento difícil em família. Assim que possível, divulgaremos informações sobre as despedidas.”
Preta Gil faria 51 anos em 8 de agosto. Ela deixa o filho, Francisco Gil, e a neta, Sol de Maria.
Conteúdos
UM DIAGNÓSTICO QUE MUDOU TUDO
Em janeiro de 2023, Preta compartilhou com o público o diagnóstico de adenocarcinoma no final do intestino. À época, chegou a ficar internada por quase uma semana na Clínica São Vicente, no Rio de Janeiro.
“Tenho um adenocarcinoma na porção final do intestino”, revelou, com a transparência que sempre marcou sua trajetória.
O diagnóstico forçou o cancelamento de compromissos, como o tradicional Bloco da Preta, um dos maiores do carnaval carioca. Mas mesmo entre cirurgias, tratamentos e recaídas, ela não deixou de lutar — e nem de inspirar.
UMA ARTISTA DE TODAS AS CORES
Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu em 8 de agosto de 1974, filha de Gilberto Gil e Sandra Gadelha. Em 2003, lançou seu primeiro álbum, Prêt-à-Porter, cuja capa — onde aparecia nua, coberta apenas por fitas do Senhor do Bonfim — causou alvoroço na mídia. Mas sua arte sempre falou mais alto.
Ao longo de mais de duas décadas de carreira, Preta lançou quatro álbuns de estúdio — o último, Todas as Cores, em 2017 — além de CDs e DVDs ao vivo. Seus shows, sempre cheios de presença e entrega, atraíram milhares por todo o país. Seu bloco carnavalesco chegou a reunir meio milhão de pessoas nas ruas do Rio.
Além dos palcos, foi também uma das mentes criativas por trás da Mynd, uma das maiores agências de marketing digital do Brasil. Preta foi empresária, produtora e empreendedora — e nunca se esquivou de temas urgentes, como racismo, gordofobia, machismo e intolerância religiosa.
REAÇÕES E HOMENAGENS: “UMA LIÇÃO DE FORÇA”
A comoção tomou conta das redes sociais assim que a notícia da morte foi divulgada. De celebridades a autoridades públicas, todos quiseram prestar tributo a uma mulher que marcou sua geração.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou:
“Preta era uma pessoa extremamente querida e admirada pelo público e pelas pessoas que tiveram a felicidade de conviver com ela. Os palcos e os carnavais que ela tanto animou sentirão sua falta.”
O chefe de Estado também telefonou pessoalmente para Gilberto Gil, ex-ministro da Cultura de seu governo entre 2003 e 2008, oferecendo palavras de apoio.
Margareth Menezes, atual ministra da Cultura, destacou:
“Conheci Preta ainda adolescente. Ela se transformou em uma das artistas mais autênticas do nosso país. Seu jeito livre de viver, suas dores e alegrias compartilhadas com tanta verdade, deixarão muitas saudades.”
Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, lembrou a luta da artista por justiça:
“Preta Gil foi e sempre será potência. Enfrentou racismo, machismo, gordofobia e a doença com ternura e voz ativa.”
AMIZADES QUE TRANSBORDARAM AMOR
Íntima de diversas figuras públicas, Preta Gil era conhecida pela sua capacidade rara de criar laços profundos — e manter essas conexões por toda a vida.
A apresentadora e chef Bela Gil, sua irmã por parte de pai, postou:
“Minha maior grande perda. Minha eterna inspiração e alegria.”
A atriz Carolina Dieckmann, que esteve com a amiga nos últimos dias de vida, escreveu:
“Te fazer carinho – incessantemente – esses últimos 4 dias, estar tão perto, com você… foi o maior presente do mundo. Vou viver com você aqui dentro.”
Luciano Huck relembrou a intensidade da amizade:
“A Preta foi a Preta até o fim. Forte, generosa, luminosa. Lutava com bravura, enfrentando a dor com coragem e sorrisos. E partiu no Dia do Amigo. Não por acaso.”
Já a veterana atriz Zezé Motta emocionou ao refletir sobre a despedida:
“Ver essa pessoa enfrentar a vida com coragem, lutar até o fim contra um câncer com dignidade e bravura, nos deixa uma grande lição. É uma dor que não dá para medir. Descanse em paz, Preta. Eu te amo. E tenho certeza de que o Brasil também.”
DESPEDIDA AINDA SEM DATA
O corpo de Preta Gil será trazido ao Brasil, mas ainda não há informações oficiais sobre o velório. A família não confirmou se a cerimônia será aberta ao público.
Natural do Rio de Janeiro, Preta era muito querida na cidade. Em respeito à sua memória, a Prefeitura e o Governo do Estado decretaram luto oficial de três dias.
UM LEGADO QUE TRANSCENDE A MÚSICA
Mais do que uma cantora, Preta Gil foi símbolo de liberdade. Uma mulher que, mesmo diante da dor, escolheu seguir com coragem, espalhando alegria, amor e autenticidade.
Ela abriu portas, rompeu padrões, enfrentou o preconceito de frente — e fez tudo isso sem perder a doçura. Conseguiu, com sua arte e seu jeito de ser, tocar corações, provocar debates e inspirar mudanças.
E agora, nos cabe a pergunta: o que fica quando uma artista assim parte? Talvez a resposta esteja na força de sua voz, que seguirá ecoando nos blocos, nos palcos e nos corações de quem aprendeu com ela que viver é também um ato de coragem.
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