A Pesquisa sobre Investimento Anjo no Brasil 2025, divulgada na última quinta-feira (28) durante o segundo dia de programação do Startup Summit 2025, traz um panorama detalhado sobre o comportamento e as perspectivas dos investidores-anjo no país. O estudo, elaborado pelo Observatório Sebrae Startups em parceria com a Anjos do Brasil, busca compreender os fatores que limitam e impulsionam este segmento em crescimento.
Conteúdos
PERFIL DOS INVESTIDORES-ANJO NO BRASIL
O levantamento indica que o ecossistema brasileiro ainda é predominantemente masculino, com 81,5% dos investidores sendo homens, principalmente na faixa etária entre 41 e 50 anos (32,4%). A maioria possui experiência prévia como empreendedores, utilizando seus conhecimentos para apoiar novos negócios. Executivos (26,4%) e empreendedores tradicionais (34,8%) formam o núcleo principal, evidenciando que o investimento-anjo no Brasil é impulsionado por profissionais experientes que buscam diversificação de portfólio e impacto.
Apesar de representar uma minoria, a presença feminina cresce, correspondendo a 18,5% do total, apontando para uma tendência de maior diversidade no setor.
Os setores de maior interesse incluem Tecnologia da Informação (27,3%), Gestão e Consultoria (22,2%), Capital e Investimentos (17,1%), Serviços Profissionais (13,3%) e Finanças (12,7%), com destaque também para Agronegócio (10,2%) e Saúde e Bem-estar (9,5%). Entre as motivações dos investidores, retorno financeiro (40,8%), impacto e legado (32,4%) e mentoria/aprendizado (26,7%) lideram, refletindo o equilíbrio entre lucro e propósito.
PERFIL DE INVESTIMENTO: PRECAUÇÃO E DIVERSIFICAÇÃO
A pesquisa revela que a renda fixa ainda é a opção mais comum, devido à segurança e previsibilidade. Contudo, há preferência por diversificação, incluindo ações diretas e via fundos, fundos imobiliários e previdência privada.
Quase metade dos investidores (49%) aplica menos de R$ 250 mil em startups, enquanto 14,5% aportam acima de R$ 1 milhão. A concentração de investimentos segue um padrão cauteloso: 59,3% investem em até cinco startups, e apenas 12,7% em mais de 20, priorizando acompanhamento próximo e análise aprofundada. Os aportes concentram-se principalmente nos estágios Seed (53,3%) e Pré-Seed (40,6%), considerados críticos para crescimento e escalabilidade.
Sobre retorno, 47% dos investidores ainda não sabem mensurar o ROI, o que indica entrada recente no mercado ou dificuldade de avaliação no curto prazo. Entre os que já mediram, 40,7% relataram retornos positivos, sendo 6,8% com retorno superior a cinco vezes o capital investido, especialmente entre investidores com portfólios diversificados.
TRÊS PERFIS PREDOMINANTES DE INVESTIDORES
O estudo identifica três perfis principais:
-
Disciplinado: busca retorno financeiro, investe entre R$ 500 mil e R$ 5 milhões, atua individualmente ou em grupo, focado em estágio Seed.
-
Mentor Construtor: prioriza impacto e aprendizado, aporta até R$ 250 mil, atuando em mentoria para startups em estágios iniciais.
-
Explorador: cauteloso, com investimentos menores, prioriza segurança e análise criteriosa, visando conhecimento e experiência.
OPORTUNIDADES E DESAFIOS DO INVESTIMENTO-ANJO NO BRASIL
O ecossistema de inovação apresenta dinâmica intensa, com 75% dos investidores recebendo oportunidades com frequência mensal ou superior. Entretanto, 59,5% dos potenciais investidores apontam dificuldade em acessar boas oportunidades, destacando falhas na conexão entre capital e startups qualificadas.
Os principais obstáculos citados incluem incerteza econômica e risco elevado (67,3%), dificuldade em encontrar boas oportunidades (33,2%) e falta de incentivos fiscais (41,5%). Tributação sobre ganho de capital, burocracia e insegurança jurídica também são barreiras relevantes. Além disso, apenas 13,5% dos investidores utilizam ferramentas de inteligência artificial em suas análises, enquanto a adoção global reportada pela McKinsey em 2024 é de 72%.
METODOLOGIA E IMPACTO
O levantamento foi realizado entre junho e julho de 2025, com 315 participantes de diversos setores e perfis. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário online, incluindo perguntas abertas e fechadas, sendo 65,4% investidores ativos, 26,6% interessados e 7,9% não investidores. A análise abrange dimensões qualitativas sobre percepções, obstáculos e estratégias de atuação.
Para o Sebrae Startups, compreender o comportamento dos investidores é fundamental para fortalecer o ecossistema de inovação.
“Com base nesses dados, é possível orientar políticas públicas, programas de formação e estratégias de conexão mais eficazes entre startups e investidores”, afirma Décio Lima, presidente do Sebrae.
Cassio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil, acrescenta: “O Brasil ainda investe muito menos em startups do que seria compatível com o tamanho da nossa economia. Para mudar esse cenário, é essencial adotar políticas de estímulo ao investimento-anjo, como já fazem diversos países. Esses incentivos não significam perda de arrecadação, mas sim ganho, pois fortalecem o empreendedorismo inovador, aumentam a competitividade e geram desenvolvimento econômico e social.”
O Sebrae Startups atua em todo o país promovendo capacitação, conexão com investidores e ações de fortalecimento de ecossistemas locais, enquanto a Anjos do Brasil conecta investidores e empreendedores, dissemina conhecimento e apoia redes de investimento.
O estudo completo está disponível neste link.
CONECTE-SE COM O CONECTA SC
Quer acompanhar as principais notícias, eventos e curiosidades sobre Santa Catarina? Siga o Conecta SC nas redes sociais:
👉 Facebook | LinkedIn | Instagram
💌 Receba nossos destaques semanais: Assine a newsletter
📱 Entre no nosso grupo do WhatsApp: Clique aqui
