Décio Lima segue firme como o pré-candidato a governador do Lula em SC
Enquanto as últimas semanas têm sido de caos em meio à direita catarinense, as movimentações da esquerda para o pleito de 2026 em Santa Catarina seguem mais tranquilas, com articulações que, por ora, apontam para uma aliança ampla entre diversos partidos do campo. Com grandes desafios pela frente no estado mais bolsonarista do Brasil, o PT parece planejar com calma seus próximos passos, testando as águas antes do mergulho que deve começar a partir de março de 2026.
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DÉCIO LIMA: O NOME DE CONFIANÇA DE LULA EM SC
A principal figura deste lado da política catarinense é, de maneira inegável, o presidente do Sebrae e ex-prefeito de Blumenau, Décio Lima. Nome de confiança do presidente Lula, ele conquistou um resultado histórico nas eleições de 2022, quando foi ao segundo turno na corrida contra Jorginho Mello pelo governo do Estado.
Apesar de conversas de bastidores que afirmavam que seus olhos estavam fixos no Senado, Décio fontes do partido afirmam que ele se mantém, desde 2022 como pré-candidato a governador — fato que foi confirmado no último Encontro Estadual do PT em Lages, em setembro deste ano. O senado é apenas uma opção para ele caso Lula faça um pedido.
CONSTRUÇÃO DE UMA ALIANÇA AMPLA
Fontes próximas a Décio Lima afirmam que o pré-candidato busca ampliar o diálogo com lideranças e partidos da esquerda. O objetivo é formar uma coalizão para a disputa eleitoral, centrada em temas como a democracia e a proposição de políticas públicas específicas para Santa Catarina.
No âmbito nacional, como presidente do Sebrae, Décio tem sublinhado a relevância das micro e pequenas empresas para a economia catarinense. Ele também tem elogiado a performance do governo Lula no estado, mencionando iniciativas como o Contorno da BR-101 e a reativação do Porto de Itajaí. O pré-candidato argumenta ainda que o volume de repasses federais a Santa Catarina tem crescido, o que, em sua visão, tem resultado em melhorias para a população local.
UM RESULTADO HISTÓRICO
Não à toa, está difícil encontrar outra liderança de esquerda com peso similar e resultados tão positivos quanto Décio já obteve no estado. Está certo: apesar de a ida de Décio ao segundo turno ter sido também resultado da fragmentação da direita em 2022 — que dividiu votos entre 5 candidaturas — e da influência do cenário político nacional, não se pode negar a importância desse resultado, inédito na história política do Estado. No fim das contas, colocá-lo como cabeça da chapa petista parece ser a melhor alternativa para 2026.
Essa pode ser a terceira vez que Décio Lima disputa o pleito pelo cargo de governador de Santa Catarina. Agora, no entanto, o PT parece mais disposto a se unir aos demais partidos da esquerda, em busca de uma candidatura mais sólida. O plano, ao que tudo indica, é formar uma “frente ampla” junto com PDT, PSB, Psol, Rede, Partido Verde e PCdoB.
OS NOMES PARA COMPLETAR A CHAPA
Especular sobre os outros componentes da chapa é ainda difícil — o máximo que se pode fazer é apostar em alguns nomes. Não há nenhuma dica sobre quem possa ser o vice, mas pode-se especular que o nome virá do PSB.
Já para as duas vagas do senado, outras possibilidades surgem. A primeira pode ir para Luciane Carminatti, Pedro Uczai, figuras com força considerável e que hoje ocupam cadeiras na Câmara, ou Carlito Merss, ex-prefeito de Joinville e também ex-deputado federal.
A outra vaga deve ir para um partido da coligação de esquerda, como o Psol, que hoje tem eleitorado considerável na capital. Nesse sentido, Afrânio Boppré, vereador por Florianópolis e pré-candidato do Psol ao governo, ou o professor Elson Pereira figuram entre as escolhas mais prováveis. Resta ver se o Psol aceitará um convite para composição, já que em 2022 eles rejeitaram a ideia, em razão da candidatura de Dário Berger ao Senado na chapa de Décio.
DESAFIOS PARA A CONSTRUÇÃO DA UNIDADE
Fato é que há ainda um longo caminho até as eleições de 2026, e muita coisa pode mudar nos próximos meses. Se a esperança da esquerda é formar uma coligação ampla, a construção dessa unidade também pode se provar desafiadora, a exemplo do pleito municipal de 2024. Naquele ano, apesar de suas pautas similares, PT e Psol investiram em candidaturas distintas para a prefeitura de Florianópolis. No fim, a divisão se provou fatal para o projeto político de ambos, e Topázio Neto (PSD) se elegeu em primeiro turno. Ao que tudo indica, as duas siglas perceberam os desgastes e não vão repetir o erro em 2026.
Apesar da bagunça precoce nos planos da direita, com a entrada de Carlos Bolsonaro na disputa e a crise interna no PL, nada indica que o PT terá vida fácil em Santa Catarina no ano que vem. Até mesmo marcar presença no estado pode se mostrar um objetivo difícil de ser conquistado — o que justifica a calma e o cuidado a cada novo passo de Décio Lima e seus companheiros.





