Agosto Lilás chega com mobilizações por todo o país para enfrentar o feminicídio
O Brasil ainda enfrenta uma dolorosa realidade: mulheres continuam sendo violentadas, agredidas e assassinadas diariamente pelo simples fato de serem mulheres. Segundo o 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2024 foram registrados 1.492 feminicídios. E mais: uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou que 21,4 milhões de mulheres com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência em apenas 12 meses.
Diante desse cenário alarmante, o Ministério das Mulheres lança, nesta sexta-feira (1º), a campanha nacional Agosto Lilás, com uma proposta clara: reforçar a mobilização permanente pelo fim da violência doméstica e dos feminicídios.
Conteúdos
- “QUANTO MAIS PROTEÇÃO, MENOS FEMINICÍDIO”, DIZ MÁRCIA LOPES
- MEDO, CULPA E SILÊNCIO: OS INIMIGOS INVISÍVEIS
- CASA DA MULHER BRASILEIRA: PROTEÇÃO INTEGRADA, OLHAR HUMANIZADO
- LIGUE 180 E WHATSAPP: APOIO 24 HORAS, DE FORMA SIGILOSA
- CHEGAR ÀS PERIFERIAS: UM DESAFIO QUE NÃO PODE SER ADIADO
- REPRESENTATIVIDADE FEMININA NA POLÍTICA É FUNDAMENTAL
- AGOSTO LILÁS PROMETE INTENSA MOBILIZAÇÃO PELO BRASIL
- PACTO NACIONAL CONTRA O FEMINICÍDIO
- “EM CADA CIDADE, UM COMPROMISSO PELA VIDA DAS MULHERES”
“QUANTO MAIS PROTEÇÃO, MENOS FEMINICÍDIO”, DIZ MÁRCIA LOPES
Durante participação no programa Bom Dia, Ministra, transmitido pelo Canal Gov, a titular do Ministério das Mulheres, Márcia Lopes, destacou que o fortalecimento das ferramentas jurídicas de proteção é essencial para mudar essa estatística brutal.
“Quanto mais medidas de proteção, nós teremos menos feminicídio”, explicou a ministra.
Ainda assim, ela reconhece que há gargalos na estrutura de atendimento às vítimas. A ausência de uma rede articulada em muitos municípios é um dos principais entraves.
“Falta ainda esta rede, porque o Brasil, nessa imensidão de municípios, nem todos têm essa articulação que junta a delegacia, o Ministério Público, o Cras, a Unidade Básica de Saúde. É isso que nós temos que fazer, integrar os serviços”, afirmou.
MEDO, CULPA E SILÊNCIO: OS INIMIGOS INVISÍVEIS
A subnotificação continua sendo um dos grandes obstáculos na luta contra a violência de gênero. Muitas vítimas preferem o silêncio por medo de represálias, pela dependência emocional ou financeira do agressor — ou, ainda pior, por culpa internalizada.
“Além de sofrerem a violência, elas ainda se sentem culpadas, derrotadas. E o feminicídio, quase sempre, é o resultado de muitos processos e de um tempo grande em que a mulher está sofrendo a violação”, observou Márcia.
A ministra também alertou para casos em que os filhos são usados como instrumento de violência, o que aumenta ainda mais o pavor das mulheres em denunciar seus agressores.
CASA DA MULHER BRASILEIRA: PROTEÇÃO INTEGRADA, OLHAR HUMANIZADO
Uma das principais apostas do governo federal no combate às violências é o fortalecimento da Casa da Mulher Brasileira. Com 11 unidades já em funcionamento e outras 6 previstas até o fim do ano, a meta é ambiciosa: atingir 40 unidades até o fim do mandato do presidente Lula, em 2026.
Essas casas reúnem, em um só local, serviços como apoio psicossocial, jurídico, delegacia especializada e acolhimento, funcionando como um porto seguro para mulheres que enfrentam situações de violência.
LIGUE 180 E WHATSAPP: APOIO 24 HORAS, DE FORMA SIGILOSA
Para quem precisa de ajuda, o telefone Ligue 180 está disponível 24 horas por dia, gratuitamente, para receber denúncias ou oferecer orientação. Também é possível buscar ajuda de forma sigilosa pelo WhatsApp, no número (61) 9610-0180. Em casos de emergência, o acionamento deve ser feito diretamente à Polícia Militar pelo 190.
CHEGAR ÀS PERIFERIAS: UM DESAFIO QUE NÃO PODE SER ADIADO
Questionada sobre como as políticas públicas chegam às periferias, Márcia Lopes reforçou que o governo está atuando com diversos ministérios em ações de inclusão produtiva, como o Programa Acredita, que apoia o empreendedorismo feminino e a economia solidária.
“São muitas as iniciativas e nós vamos ampliá-las. Já prevemos no orçamento do ano que vem novos aportes de recursos para participação das mulheres também em iniciativas de inclusão produtiva”, anunciou.
Ela também falou sobre diálogos com mulheres indígenas, principalmente do Acre, que enfrentam realidades específicas de violência. Entre as estratégias, estão a criação de CRAS indígenas e barcos de políticas públicas, para alcançar populações ribeirinhas e de difícil acesso.
REPRESENTATIVIDADE FEMININA NA POLÍTICA É FUNDAMENTAL
A ministra criticou duramente episódios de violência política, como a agressão sofrida pela ministra Marina Silva no Senado, e chamou atenção para a necessidade urgente de fortalecer a presença feminina nos espaços de decisão.
“Esse é um processo político que nós temos tratado e mobilizado as mulheres, que ainda se sentem inferiorizadas, com medo, e oprimidas por essa relação de poder”.
Ela defende que mulheres negras e periféricas devem ser incentivadas a se candidatarem nas próximas eleições, ocupando seus lugares de fala e decisão em todas as esferas de poder.
AGOSTO LILÁS PROMETE INTENSA MOBILIZAÇÃO PELO BRASIL
O mês de agosto, que marca os 19 anos da Lei Maria da Penha, será palco de uma grande mobilização nacional. Estão previstas campanhas, rodas de conversa, iluminação de prédios públicos e ações de conscientização em praças, escolas, igrejas e unidades de saúde.
“Há muitas formas [de mobilização], e esse Agosto Lilás promete atividades, mobilização, conversas, campanhas, iluminação das cidades, tudo em nome do direito das mulheres terem uma vida plena, digna”, declarou a ministra.
PACTO NACIONAL CONTRA O FEMINICÍDIO
O Ministério das Mulheres está mobilizando todos os estados para aderirem ao Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios, que estabelece planos de ação específicos para fortalecer as ações preventivas e punitivas.
Até o momento, apenas 14 estados aderiram ao pacto, mas o governo federal trabalha para que todas as unidades da federação formalizem sua participação até o fim de agosto.
“EM CADA CIDADE, UM COMPROMISSO PELA VIDA DAS MULHERES”
A ministra finalizou sua fala com um apelo aos prefeitos e gestores locais, defendendo que o combate ao feminicídio seja um compromisso diário de cada liderança.
“Se cada prefeito, em cada cidade desse país, disser, uma vez por dia, ‘aqui nesta cidade nós não teremos violência contra a mulher’, isso vai mudar”.
Casos recentes, como o da mulher espancada com 61 socos por seu companheiro dentro de um elevador, foram lembrados como retrato cruel de uma sociedade ainda dominada por estruturas machistas e violentas.
“Nós temos que entender que foi uma determinação histórica pelo machismo, pelo autoritarismo do mundo e que a gente não pode conceber, achar que isso é natural, que é normal”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil
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