Eleição do Senado de SC e a arte da política – Artigo por Frutuoso Oliveira

Conversava outro dia com um prefeito lá do Oeste, meu amigo, sobre a situação vivida pelo governador Jorginho Mello para escolher sua dupla de candidatos ao Senado, dentro dos três nomes que ele tem à mesa: Carol De Toni, Esperidião Amin e o paraquedista Carluxo.
Ele me saiu com esta: “A política é uma arte onde há artistas, arteiros e palhaços. Neste caso, Jorginho é o artista, Carluxo o arteiro e Amin, o palhaço.” Ou alguém que está sendo feito de palhaço, nesse jogo.
Na semana passada e nesta, De Toni e Carluxo desfilaram pelo Estado. Com Jorginho, foram a um encontro do PL em Herval do Oeste (terra do governador) e a Treze Tílias, na abertura da festa dos tiroleses. Nesta semana — sem Jorginho — a dupla foi a Concórdia e Chapecó, onde acontece a Efapi, maior feira comercial e industrial do Oeste de Santa Catarina.
Para quem é do meio, isso é normal em políticos que estão em pré-campanha. Escancara a dobradinha, mesmo que Carol — como já insinuado pelo próprio governador — concorra por outro partido, como o Republicanos, e deixe a segunda vaga da coligação com Esperidião Amin.
Para o eleitor bolsonarista — ainda maioria em Santa Catarina — será muito fácil dar primeiro e segundo votos para a dupla Carluxo e Carol De Toni, isolando Amin e outros eventuais candidatos ao Senado.
Esperidião Amin, que nos últimos tempos virou mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro, defendendo pautas sepultadas como voto impresso, impeachment de ministro do STF e anistia para a turma do golpe, pode ficar escanteado nesse jogo e amargar mais uma derrota eleitoral — já perdeu a Prefeitura para Dário e o Governo duas vezes para LHS.
Na última eleição com duas vagas ao Senado — 2018 — Amin e Jorginho Mello tiveram cerca de 18% dos votos cada. Amin recebeu 1.226.064 votos e Jorginho Mello, 1.179.757.
Comparando esses números e partindo do princípio de que a onda bolsonarista ainda é forte no Estado, os dois candidatos mais integrados a esse espectro político terão facilidade de eleição.
Mas sempre é bom lembrar de Shakespeare — citado pelo professor Lavareda em artigo na Folha , nesta quinta-feira —: “Nunca chame de impossível o que apenas improvável lhe parece.” E, na política, isso é recorrente.
Em 2002, por exemplo, Casildo Maldaner, do MDB, então senador, e Paulinho Bornhausen, do PFL, com pai senador e apoiado pelo governador Amin, eram os favoritos às duas vagas de Santa Catarina. Quando as urnas foram abertas, dois azarões — Ideli Salvatti (PT) e Leonel Pavan (PSDB) — foram eleitos para o Senado. Por isso, não esqueçamos: a esquerda terá candidato ao Senado — Decio Lima — que já fez 17% ao Governo em 2022. Qualquer derrame de segundo voto nessa candidatura pode fazer estrago.
A chapa dos sonhos de Jorginho Mello — dizem seus interlocutores próximos — é o MDB de vice, Carluxo e Amin ao Senado (assim segura PP e União Brasil) e Carol De Toni correndo por fora, no Republicanos ou em outro partido. Ele quer repetir o feito de Colombo em 2010: eleito no primeiro turno com os dois senadores — LHS e Paulo Bauer.
Só resta saber qual dos três vai sobrar ou fará o papel de palhaço, conforme a analogia do meu amigo prefeito lá do Oeste.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não necessariamente reflete a opinião do Portal Conecta SC





