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Pesquisa da UFSC usa movimentos oculares para aprimorar a leitura crítica de textos on-line

O estudo mostra como modelar o olhar pode ajudar a identificar fontes confiáveis na internet.

Você já parou para pensar por que a leitura na tela parece mais cansativa e menos eficiente que no papel? Essa questão vai muito além do desconforto visual e é exatamente o ponto central da pesquisa da pós-doutoranda Juliana do Amaral, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Em um estudo inovador publicado no Journal of Computer Assisted Learning, ela revela como entender e modelar os movimentos oculares pode transformar a forma como navegamos e interpretamos conteúdos na internet, promovendo uma leitura crítica e consciente.

DESAFIOS DA LEITURA DIGITAL: POR QUE LER NA TELA É DIFERENTE?

Não é novidade para a ciência: a leitura em dispositivos digitais, como computadores e smartphones, compromete a compreensão em comparação com a leitura em papel. Uma metanálise intitulada Don’t Throw Away Your Printed Books mostra que, mesmo com o hábito constante, não há melhora significativa na capacidade de leitura em telas ao longo do tempo. Mas por que isso acontece? A explicação está na complexidade dos textos e na forma como nosso cérebro processa as informações em ambientes digitais — especialmente quando lidamos com textos informativos e expositivos, comuns nas páginas da web.

DESINFORMAÇÃO E A IMPORTÂNCIA DA LEITURA CRÍTICA

No cenário atual, marcado pela proliferação de notícias falsas e informações imprecisas, a leitura crítica torna-se uma habilidade indispensável. Juliana destaca que “desenvolver a competência de avaliação de fontes é fundamental. No ambiente digital, onde qualquer pessoa pode publicar, é crucial identificar a autoria, suas credenciais e a fonte do conteúdo”. Seu estudo focou em como os leitores avaliam a confiabilidade das informações durante a navegação online, usando temas controversos como a teoria dos estilos de aprendizagem — um conceito amplamente desacreditado, mas ainda difundido.

RASTREAMENTO OCULAR: UMA NOVA FERRAMENTA PARA ENSINAR A LER MELHOR

O grande diferencial da pesquisa foi o uso do rastreamento ocular não apenas para analisar, mas para ensinar. Juliana e sua equipe gravaram vídeos que mostram o olhar focado nos elementos-chave da página — autoria, banners e indicadores de credibilidade — e apresentaram esses modelos de comportamento aos participantes antes de suas tarefas de navegação. O resultado? Uma mudança significativa na forma como eles buscaram informações, ignorando fontes pouco confiáveis e atualizando suas próprias crenças.

O IMPACTO NA EDUCAÇÃO E NA VIDA DIGITAL

O método, simples e replicável, pode ser facilmente aplicado em cursos on-line, ajudando a formar leitores críticos e atentos. Para Juliana, “essa intervenção tem efeitos estendidos na mudança de concepções errôneas, demonstrando que é possível educar para a leitura crítica no meio digital.” Isso é um convite para refletirmos: será que estamos preparados para consumir conteúdo com o olhar atento que ele merece?

LEITURA DIGITAL NA INFÂNCIA: UM ALERTA PARA PAIS E EDUCADORES

Os desafios são ainda maiores para as crianças. Estudos nos Estados Unidos indicam que o uso intenso de telas nas aulas pode estar associado a piores resultados em compreensão leitora. Por isso, a recomendação é clara: priorizar a leitura compartilhada entre pais e filhos e minimizar o uso de dispositivos eletrônicos na primeira infância. O Brasil já caminha nessa direção com a recente implementação da Lei 15.100/2025.

PRÓXIMOS PASSOS: A PESQUISA SE EXPANDE PARA OS ESTUDANTES DA UFSC

Com o estudo inicial realizado durante o doutorado sanduíche na Universidade de Valência, na Espanha, envolvendo 63 participantes, Juliana agora pretende aplicar o método a estudantes iniciantes da graduação na UFSC. “Queremos entender se a intervenção terá resultados semelhantes em jovens que estão se adaptando à linguagem acadêmica e aprendendo a estudar de forma autônoma, além de identificar fontes confiáveis”, explica a pesquisadora.


Quer aprofundar seu olhar sobre a leitura digital? A pesquisa da UFSC mostra que a tecnologia pode ser aliada, desde que saibamos usá-la com inteligência e criticidade.

Fonte: UFSC

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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