Centro de Inovação Social de Periferia idealizado pelo Instituto Pe. Vilson Groh vai impactar 40 mil moradores do Maciço do Morro da Cruz
Florianópolis dará um passo decisivo rumo à inclusão produtiva e ao fortalecimento da inovação social com a implantação do CIS Monte Serrat – Centro de Inovação Social de Periferia, um equipamento inédito na cidade, idealizado pelo Instituto Pe. Vilson Groh (IVG).
O projeto será construído no Monte Serrat, no Maciço do Morro da Cruz, território central e estratégico da Capital e nasce com a missão de integrar juventudes, empreendedores locais, tecnologia e cultura em um único espaço de desenvolvimento comunitário. O lançamento do início da obra foi realizado na manhã desta quarta-feira, 26, quando a sociedade conheceu mais sobre o projeto e visitou o terreno onde começaram as obras.
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UMA INICIATIVA ESTRUTURANTE PARA ENFRENTAR DESIGUALDADES HISTÓRICAS
Estimado em R$ 11,1 milhões, o CIS Monte Serrat será financiado por meio de cofinanciamento entre o Fundo Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e contrapartida do IVG. Quando em funcionamento, a estrutura deverá atender aproximadamente 500 jovens e adultos por ano, com potencial de impacto para mais de 40 mil moradores das comunidades do Maciço do Morro da Cruz.
Apesar de Florianópolis figurar entre os principais polos de inovação do país, os indicadores sociais do território evidenciam fortes contrastes. Informações do Observatório de Inovação Social e do ICOM (2020) apontam que 20% das crianças e adolescentes da Capital vivem em situação de pobreza e que 44% dos jovens entre 15 e 29 anos estão fora da escola. No Monte Serrat, mais da metade das famílias vive com renda de até 1,5 salário mínimo per capita.
Nesse contexto, líderes comunitários e representantes do IVG ressaltam que a criação do CIS Monte Serrat responde a demandas históricas do território. Para o presidente do Instituto, Padre Vilson Groh, o equipamento nasce da necessidade de aproximar oportunidades de inovação, cultura e educação das áreas mais vulneráveis da cidade. “Quando falamos em inovação, não estamos falando apenas de tecnologia. Estamos falando de vidas. O CIS nasce do desejo profundo de que nenhuma criança do Maciço precise deixar sua comunidade para acessar conhecimento, cultura ou oportunidades. Queremos que elas encontrem tudo isso no lugar onde vivem, onde têm suas raízes, seus afetos e suas histórias”, afirmou.
O religioso reforçou ainda o caráter simbólico do projeto para a cidade. “O CIS é a ponte entre mundos que não se encontravam”. Em sua fala, Padre Vilson destacou: “o Instituto nasceu para isso, para ser ponte. E uma ponte só tem sentido se ligar mundos que não se encontram. O CIS é essa ponte entre a cidade que produz tecnologia e a cidade que luta diariamente por dignidade. Queremos criar caminhos para que todos possam atravessar.”
INFRAESTRUTURA CONTEMPORÂNEA E INSPIRADA EM MODELOS INTERNACIONAIS
O Centro contará com ambientes planejados para estimular criatividade, convivência e desenvolvimento produtivo. O projeto inclui praça de eventos, biblioteca, áreas de estudo, laboratórios de tecnologia, design, audiovisual e edição, espaço maker, estúdio de música, coworking, salas multiuso e laboratório de pesquisa e criação.
A proposta arquitetônica segue princípios de flexibilidade, sustentabilidade, acessibilidade e montagem rápida por meio de estruturas pré-fabricadas. Segundo o coordenador de projetos do IVG, Gelson Nezi, “todos os ambientes foram planejados para uso coletivo, integração entre faixas etárias e estímulo à criatividade, inovação e economia solidária”.
Padre Vilson complementou a abordagem afirmando que a escolha do local carrega um significado especial. “Construir o CIS no alto do Monte Serrat é mais do que uma escolha de terreno. É uma escolha de horizonte. De lá, as crianças e os jovens enxergam a cidade inteira e, mais importante, enxergarão que têm direito a fazer parte dela.”
A concepção do equipamento foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar composta por mais de 30 profissionais e 10 empresas, com autoria arquitetônica de André Lima de Oliveira e Tatiana Filomeno. O projeto também tem referências em iniciativas globais de urbanismo social, como o Orquideorama (Medellín), o Booth Arts Plaza (Boston) e o campus do Airbnb em Dublin.
FORMAÇÃO CONTÍNUA PARA JOVENS E EMPREENDEDORES DO MACIÇO
A programação formativa do CIS será estruturada em duas frentes principais. A primeira, destinada a jovens entre 14 e 17 anos, reunirá conteúdos de tecnologia, cultura, empregabilidade, criação e empreendedorismo. Já a segunda será voltada a empreendedores periféricos, oferecendo cursos, mentorias, aceleração, inovação, gestão e acesso a capital semente.
Para Padre Vilson, a iniciativa reconhece o potencial criativo e produtivo das juventudes do Maciço. “A juventude periférica carrega uma potência extraordinária. Falta oportunidade, não talento. O CIS será um espaço para revelar essa força e colocá-la em movimento, conectando jovens ao que há de mais avançado em tecnologia, cultura e empreendedorismo.”
A construção ocorre na Rua General Vieira da Rosa, ao lado da Escola Social Marista Lúcia Mayvorne, ponto que facilita o deslocamento a pé para moradores de diferentes comunidades do Maciço. O presidente do IVG destacou ainda o caráter comunitário da iniciativa. “O CIS será um espaço aberto, vivo e gratuito. Aqui, cada pessoa será acolhida como protagonista da própria história. Não é apenas uma obra física; é um convite coletivo para sonharmos mais alto.”
FINANCIAMENTO COLETIVO E PARCERIAS ESTRATÉGICAS
As obras iniciaram em 26 de novembro de 2025 e têm previsão de conclusão no início de 2027. O IVG articula parcerias e financiamentos junto ao BNDES e a uma ampla rede de apoiadores, incluindo Cassol Pré-Fabricados, D/Araújo, Empresas Dimas, Engie, Grupo Guga Kuerten, Methafora Arquitetos, Supermercados Imperatriz, Teltec, WOA, doadores individuais e entidades institucionais como FIESC, ACATE, Floripa Sustentável e Sebrae-SC.
Conforme resumiu Padre Vilson, “o CIS só existe porque há muita gente acreditando na força da comunidade. É um projeto que nasce das mãos de muitos e que devolverá oportunidades para milhares.”
O lançamento das obras foi tratado como um marco para o futuro da cidade. Para o presidente do IVG, a construção do CIS Monte Serrat representa um compromisso com a Florianópolis que valoriza seus territórios e reconhece o papel transformador de seus moradores. “Sempre me pergunto que cidade queremos deixar para as próximas gerações. O CIS Monte Serrat é uma resposta concreta a essa pergunta. É a cidade que cuida, que dá oportunidade, que cria condições para que cada pessoa floresça. É a cidade que acredita no seu povo”, finalizou.





