O cuidado infantojuvenil no Sistema Único de Saúde (SUS) atravessa um período de maior complexidade assistencial e aumento da demanda hospitalar. Dados recentes indicam que crianças e adolescentes seguem entre os grupos mais impactados por síndromes respiratórias, ao mesmo tempo em que cresce a procura por atendimento relacionado a doenças crônicas e questões de saúde mental.
De acordo com o Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado em janeiro de 2026, a incidência de síndrome respiratória aguda grave causada por Sars-CoV-2 e influenza A permanece mais elevada entre crianças pequenas. O cenário amplia a pressão sobre hospitais e evidencia a necessidade de reorganização das linhas de cuidado voltadas ao público infantojuvenil.
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CUIDADO INFANTOJUVENIL EXIGE ORGANIZAÇÃO DA REDE DE ATENDIMENTO
Especialistas apontam que o atendimento pediátrico e juvenil requer abordagens específicas, tanto na comunicação quanto na organização da assistência. Para o presidente da Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC), Maurício José Souto-Maior, o cuidado com pacientes jovens envolve aspectos que vão além do tratamento clínico.
Segundo ele, o processo assistencial deve considerar o estágio de desenvolvimento de cada paciente, com diálogo adequado e respeito à autonomia progressiva de crianças e adolescentes.
No contexto hospitalar, Souto-Maior ressalta a importância da integração entre os diferentes níveis do sistema público de saúde. “Quando falamos de atendimento pediátrico e juvenil, precisamos de linhas de cuidado bem estruturadas, com a Atenção Primária coordenando o fluxo e os hospitais atuando com suporte especializado”.
TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA MUDA PERFIL DOS PACIENTES
A mudança no perfil de doenças também influencia diretamente a forma como os serviços de saúde precisam se organizar. O aumento de casos crônicos e das demandas relacionadas à saúde mental amplia o grau de complexidade no acompanhamento de pacientes jovens.
Souto-Maior avalia que esse novo cenário exige equipes mais preparadas e acompanhamento prolongado. “Estamos lidando com pacientes mais complexos, com doenças crônicas e demandas em saúde mental que exigem equipes multiprofissionais e maior tempo de acompanhamento, questões a serem consideradas no planejamento e no financiamento do sistema.”
HOSPITAL EM LAGES ATENDE 18 MUNICÍPIOS DA SERRA CATARINENSE
Um exemplo da estrutura voltada ao atendimento pediátrico regional é o Hospital Seara do Bem Materno e Infantil (HISB), localizado em Lages. A unidade filantrópica, vinculada à AHESC e à Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FHESC), atende majoritariamente pacientes do SUS e funciona como referência para 18 municípios da Serra Catarinense.
A diretora da instituição, Fernanda de Matia, afirma que a rotina hospitalar reflete o aumento da complexidade do cuidado com crianças e adolescentes no sistema público. Segundo ela, a unidade registra cerca de 3.200 atendimentos mensais.
“Atendemos cerca de 3200 pacientes por mês, precisamos de equipes preparadas para acolher, comunicar e acompanhar de forma integral, respeitando cada fase do desenvolvimento e mantendo a família como parte do processo terapêutico”, afirma.
INTEGRAÇÃO ENTRE SERVIÇOS É APONTADA COMO DESAFIO
A continuidade do tratamento após a alta hospitalar também é apontada como um ponto central para o funcionamento da rede de cuidado. Para a presidente da Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FHESC), irmã Neusa Lúcio Luiz, a articulação entre diferentes serviços é essencial para garantir o acompanhamento adequado.
Segundo ela, instituições hospitalares atuam em conjunto com outros dispositivos da rede pública, incluindo atenção básica, ambulatórios especializados e serviços de saúde mental.
“É garantir a continuidade do cuidado, com envio de relatórios de alta, comunicação direta com as Unidades Básicas de Saúde e integração com serviços especializados, como os CAPS infantojuvenis, ambulatórios e assistência social. Manter tudo isso funcionando exige equipes qualificadas, leitos especializados e previsibilidade de recursos”, afirma.
Na avaliação da dirigente, fortalecer o SUS depende da articulação entre os níveis de atenção e de planejamento baseado em dados epidemiológicos. Entre as medidas apontadas estão a ampliação de equipes multiprofissionais, valorização da atenção primária e garantia de financiamento suficiente para sustentar a rede de atendimento.





