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Turismo de inverno na Serra Catarinense cresce atraindo visitantes pela natureza e enoturismo

O turismo de inverno na Serra Catarinense alcançou em 2025 o maior patamar da série histórica iniciada em 2017. De acordo com pesquisa divulgada pela Fecomércio-SC, o gasto médio por grupo de visitantes cresceu 26% em relação ao ano passado, passando de R$ 2.824 para R$ 3.350. O resultado consolida a região como um dos principais destinos de inverno do Brasil e reforça o papel do setor como vetor de desenvolvimento econômico, social e cultural.

AUMENTO DE GASTOS E FORÇA DO SETOR

TURISMO EM SÃO JOAQUIM - Vindima
Foto: Vindima

Os dados apontam que a maior parcela das despesas concentrou-se na alimentação (36%), seguida por hospedagem (24%), compras no comércio local (15%), lazer (13%) e transporte (12%). Para o presidente da Fecomércio-SC, Hélio Dagnoni, esse desempenho é resultado de um processo de amadurecimento da atividade turística.

“Esses dados demonstram que o turismo em Santa Catarina deixou de ser algo sazonal. Temos visitantes em todas as épocas do ano, e isso é excelente. No caso da Serra Catarinense, é possível ver o crescimento ano após ano, especialmente durante o inverno, mas não só. Isso é fruto de um trabalho de profissionalização dos nossos destinos, que tem gerado esses resultados positivos que as nossas pesquisas estão registrando”, afirmou Dagnoni.

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Foto: Francine Canto

Além disso, o ticket médio por estabelecimento atingiu R$ 354, um aumento de 25% frente a 2024. Esse dado reforça a percepção de que os visitantes não apenas gastam mais, como também procuram experiências diversificadas e de maior valor agregado.

GERAÇÃO DE EMPREGOS E IMPACTO LOCAL

A pesquisa também revela reflexos diretos no mercado de trabalho. Cerca de 15% das empresas entrevistadas contrataram funcionários temporários para atender ao aumento da demanda da temporada, índice acima do registrado em 2024 (12%). Em média, cada empresa adicionou 1,9 funcionário à equipe.

Esse movimento não apenas garante melhores condições de atendimento, mas também injeta recursos na economia local, especialmente em pequenas e médias empresas que dependem fortemente do turismo para manter sua sustentabilidade financeira.

PERFIL DO TURISTA DE INVERNO

O levantamento mostra que o turista de inverno na Serra Catarinense apresenta características diferentes do perfil observado no litoral durante o verão. Quase a totalidade dos visitantes (99,8%) era de origem nacional, sendo 60,4% catarinenses. As mesorregiões da Grande Florianópolis e do Vale do Itajaí foram as maiores emissoras de turistas.

Ainda assim, houve crescimento no fluxo interestadual: 39,4% dos visitantes vieram de outros estados, principalmente São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O número reforça a ideia de que a Serra Catarinense vem se consolidando como destino competitivo em nível nacional, atraindo públicos que buscam frio, gastronomia, vinho e contato com a natureza.

O turista médio tem 45 anos, sendo que a maioria (57%) está entre 31 e 50 anos. Um dado que chama atenção é o crescimento do público com mais de 60 anos, que dobrou em relação à média histórica e chegou a 14,1% em 2025.

Quanto à renda, 24% dos visitantes têm entre cinco e oito salários mínimos, seguidos por 21% na faixa de dois a cinco salários. Destaca-se também o aumento expressivo de turistas com renda superior a 15 salários mínimos, cuja participação cresceu 50% em relação ao histórico da pesquisa.

TRANSPORTE E ACESSO À REGIÃO

A maioria dos visitantes chegou à Serra Catarinense em veículo próprio (86,1%). Embora ainda pequeno, o transporte aéreo apresentou avanço e já representa 7,2% das chegadas. O dado tem relevância porque o turista que opta pelo avião gasta, em média, 78% a mais do que os demais, totalizando R$ 5.995 por grupo.

Esse crescimento está associado a investimentos em infraestrutura aeroportuária e maior oferta de voos regionais, ainda que a malha aérea catarinense continue sendo um desafio para a expansão sustentável do turismo.

HOSPEDAGEM: NOVAS PREFERÊNCIAS

O setor de hospedagem também passa por mudanças. A hotelaria segue na liderança, com 52% das preferências, mas o aluguel de imóveis por temporada alcançou 24% e superou, pela primeira vez, o pernoite em casas de amigos e parentes (7,2%).

Os destinos mais procurados para estadia foram Urubici (53,6%), São Joaquim (17,6%) e Lages (17,6%). Esses municípios se destacam não apenas pela oferta de hospedagem, mas também pela infraestrutura turística, atrativos naturais e vínculos culturais.

PRINCIPAIS ATRAÇÕES E TENDÊNCIAS DO TURISMO DE INVERNO NA SERRA CATARINENSE

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Foto: Francine Canto / Conecta SC

O Morro da Igreja foi o ponto turístico mais mencionado, com 8,3% das citações. Em seguida aparecem a Serra do Corvo Branco (7,2%) e a Serra do Rio do Rastro (6,6%). Esses atrativos reforçam a vocação da região para o turismo de experiência, de natureza e de aventura.

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Foto: Secretaria do Turismo de São Joaquim

Outro destaque é o enoturismo, que vem se consolidando como uma tendência. Vinícolas e vinhedos foram apontados por 11,9% dos visitantes como parte indispensável do roteiro, evidenciando a força crescente da vitivinicultura catarinense no cenário turístico nacional.

PROFISSIONALIZAÇÃO E FUTURO DO SETOR

Para a Fecomércio-SC, os resultados confirmam que a Serra Catarinense se transformou em um destino qualificado, que consegue atrair turistas de diferentes perfis e faixas de renda. Investimentos em infraestrutura, novas atrações e serviços especializados impulsionaram a competitividade da região.

“Esses indicadores refletem o sucesso dos recentes investimentos em infraestrutura e novas atrações na região, reforçando a imagem da Serra Catarinense como um polo de turismo de natureza, aventura e gastronomia”, disse Dagnoni.

A expectativa é que a diversificação da oferta turística, somada à maior conectividade aérea e digital, amplie ainda mais o alcance do destino. A profissionalização do setor também tende a ser fundamental para manter os índices positivos nos próximos anos.

DESAFIOS PARA A EXPANSÃO

Apesar do desempenho favorável, especialistas apontam que há desafios a serem superados. Entre eles estão a necessidade de qualificação contínua da mão de obra, a preservação ambiental dos atrativos naturais e a melhoria da infraestrutura viária. Outro ponto relevante é a busca por maior equilíbrio na sazonalidade, ampliando o fluxo de visitantes ao longo de todo o ano.

Com base nos dados da pesquisa, o cenário para o turismo de inverno na Serra Catarinense em 2026 é otimista, mas dependerá da capacidade de manter investimentos consistentes, de reforçar a promoção do destino e de avançar na sustentabilidade.


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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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