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Estudo revela que maioria dos brasileiros tem pouco conhecimento sobre o Holocausto

Hannah Charlier, de 83 anos, é uma sobrevivente do Holocausto que vive no Brasil e carrega uma história marcada pela violência do regime nazista e por um gesto extremo de proteção materna. Nascida em 1944, na Bélgica, ela veio ao mundo dentro de uma prisão alemã, após sua mãe — grávida — ser capturada por participar da resistência judaica contra o nazismo.

A trajetória de Hannah ganha destaque às vésperas do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, celebrado em 27 de janeiro, em um momento em que pesquisas apontam fragilidades no conhecimento dos brasileiros sobre o tema e especialistas alertam para a circulação de discursos de ódio e banalização do genocídio nas redes sociais.

UMA INFÂNCIA MARCADA PELA VIOLÊNCIA DO HOLOCAUSTO

Hannah tinha poucos dias de vida quando seus pais foram levados para o fuzilamento. Antes de ser morta, sua mãe a colocou em um pequeno embrulho e amarrou o pacote às costas. Durante a execução, o corpo da mãe caiu sobre a criança. “E, em cima dela, caíram outras pessoas”, contou Hannah.

Um oficial alemão percebeu que a mulher tentava proteger algo antes de morrer. Intrigado, ordenou o fim da ação e, após a saída do grupo, retornou ao local. Ao puxar o embrulho sob os corpos, encontrou a bebê ainda viva.

O RESGATE E A REDE DE SOLIDARIEDADE NA RESISTÊNCIA

O oficial colocou Hannah em uma mochila e a levou até um grupo de judeus ligados à resistência. “Os resistentes sabiam que essa criança só podia ser filha da minha mãe, que era uma resistente que foi pega grávida. E eu acabei sendo entregue a uma senhora que era responsável pelo Serviço Social da Infância, uma mulher que acabou salvando mais de 5 mil crianças judias”, relatou.

Hannah foi encaminhada a um orfanato. Aos 9 anos, acabou adotada por um casal que imigrou para o Brasil, país onde ela construiu sua vida e reside até hoje.

O QUE FOI O HOLOCAUSTO E POR QUE ISSO IMPORTA HOJE

A história de Hannah é um retrato do Holocausto, definido pelo Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos como “a perseguição sistemática e o assassinato de 6 milhões de judeus europeus pelo regime nazista alemão, seus aliados e colaboradores”. O genocídio ocorreu entre 1933 e 1945, durante o regime de Adolf Hitler e a Segunda Guerra Mundial.

“Inserido na Segunda Guerra Mundial, o Holocausto é a maior tragédia que a humanidade viveu no século 20”, afirma Sergio Napchan, diretor executivo da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

“O Holocausto em si é um recorte, esses números não são precisos, mas morreram 6 milhões de pessoas. Um terço dos judeus que moravam na Europa foram exterminados por serem judeus”, ressalta, em entrevista à Agência Brasil.

PESQUISA MOSTRA DESCONHECIMENTO SOBRE O HOLOCAUSTO NO BRASIL

Para marcar o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, foi lançada no dia 22, no Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto de São Paulo, a pesquisa Conhecimento sobre o Holocausto no Brasil. O levantamento mostra que 59,3% dos brasileiros já ouviram falar do tema, mas apenas 53,2% conseguem defini-lo corretamente.

“A conclusão principal que a gente está tirando dessa pesquisa é que tem uma grande parcela da população brasileira que não sabe exatamente o que foi o Holocausto. O termo pode ser conhecido, mas os detalhes não”, destacou Hana Nusbaum, gerente de Educação da Stand WithUs Brasil.

Segundo ela, o cenário é preocupante diante do aumento de conteúdos que banalizam o nazismo e o Holocausto, especialmente entre jovens nas redes sociais.

CAMPOS DE EXTERMÍNIO E OUTRAS VÍTIMAS DO REGIME NAZISTA

O estudo também apontou desconhecimento sobre aspectos centrais do genocídio. Apenas 38% dos entrevistados reconheceram Auschwitz-Birkenau como um campo de concentração e extermínio do povo judeu.

“Os holocaustos foram prioritariamente judeus, mas não apenas. Toda essa população LGBT da época foi condenada, prisioneiros políticos foram condenados, testemunhas de Jeová”, afirmou Sergio Napchan. “Essa história vai além disso e por isso que a gente tem um esforço muito grande de marcar essa data para que isso não aconteça com mais ninguém.”

EDUCAÇÃO E MEMÓRIA COMO RESPOSTA AO ÓDIO

A pesquisa mostrou que a escola é a principal fonte de informação sobre o Holocausto para os brasileiros (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e internet e redes sociais (12,5%). Museus e memoriais foram citados por apenas 1,7% dos entrevistados.

Para Carlos Reiss, diretor do Museu do Holocausto de Curitiba, os dados reforçam o papel educativo dessas instituições. “O museu tem um papel fundamental na construção dessa memória. A gente acredita muito na responsabilidade social dos museus e em uma museologia social que presta serviço para a sociedade”, defende.

Hana Nusbaum também destaca o impacto da educação. “Quando os alunos brasileiros compreendem o que foi o Holocausto, isso fortalece justamente a formação cidadã deles”, afirma. Sergio Napchan reforça: “Se você educar, se você falar, se você marcar, se você significar e der significado do que representou e o que não pode mais acontecer, queira Deus que a gente consiga trabalhar com a premissa de que nunca mais vai acontecer”.

ATOS E PRÓXIMOS PASSOS NO DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA ÀS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO

Diversos atos estão programados para marcar a data. No domingo (25), a Congregação Israelita Paulista realiza um ato em memória às vítimas do Holocausto, a partir das 18h, na capital paulista. No dia seguinte, a Casa do Povo recebe um encontro com instituições da comunidade judaica e do bairro Bom Retiro, com início às 18h20, e participação da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo.

Com informações da Agência Brasil

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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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