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Número de autocracias supera o de democracias no mundo, aponta relatório internacional

Três em cada quatro pessoas vivem sob regimes autoritários; cenário é o pior desde 1978

O mundo entrou em 2025 com um alerta claro e incômodo: as autocracias superaram as democracias pela primeira vez em anos recentes, segundo o novo Relatório da Democracia 2025, elaborado pelo Instituto V-Dem (Varieties of Democracy), ligado à Universidade de Gotemburgo, na Suécia.

Segundo o levantamento, 91 países vivem sob regimes autocráticos, contra 88 democracias – uma inversão em relação a 2023, que acende sinais vermelhos para instituições, sociedade civil e imprensa em todo o planeta.

Mas o dado mais alarmante vem do impacto populacional: 72% da população mundial – cerca de 5,8 bilhões de pessoas – vivem hoje em regimes autoritários. É o maior percentual desde 1978.

ENTENDA: O QUE É UMA AUTOCRACIA?

De acordo com a metodologia do estudo, são consideradas autocracias as nações onde o poder se concentra em uma figura ou grupo político sem controle democrático efetivo. As características incluem:

Já as democracias, mesmo em níveis variados, garantem:

  • Eleições livres e competitivas;

  • Sufrágio universal;

  • Liberdade de imprensa e expressão;

  • Pluralidade partidária;

  • Limites reais ao poder executivo.

AONDE ESTÃO AS AUTOCRACIAS?

As autocracias seguem geograficamente concentradas em determinadas regiões:

📌 Oriente Médio
📌 África do Norte
📌 Ásia Central e do Sul
📌 África Subsaariana

Por outro lado, os sistemas democráticos ainda predominam em:

Europa Ocidental e América do Norte
✅ Partes da Ásia Oriental e do Pacífico
✅ Países da América do Sul e Europa do Leste

A ERA DA DESINFORMAÇÃO E DA POLARIZAÇÃO

O relatório é incisivo ao apontar que dois fatores estão minando as democracias pelo mundo: desinformação e polarização política.

“Estudos sugerem que a polarização se torna frequentemente uma ajuda para os governos espalharem a desinformação, enfraquecendo a democracia”, destaca o texto.

Segundo os pesquisadores, governos autoritários utilizam desinformação como estratégia para gerar desconfiança e inflar tensões sociais. E quando a população já está polarizada, o terreno para manipulação política se torna ainda mais fértil.

Exemplos citados incluem o Brexit e as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, além de nove países que registraram forte aumento na polarização em 2024.

ESTADOS UNIDOS NO RADAR

Apesar de ainda figurarem como uma democracia, os Estados Unidos recebem atenção especial no documento.

“Níveis tóxicos de polarização definiram, em grande parte, os debates durante as eleições de 2024”, observa o relatório.

Embora parte dos dados mais recentes ainda não tenham sido totalmente analisados, os autores já apontam sinais preocupantes de erosão democrática na maior potência ocidental.

ELEIÇÕES MARCADAS POR VIOLÊNCIA

Outro dado chocante do estudo: quase um quarto das eleições realizadas em 2024 foram marcadas por violência política.

Dentre os 61 pleitos analisados:

  • 14 registraram episódios de violência grave;

  • O México teve sua eleição mais sangrenta da história recente, com pelo menos 37 candidatos assassinados;

  • Tentativas de assassinato foram registradas na Eslováquia (contra o primeiro-ministro) e nos Estados Unidos, durante a campanha do ex-presidente Donald Trump.

Além disso, o relatório mostra escalada nos ataques à imprensa, principalmente em países com lideranças populistas ou em transição democrática instável.

POR QUE ISSO IMPORTA PARA O BRASIL?

O Brasil ainda é classificado como uma democracia pelo V-Dem, mas também viveu nos últimos anos ondas de polarização intensa, ataques à imprensa e tentativas de desinformação eleitoral.

O país, que já foi referência na construção democrática na América Latina, precisa manter os freios institucionais ativos: Congresso, Judiciário, imprensa livre, e uma sociedade civil organizada e participativa.

📢 Uma pergunta necessária: estamos preparados para blindar nossa democracia contra os ataques globais que estão corroendo outros países?

DEMOCRACIAS EM QUEDA: UM MOVIMENTO GLOBAL

Desde 2010, o número de democracias plenas no mundo vem diminuindo. E embora alguns analistas ainda considerem que vivemos uma “onda autoritária passageira”, os números mostram o contrário: os regimes autoritários estão se consolidando, com apoio popular e ferramentas tecnológicas cada vez mais eficazes.

Não se trata apenas de golpes de Estado, mas de erosões graduais por dentro das instituições – como se a democracia fosse corroída lentamente, sob aparência de normalidade.

CONCLUSÃO

O relatório da Universidade de Gotemburgo lança luz sobre uma realidade que não pode ser ignorada: o avanço da autocracia e o recuo da democracia são fenômenos globais, e seus efeitos – do medo ao silêncio – se espalham silenciosamente.

Neste cenário, defender a democracia vai além das urnas: passa pela educação, acesso à informação, diálogo social e vigilância institucional.

O futuro ainda está aberto. Mas a pergunta que precisa ser feita é: você está prestando atenção?

Fonte: Agência Brasil

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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