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Trabalhadores paralisam obra do Minha Casa Minha Vida em Florianópolis por causa de atraso nos salários

Os trabalhadores contratados pela empresa RVM Construção para a edificação de 184 unidades habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida, no Alto Caeira, na área da Ocupação Marielle Franco, interromperam as atividades. Após meses de reclamações sem solução, os funcionários decidiram paralisar os serviços em protesto contra atrasos salariais e outras irregularidades relatadas no canteiro de obras.

TRABALHADORES DENUNCIAM ATRASO DE SALÁRIOS E BENEFÍCIOS

De acordo com informações repassadas pelos próprios trabalhadores, o principal problema enfrentado é o atraso no pagamento dos salários, que deveriam ter sido quitados até o quinto dia útil de janeiro, o que não ocorreu até o momento. Além disso, há queixas recorrentes sobre meses de atraso no pagamento do vale, ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e inexistência da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA), obrigatória por lei.

CONDIÇÕES PRECÁRIAS MARCARAM O FIM DE ANO NA OBRA

Mesmo diante do cenário considerado precário, os serviços continuaram durante o período de Natal e Ano Novo, com o objetivo de acelerar o andamento das construções. Segundo relatos, em razão dos atrasos, a empresa teria prometido bonificações e estabelecido novas datas para regularizar os pagamentos, compromissos que, até agora, não teriam sido cumpridos.

FALTA DE FISCALIZAÇÃO É APONTADA PELOS TRABALHADORES

A contratação da empresa responsável e a fiscalização da obra cabem à Prefeitura Municipal. No entanto, conforme relatam os trabalhadores, até o momento não houve manifestação oficial nem diálogo com os funcionários que aderiram à paralisação. A ausência de acompanhamento mais efetivo também é apontada como um fator que contribui para a manutenção das irregularidades.

PROBLEMAS AFETAM FORNECEDORES E ROTINA NO CANTEIRO

Além das questões trabalhistas, há denúncias de omissões em aspectos básicos do cotidiano da obra, como falta de água potável, bebedouros danificados e atraso na entrega de marmitas. Segundo os relatos, o fornecedor de alimentos não teria recebido os pagamentos devidos e já teria sinalizado a possibilidade de interromper o serviço, o que amplia o impacto dos atrasos para além dos trabalhadores, atingindo também empresas terceirizadas.

OCUPAÇÃO MARIELLE FRANCO E O DIREITO À MORADIA

A Ocupação Marielle Franco foi formada em 2016 como parte da mobilização por moradia na região. Após anos de luta social e judicial, a comunidade — que reúne cerca de 220 famílias — recebeu, no ano passado, a confirmação do direito à moradia por meio da construção das unidades habitacionais. As obras são financiadas com recursos do Governo Federal, por meio da Caixa Econômica Federal, dentro do programa Minha Casa Minha Vida.

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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