Projeção indica que PIB de Santa Catarina crescerá 1,85% em 2026
Mesmo após a normalização da produção agrícola depois de uma safra recorde, Santa Catarina deve continuar crescendo acima da média brasileira em 2026. A projeção consta no relatório Perspectivas Macroeconômicas 2026, da Bateleur, que estima avanço de 1,85% no Produto Interno Bruto (PIB) estadual.
O resultado é atribuído principalmente à força da indústria, à sustentação do consumo e ao dinamismo do mercado de trabalho. Em um cenário nacional de desaceleração, influenciado pelos juros elevados, o desempenho catarinense se destaca pela diversificação da economia e pelo crescimento da renda. “O desempenho reflete uma economia diversificada, com motores de crescimento que seguem funcionando mesmo em um cenário mais desafiador”, destaca o CEO da Bateleur, Fernando Marchet.
Conteúdos
- DESEMPENHO DE SANTA CATARINA EM 2026 DEVE SUPERAR MÉDIA NACIONAL
- AGRICULTURA DESACELERA, MAS PECUÁRIA SUSTENTA O AGRO
- INDÚSTRIA CRESCE COM MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E ALIMENTOS
- COMÉRCIO AVANÇA COM ALTA DA RENDA
- SERVIÇOS MANTÊM NÍVEL ACIMA DO NACIONAL
- OESTE TEM RECUO AGRÍCOLA E FORÇA NA SUINOCULTURA
- NORTE SEGUE COM INDÚSTRIA RESILIENTE
- VALE DO ITAJAÍ DESTACA SERVIÇOS INTENSIVOS EM CONHECIMENTO
- GRANDE FLORIANÓPOLIS TEM SERVIÇOS E COMÉRCIO AQUECIDOS
- SUL E SERRA MANTÊM EXPANSÃO MODERADA
DESEMPENHO DE SANTA CATARINA EM 2026 DEVE SUPERAR MÉDIA NACIONAL
A expectativa é que o Estado mantenha a expansão apoiado no comércio e nos serviços, beneficiados pelo aumento da renda. Nos últimos 12 meses, os rendimentos acumulam alta de 10% acima da inflação, o que amplia o poder de compra e sustenta o consumo interno.
Além disso, a estrutura industrial diversificada e com maior valor agregado contribui para reduzir os impactos do crédito mais restritivo e do ambiente macroeconômico desafiador no país.
AGRICULTURA DESACELERA, MAS PECUÁRIA SUSTENTA O AGRO
Após uma safra histórica em 2024/25, a produção agrícola deve retornar ao padrão médio na próxima temporada. A tendência é de ajuste na produtividade das principais culturas.
Por outro lado, a pecuária segue como principal vetor do agronegócio estadual. A suinocultura e a avicultura devem continuar favorecidas pelo custo mais baixo dos insumos e por condições de mercado consideradas positivas, sustentando o desempenho do setor.
INDÚSTRIA CRESCE COM MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E ALIMENTOS
Mesmo diante do patamar elevado dos juros, a indústria catarinense mantém trajetória de crescimento. Os segmentos de máquinas e equipamentos registram expansão de 7,1%, enquanto a indústria de alimentos avança 5,0%.
Esses resultados compensam a retração de 2,1% observada em madeira e derivados, ainda impactados por tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. O conjunto dos segmentos industriais reforça a expectativa de continuidade da expansão ao longo do ano.
COMÉRCIO AVANÇA COM ALTA DA RENDA
O comércio segue impulsionado pela recuperação dos salários. Bens não duráveis e semiduráveis apresentam crescimento mais expressivo, com destaque para hipermercados e supermercados (+7,0%) e vestuário e calçados (+2,4%).
Em contrapartida, os bens duráveis, como móveis e eletrodomésticos, continuam pressionados pelo crédito restritivo e pelo custo mais alto do financiamento.
SERVIÇOS MANTÊM NÍVEL ACIMA DO NACIONAL
O setor de serviços permanece em patamar superior ao observado no país, apesar de uma desaceleração recente. Os serviços prestados às famílias lideram a expansão, com crescimento de 5,0% e avanço distribuído entre diferentes atividades.
O dinamismo do mercado de trabalho tem sido determinante para sustentar a atividade, especialmente em áreas ligadas ao consumo das famílias.
OESTE TEM RECUO AGRÍCOLA E FORÇA NA SUINOCULTURA
Na Região Oeste, a produção de grãos deve apresentar queda após o ciclo anterior expressivo, com retorno da produtividade à média histórica. O milho, por exemplo, tende a registrar desempenho inferior ao da última safra.
Ainda assim, a pecuária mantém cenário favorável, principalmente em suinocultura e avicultura. A indústria de alimentos segue com resultado positivo, enquanto madeira e derivados continuam pressionados pelas tarifas externas.
NORTE SEGUE COM INDÚSTRIA RESILIENTE
No Norte do Estado, a atividade industrial mantém crescimento relevante mesmo sob juros elevados. O crédito mais restritivo afeta sobretudo bens duráveis, mas segmentos como máquinas, equipamentos e equipamentos elétricos apresentam desempenho robusto.
A expectativa é de manutenção da expansão, com possível apoio de estímulos fiscais ligados ao contexto eleitoral.
VALE DO ITAJAÍ DESTACA SERVIÇOS INTENSIVOS EM CONHECIMENTO
No Vale do Itajaí, o avanço da renda impulsiona especialmente serviços intensivos em conhecimento, como tecnologia da informação, advocacia e contabilidade.
A indústria regional também apresenta desempenho positivo, incluindo segmentos tradicionais como têxteis e produtos de metal, mesmo diante do ambiente de juros elevados.
GRANDE FLORIANÓPOLIS TEM SERVIÇOS E COMÉRCIO AQUECIDOS
Na Grande Florianópolis, o aumento do poder de compra e a taxa de desemprego no menor nível da série histórica favorecem serviços especializados e comércio.
A perspectiva é de continuidade do desempenho favorável da atividade econômica local, também influenciada por estímulos fiscais do período eleitoral.
SUL E SERRA MANTÊM EXPANSÃO MODERADA
No Sul do Estado, o comércio acompanha o crescimento da renda e mantém trajetória positiva. A indústria apresenta expansão, ainda que em ritmo mais moderado.
Na Serra catarinense, a produção de grãos deve recuar após a safra anterior expressiva. Em contrapartida, pecuária e indústria seguem com desempenho consistente, apesar das dificuldades enfrentadas por segmentos ligados à madeira e derivados.





