Confira quem lidera a divisão do tempo de rádio e TV no horário eleitoral em SC

Uma marca registrada de todas as eleições é o horário eleitoral obrigatório. Neste ano com início em 28 de agosto, este é o momento em que a programação das emissoras de rádio e televisão no Brasil inteiro é interrompida para que cada partido e federação possa transmitir sua propaganda. Muitos brasileiros não gostam desta interrupção, mas, em sua essência, o horário eleitoral busca aproximar o eleitorado de seus candidatos, e fomentar o acesso à democracia no país.
Apesar do que a presença e a facilidade das redes sociais nos fazem acreditar, o rádio e a televisão ainda são predominantes na comunicação brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo dados do Censo de 2022, cerca de 93% das residências no país possuem TV aberta, e aproximadamente 80% da população do país ouve rádio.
Mas além da sua importância para o acesso à democracia, o horário eleitoral obrigatório pode nos mostrar mas também a distribuição atual das forças na política brasileira — e por isso, tem impacto direto no resultado final do pleito. Isso porque o tempo destinado a cada partido é calculado com base no espaço que as siglas ocupam no Congresso Federal: quanto maior o número de deputados, mais tempo de rádio e TV. Portanto, partidos maiores ou candidatos que consigam formar alianças com várias legendas diferentes conseguem se projetar com maior facilidade no eleitorado.
Aqui em Santa Catarina não é diferente. As três principais chapas majoritárias do Estado, encabeçadas pelo governador Jorginho Mello (PL), pelo ex-deputado Gelson Merísio (Solidariedade) e pelo prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), concentram mais de 60% do tempo total destinado ao horário eleitoral obrigatório. Agora, a briga entre os três se dá, em parte, em torno da consolidação de alianças que possam ampliar sua participação.

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Chapa de Jorginho Mello lidera na divisão do tempo de rádio e TV
A chapa que hoje conta com maior tempo de rádio e televisão é a encabeçada pelo governador, Jorginho Mello, que concentra cerca de 30,4% do total destinado à propaganda eleitoral gratuita no Estado. Composta por uma aliança entre PL, Republicanos, Podemos e PRD, além do Novo, que tem o pré-candidato a vice, Adriano Silva, a aliança tem tempo de sobra para propagandear os feitos do último mandato de Jorginho, e ainda bater em seus adversários quando necessário. Para se ter noção, em um bloco estimado em 10 min de duração, a aliança teria mais de 3 minutos para mostrar seu projeto.
Essa parcela considerável é resultado da dominância que o PL tem na Câmara. Hoje, a sigla tem um total de 87 deputados, a maior bancada partidária do Congresso. Isso pode explicar a tranquilidade de Jorginho em preterir o MDB, que até o início do ano fazia parte de sua composição, e deixar de lado também o senador Esperidião Amin (PP) para compor uma chapa pura para o Senado — que, pelo que as últimas notícias indicam, é o que irá acontecer.
Frente progressista de Gelson Merísio tem espaço considerável
Capitaneada pelo pré-candidato a governador Gelson Merísio (Solidariedade), a frente progressista construída por partidos da esquerda como PSB, PT e PCdoB conta hoje com 21,6% do tempo total de propaganda eleitoral para rádio e televisão. É um espaço considerável, que reservaria à aliança mais de 2 minutos para apresentar seu projeto. Mas este ainda não é um lugar confortável para se permanecer, considerando o desafio à frente, em um estado com eleitorado que tende a favorecer candidatos conservadores.
Gelson Merísio hoje busca atrair outros partidos ao seu projeto e ampliar esse espaço. Seu principal alvo? O MDB, que poderia garantir mais 8,2% do tempo total para o projeto progressista no estado. O problema é convencer os emedebistas a entrar na empreitada — até pouco tempo atrás, o partido estava firme no barco de Jorginho Mello, e não desembarcou por opção própria.
Outro possível aliado é o PSOL, que discute, a nível nacional, uma possível federação com o PT — proposta que divide as bases do partido ao meio. Caso essa construção renda frutos, a sigla traz mais 2,7% de tempo total para a frente progressista. Somando MDB e PSOL, o projeto de Merísio teria mais espaço no rádio e na TV que o próprio PL.
Projeto de João Rodrigues luta para ampliar seu espaço
Com dificuldades para sair do isolamento, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, conta apenas com 8,2% do tempo total destinado à propaganda eleitoral — o terceiro colocado entre os três principais concorrentes no pleito. Hoje, sua chapa é de partido único, o PSD, e ele briga para conquistar alianças que possam ampliar sua participação nas inserções.
A principal esperança de João Rodrigues é a federação União Progressista, com quem ele tem dialogado ao longo dos últimos meses. Formada pela junção do União Brasil com o Progressistas, a agremiação conta, sozinha, com 20,6% do tempo total de rádio e televisão. A condição imposta pela federação é que o projeto de reeleição do senador Esperidião Amin (PP) seja prioridade na chapa — algo que o prefeito de Chapecó afirmou ontem, em entrevista para a rádio Chapecó, estar mais que disposto a aceitar.
Outra possibilidade no radar de João Rodrigues é atrair o MDB para o seu lado. Caso ele consiga fechar acordo com as duas siglas, ele garante lugar de destaque na mesa: de 8,2% passaria para 37%, porcentagem que o colocaria na liderança de tempo de rádio e televisão. Quem sabe essa seria a saída para viabilizar sua candidatura, e colocá-lo de igual para igual com o governador, que hoje corre isolado na liderança de acordo com as pesquisas eleitorais.





