A observação das luas cheias de 2026 teve início em 3 de janeiro com questionamentos frequentes entre entusiastas da astronomia e usuários das redes sociais: o fenômeno registrado na data poderia ser classificado como superlua? A resposta técnica é negativa. De acordo com estudo conduzido pelo Observatório Nacional (ON/MCTI), a Lua Cheia de janeiro não atende aos principais critérios científicos usados para essa classificação.
Conteúdos
- O QUE CARACTERIZA AS LUAS CHEIAS DE 2026
- SUPERLUA E MICROLUA: CONCEITOS POPULARES, MAS NÃO OFICIAIS
- ORIGEM DO TERMO SUPERLUA
- POR QUE NÃO HÁ UM CRITÉRIO ÚNICO
- OS TRÊS CRITÉRIOS MAIS UTILIZADOS PARA DEFINIR SUPERLUA
- A LUA CHEIA DE 3 DE JANEIRO SOB ANÁLISE
- QUANDO A LUA DE JANEIRO PODE SER CONSIDERADA SUPERLUA
- AS PRÓXIMAS SUPERLUAS ENTRE AS LUAS CHEIAS DE 2026
- O QUE OBSERVADORES DO CÉU DEVEM CONSIDERAR
O QUE CARACTERIZA AS LUAS CHEIAS DE 2026
A Lua Cheia é o momento em que o satélite natural da Terra apresenta sua face totalmente iluminada pelo Sol. Em 2026, o calendário lunar começa com esse fenômeno logo no dia 3 de janeiro, o que despertou atenção especial do público. A proximidade temporal com o início do ano contribuiu para a disseminação de dúvidas sobre a possibilidade de se tratar de uma superlua.
Para esclarecer o tema, a astrônoma do Observatório Nacional, Dra. Josina Nascimento, elaborou um guia explicativo com base em cálculos astronômicos precisos. A conclusão apresentada pela especialista é objetiva: a Lua Cheia observada no início de janeiro não é uma superlua.
SUPERLUA E MICROLUA: CONCEITOS POPULARES, MAS NÃO OFICIAIS
Os termos “superlua” e “microlua” são amplamente utilizados na divulgação científica e em conteúdos populares, embora não sejam reconhecidos nem definidos oficialmente pela International Astronomical Union (IAU), em português União Astronômica Internacional.
De forma geral, chama-se superlua o evento em que a Lua, seja nova ou cheia, ocorre próxima do perigeu, ponto de sua órbita mais próximo da Terra. Já a microlua corresponde ao fenômeno observado quando a Lua está próxima do apogeu, o ponto mais distante do planeta, podendo também ocorrer tanto na fase nova quanto na cheia.
ORIGEM DO TERMO SUPERLUA
A expressão “superlua” surgiu em 1979, criada pelo astrólogo Richard Nolle em uma publicação da revista Dell Horoscope, que não existe mais. À época, Nolle definiu que o termo se aplicaria a uma Lua Cheia ocorrida no perigeu ou a até 90% dessa distância. No entanto, esse percentual foi escolhido de forma arbitrária e não possui fundamentação científica, o que explica a ausência de consenso sobre o conceito.
POR QUE NÃO HÁ UM CRITÉRIO ÚNICO
Como o termo não é reconhecido cientificamente, não existe um padrão internacional que determine exatamente o quão próxima a Lua deve estar do perigeu para ser considerada superlua, nem o quão próxima do apogeu para ser classificada como microlua. Esse cenário favoreceu o surgimento de diferentes critérios adotados por instituições e divulgadores científicos.
OS TRÊS CRITÉRIOS MAIS UTILIZADOS PARA DEFINIR SUPERLUA
Atualmente, três parâmetros são os mais empregados para definir uma superlua cheia:
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Distância da Lua à Terra igual ou inferior a 360 mil quilômetros no instante da Lua Cheia, critério adotado pelo Observatório Nacional.
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Intervalo de até 12 horas entre o instante da Lua Cheia e o instante do perigeu.
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Ocorrência da Lua Cheia no perigeu ou a, pelo menos, 90% da distância mínima entre Terra e Lua, critério mais abrangente.
A coexistência desses critérios explica por que um mesmo evento pode ser classificado de maneiras diferentes, dependendo da fonte consultada.
A LUA CHEIA DE 3 DE JANEIRO SOB ANÁLISE
A Lua Cheia de 3 de janeiro ocorreu às 7h02, no horário de Brasília, quando a Lua estava a 362.312 quilômetros da Terra. Com esse valor, o fenômeno não se enquadra no primeiro critério adotado pelo Observatório Nacional.
O perigeu, por sua vez, foi registrado em 1º de janeiro, às 18h43, o que ultrapassa o intervalo máximo de 12 horas previsto no segundo critério. Dessa forma, também por esse parâmetro, a Lua Cheia de janeiro não pode ser considerada superlua.
QUANDO A LUA DE JANEIRO PODE SER CONSIDERADA SUPERLUA
Pelo terceiro critério, mais flexível, a Lua Cheia de 3 de janeiro pode ser classificada como superlua. No momento do fenômeno, o satélite estava a uma distância correspondente a 97,5% do perigeu. Esse dado, no entanto, reforça que a classificação depende do método adotado e não de uma definição científica única.
AS PRÓXIMAS SUPERLUAS ENTRE AS LUAS CHEIAS DE 2026
A próxima Lua Cheia frequentemente citada como superlua em 2026 ocorrerá em 24 de novembro, às 11h53, quando a Lua estará a 360.768 quilômetros da Terra. O perigeu, entretanto, será registrado apenas no dia 25, às 18h02. Assim, o evento não se enquadra nos dois primeiros critérios, apesar de estar próximo do limite adotado pelo Observatório Nacional.
Já a Lua Cheia de 23 de dezembro será considerada superlua por todos os três critérios. O fenômeno ocorrerá às 22h28, com a Lua a 356.740 quilômetros da Terra, e o perigeu será registrado poucas horas depois, em 24 de dezembro, às 5h29.
O QUE OBSERVADORES DO CÉU DEVEM CONSIDERAR
A análise das Luas cheias de 2026 evidencia a importância de compreender os critérios científicos por trás dos fenômenos astronômicos. Sem uma definição oficial para superlua, a interpretação varia conforme a metodologia utilizada, tornando essencial a consulta a instituições especializadas para uma compreensão precisa dos eventos observados no céu.
Com informações da Agência Gov





