Criança com doença rara poderá voltar a andar após cirurgia moderna em Florianópolis
Uma criança com doença rara passou por uma cirurgia de alta complexidade no Hospital Infantil Joana de Gusmão (HIJG), em Florianópolis, referência em atendimento pediátrico em Santa Catarina. O procedimento, realizado com tecnologia de neuronavegação, buscou corrigir deformidades graves na coluna e descomprimir a medula espinhal, condição que havia levado a paciente à paraplegia.
O caso chama atenção pelo grau de complexidade e pelo impacto direto na qualidade de vida da criança. Além de alinhar a coluna, a cirurgia tem potencial para melhorar funções respiratórias e neurológicas, abrindo a possibilidade de recuperação parcial da sensibilidade e dos movimentos, algo considerado raro em situações semelhantes.
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CRIANÇA COM DOENÇA RARA ENFRENHOU FALTA DE ASSISTÊNCIA MÉDICA
Natural do interior do Maranhão, Sarah Gomes de Araújo, de nove anos, passou grande parte da infância sem acompanhamento médico especializado. Segundo a família, a ausência de diagnóstico e tratamento adequados fez com que a displasia esquelética evoluísse para uma compressão severa da medula espinhal em múltiplos níveis.
A condição resultou em paraplegia, com perda de sensibilidade e mobilidade nos membros inferiores, além de dificuldades respiratórias e alimentares que levaram à desnutrição. A situação começou a mudar após a mudança da família para Forquilhinha, no Sul catarinense, quando Sarah foi encaminhada ao HIJG.
TECNOLOGIA DE NEURONAVEGAÇÃO GARANTE MAIS PRECISÃO NA CIRURGIA
A cirurgia foi realizada em duas etapas, em semanas diferentes, com o apoio de um sistema de neuronavegação, tecnologia que funciona como um GPS cirúrgico e permite monitoramento neurológico em tempo real. Também foi utilizada modelagem em 3D para melhor compreensão da deformidade da coluna e maior exatidão durante o procedimento.
Devido à raridade do caso e ao uso da técnica, a operação foi acompanhada por médicos de outros estados brasileiros e de países vizinhos.
“Essa tecnologia trouxe mais segurança e agilidade, com redução do tempo cirúrgico e melhorando as condições clínicas no pós-operatório. Com essa técnica, há diminuição de riscos e de complicações; além disso, é algo que proporciona benefícios para o paciente, mais qualidade de vida, e gera economia de custos para o sistema de saúde”, explicou o ortopedista pediátrico e cirurgião de coluna do hospital, Rodrigo Grandini.
ATENDIMENTO RÁPIDO E HUMANIZADO MARCA TRAJETÓRIA NO HIJG
Para a mãe da paciente, Maria Gomes da Paz, o acolhimento e a rapidez no atendimento foram determinantes. Em poucos meses, o caso foi avaliado com prioridade e incluído no planejamento cirúrgico. Em janeiro, mãe e filha retornaram ao hospital para reavaliação, acompanhando de perto cada sinal de evolução.
“Sabemos que os médicos deram o melhor durante a cirurgia. Nosso sonho é que ela possa voltar a caminhar e melhorar cada vez mais. Queremos vê-la andando, fazendo os tratamentos e a fisioterapia, com boas condições. Isso é o sonho de toda mãe. Só tenho a agradecer ao hospital pelo acolhimento e por todo o apoio que recebemos aqui”, afirmou Maria.
EVOLUÇÃO NEUROLÓGICA TRAZ EXPECTATIVAS POSITIVAS
Segundo a equipe médica, os primeiros sinais após a cirurgia são considerados animadores. O procedimento teve como objetivos alinhar a coluna, descomprimir a medula, melhorar a respiração e permitir ganho de peso, além de abrir a possibilidade de recuperação neurológica.
“O caso da Sarah exigiu um procedimento de extrema complexidade. Ela apresentava compressão da medula desde o nascimento. Para nossa surpresa, além da correção obtida durante a cirurgia, a paciente já demonstra sinais iniciais de recuperação, com melhora da sensibilidade e redução do quadro de espasticidade. O estado neurológico vem evoluindo de forma positiva. Ainda estamos em um período precoce, mas os avanços observados até o momento nos trazem grande expectativa para o longo prazo”, afirmou o chefe do Serviço de Ortopedia Pediátrica do HIJG, André Luis Fernandes Andújar.
A partir de agora, Sarah seguirá com acompanhamento ambulatorial no serviço de ortopedia pediátrica do hospital e sessões de fisioterapia em seu município, dando continuidade a um processo de reabilitação que pode redefinir seu futuro.
Com informações da Agência de Notícias SECOM/SC





