O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de uma reserva estratégica de combustíveis no Brasil como forma de proteger o abastecimento interno e reduzir oscilações de preços diante de crises internacionais. A declaração foi feita nesta sexta-feira (20), durante evento da Petrobras em Betim (MG), em meio à escalada de tensões no Oriente Médio.
A proposta surge em um contexto de instabilidade global que afeta diretamente o mercado de petróleo, com reflexos no custo dos combustíveis no Brasil. Ao depender de importações para cerca de 30% do diesel consumido, o país permanece vulnerável a interrupções externas e à volatilidade dos preços internacionais.
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RESERVA ESTRATÉGICA DE COMBUSTÍVEIS COMO RESPOSTA À INSTABILIDADE GLOBAL
Lula afirmou que a criação de estoques reguladores é uma medida de longo prazo, mas essencial para garantir maior previsibilidade ao mercado interno. A ideia é formar uma reserva capaz de ser utilizada em momentos de crise, evitando impactos imediatos sobre consumidores e setores produtivos.
“Eu falei para a Magda [Chambriard, presidente da Petrobras]: isso não é uma coisa rápida, é uma coisa que leva tempo, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar”, disse.
O presidente citou o agravamento do conflito no Oriente Médio, especialmente no Estreito de Ormuz, rota por onde passa grande parte do petróleo mundial, como um dos fatores que reforçam a necessidade da medida.
“Nós precisamos, ao longo do tempo, construir um estoque regulador, para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje. E se essa guerra durar 30 dias, durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz? E se os Estados Unidos resolverem estourar o Estreito de Ormuz, a crise vai ser pior”, acrescentou.
DEPENDÊNCIA DE IMPORTAÇÕES AMPLIA RISCOS PARA O BRASIL
Atualmente, o Brasil não possui uma reserva estratégica formal de petróleo ou combustíveis. O país opera com estoques operacionais, suficientes apenas para garantir o fluxo entre importação, refino e distribuição.
A dependência externa, especialmente no diesel, aumenta a exposição a choques internacionais. Em cenários de conflito ou restrição de oferta, isso pode resultar em aumento de preços e pressão sobre a economia.
Para Lula, a criação de uma reserva, apesar do alto custo, funcionaria como instrumento de soberania energética e proteção contra movimentos especulativos.
“Graças a essa reserva que nós começamos a fazer a 2005, até hoje o Brasil enfrenta todas as crises mundiais sem se abalar. Nós temos muita verdinha [dólar] […], e eu não posso mexer na reserva porque ela garante a soberania desse país”, disse, ao comparar com as reservas internacionais do país.
INVESTIMENTOS EM REFINO E PRODUÇÃO GANHAM CENTRALIDADE
Durante o evento, a Petrobras anunciou R$ 9 bilhões em investimentos na Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Betim. A unidade, que chegou a operar com apenas 60% da capacidade em anos anteriores, atualmente atinge 98%.
A expectativa é ampliar a produção de 170 mil barris por dia para 200 mil até 2027, com investimento de R$ 3,8 bilhões. Nos cinco anos seguintes, a meta é alcançar 240 mil barris diários, com aporte adicional de R$ 5,2 bilhões.
Lula também mencionou a necessidade de ampliar ou construir novas refinarias e estruturar um planejamento estratégico que envolva produção e armazenamento de combustíveis.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E EFICIÊNCIA OPERACIONAL
Além da expansão produtiva, foi inaugurada uma usina fotovoltaica na Regap, com potencial para reduzir em 20% o consumo de energia da refinaria. O projeto foi financiado pelo Fundo de Descarbonização da Petrobras.
Segundo o governo federal, a iniciativa contribui para aumentar a eficiência operacional, reduzir custos e avançar na transição energética, ao mesmo tempo em que fortalece a capacidade de produção de combustíveis.
A discussão sobre a criação de uma reserva estratégica de combustíveis deve avançar dentro do governo e da Petrobras, em paralelo aos investimentos em refino e infraestrutura. A proposta se insere em um cenário global cada vez mais instável, no qual garantir abastecimento e estabilidade de preços tende a se tornar uma prioridade crescente para países dependentes de importações.





