Programação do Novembro é Todo Dia, em São José reforça o protagonismo de artistas negros
A programação do Novembro é Todo Dia segue mobilizando diferentes setores da Prefeitura de São José na construção de ações permanentes voltadas ao enfrentamento do racismo e à valorização da população negra. Dentro dessa agenda, será realizada nesta segunda-feira (24), às 19h30, na Casa da Cultura, a roda de conversa “Arte Preta em Foco: Artistas em Destaque e sua Representatividade”, reunindo profissionais das artes visuais, do teatro, da dança e do samba para discutir identidade, trajetória e presença na cena cultural.
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O EVENTO PROPÕE DIÁLOGO CONTÍNUO SOBRE IGUALDADE RACIAL
A iniciativa nasce com o propósito de ampliar discussões que tradicionalmente se concentram no Dia da Consciência Negra, estimulando sua abordagem ao longo de todo o ano. A proposta acompanha uma reivindicação histórica de movimentos negros, que defendem a reflexão permanente sobre temas como racismo, representatividade, segregação e protagonismo.
Em manifestação institucional, o prefeito Orvino Coelho de Ávila destacou que aprofundar o debate cultural e social é compromisso da administração municipal. “A Consciência Negra não se esgota no 20 de novembro. Em São José, queremos que essa reflexão esteja presente nas escolas, nos equipamentos culturais e em todas as políticas públicas. Valorizar artistas negros é reconhecer nossa própria história e afirmar que a cidade que somos hoje foi construída também pelas mãos e pela cultura desse povo”.
AÇÃO INTERSETORIAL MOBILIZA SECRETARIAS MUNICIPAIS
A roda de conversa compõe a programação do movimento intersetorial “Novembro é Todo Dia”, que reúne as Secretarias de Cultura e Turismo, Educação, Saúde e Assistência Social. O objetivo é fortalecer políticas públicas voltadas à igualdade racial e ampliar espaços de escuta e participação.
O secretário de Cultura e Turismo, Toninho da Silveira, reforçou que criar ambientes de diálogo é fundamental. “Com o ‘Arte Preta em Foco: Artistas em Destaque e sua Representatividade’, queremos mostrar para a comunidade que São José está olhando, ouvindo e abrindo espaço para quem sempre esteve produzindo cultura, mas nem sempre teve portas abertas. O ‘Novembro é Todo Dia’ quer mostrar que essa luta não se limita ao 20 de novembro — ela precisa estar presente em todos os dias do ano”.
ARTE PRETA EM FOCO: REPRESENTATIVIDADE COMO TRANSFORMAÇÃO SOCIAL
A representatividade negra nas artes se afirma como ferramenta essencial para visibilizar narrativas, romper estereótipos e fortalecer identidades. Historicamente, artistas negros foram retratados de forma subalterna; hoje, reivindicam protagonismo e novos olhares.
Em São José, a produção cultural negra é expressiva, mas, conforme reconhecem profissionais do setor, ainda demanda maior abertura institucional. A roda de conversa surge para ampliar essa presença em políticas e práticas culturais do município.
ARTISTAS DESTACAM IDENTIDADE, TRAJETÓRIAS E PROTAGONISMO
Entre os convidados está o professor e coreógrafo Ruan Martins, reconhecido pela atuação na dança. Ele observa que ocupar espaços culturais é também ato político. “A representatividade na dança vai muito além de estar no palco. É sobre quem coreografa, quem ensina, quem pesquisa e quem inspira. Quando um jovem negro se vê em um corpo dançante como o dele, ele entende que também pode ocupar esse espaço. A dança preta em São José é resistência, identidade e possibilidade de futuro”, afirmou.
O samba também marca presença na conversa, representado por Renann Inácio, diretor da Escola de Samba Jardim das Palmeiras. A agremiação, que levou o nome de São José à passarela Nego Quirido, destacou-se em 2025 ao conquistar quatro premiações no desfile: melhor grupo musical, melhor bateria, melhor enredo e melhor carnavalesco. Com 267,5 pontos, superou escolas tradicionais da Grande Florianópolis.
Além das conquistas, a escola celebrou duas décadas com ação solidária que arrecadou 2,8 mil peças de roupas para a Secretaria de Assistência Social. Para Renann, o gesto reforça o alcance social das agremiações. “A Jardim das Palmeiras mostra que o samba também transforma vidas. Essa ação solidária chega em um momento importante e reforça o papel social que as escolas de samba exercem em nossa cidade. Levar o nome de São José para a avenida é motivo de orgulho, mas ver a comunidade mobilizada, se ajudando, é o que dá sentido a tudo isso”.
A artista plástica Daisy Américo apresenta ao público a exposição “Qual o Seu Olhar para a Negritude?”, que propõe reflexões sobre identidade e respeito. “Agradeço a oportunidade de levar a minha arte para o Município de São José, por toda receptividade e acolhimento. Espero que minhas obras despertem olhares atentos e corações abertos para a importância do respeito e da igualdade racial”, declarou. Com mais de 15 anos de carreira, Daisy tem obras apresentadas em mais de 50 países e já recebeu a Medalha Cruz e Sousa.
A dança contemporânea também está representada pela artista Preta Leão, coordenadora da oficina Raízes em Movimento, que aborda identidade e ancestralidade através do corpo, fortalecendo autoestima e pertencimento nas comunidades onde atua.
O audiovisual e o teatro completam o elenco de convidados com artistas como Mayki de Oliveira Medeiros e Marcinho Gonzaga. Com trajetória de mais de 25 anos, Marcinho atua em cinema, teatro e formação de artistas no município. Integrante do Núcleo de Atores Negros de São José, ele reforça a importância das iniciativas culturais locais. “Sou filho das oficinas de teatro do Adolpho Mello. Foi lá que tudo começou. Ver meu trabalho hoje nas telas é a prova de que a arte transforma vidas e que São José é um celeiro de talentos. É uma alegria imensa representar a cidade num filme que fala com tanta sensibilidade sobre a vida e os afetos”.
Com informações da Prefeitura de São José





