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Autonomia financeira ajuda mulheres a romper ciclos de violência

A busca por autonomia financeira tem se consolidado como um dos principais caminhos para que mulheres consigam romper ciclos de violência doméstica e reconstruir suas trajetórias. Mais do que gerar renda, o empreendedorismo aparece como alternativa concreta para ampliar a independência, fortalecer a autoestima e recuperar o controle sobre decisões pessoais.

Dados e relatos recentes mostram que a ausência de renda própria ainda é um dos maiores obstáculos para a denúncia de agressões. Nesse contexto, iniciativas de capacitação e incentivo ao empreendedorismo ganham relevância ao oferecer não apenas sustento, mas também novas perspectivas de futuro.

AUTONOMIA FINANCEIRA COMO FERRAMENTA DE PROTEÇÃO

A relação entre autonomia financeira e enfrentamento da violência é direta. Segundo especialistas, quando a mulher passa a ter renda própria, aumenta também sua capacidade de tomar decisões sobre permanecer ou sair de uma relação abusiva.

“Quando uma mulher conquista autonomia financeira, ela amplia sua capacidade de romper ciclos de violência, porque passa a ter mais condições concretas de decidir permanecer ou sair de uma relação abusiva”, reforça Georgia Nunes, gerente de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae Nacional.

Além do aspecto econômico, o empreendedorismo também contribui para o fortalecimento emocional e social. “Esses são fatores fundamentais nesse processo de recomeço”, acrescenta.

Um estudo da Universidade de Brasília (UnB) aponta que 61% das mulheres afirmam que a falta de renda própria impede a denúncia das agressões. A pesquisa, apresentada durante um congresso internacional em Portugal, evidencia como a dependência financeira ainda mantém muitas vítimas em situação de vulnerabilidade.

EMPREENDEDORISMO COMO RECOMEÇO

Histórias individuais ilustram como o acesso à renda pode transformar realidades. No município de Nossa Senhora do Livramento (MT), a empreendedora Érica Pereira encontrou no trabalho uma forma de recomeçar após sair de um relacionamento abusivo.

Com apoio de serviços sociais e capacitações profissionais, ela iniciou atividades na área da beleza e conseguiu estruturar um pequeno negócio em casa.

“Fiz duas capacitações na área de beleza. Consegui um emprego como auxiliar em um salão e consegui montar um espaço dentro da minha casa. Hoje tenho uma renda melhor e consigo comprar coisas para minha filha. Antes não era possível.”

Ao longo do processo, a empreendedora também reconstruiu sua vida pessoal e passou a contar com uma rede de apoio. A experiência reflete um padrão observado por profissionais que atuam diretamente com mulheres em situação de vulnerabilidade.

“No cotidiano do atendimento a empreendedoras, observamos histórias de mulheres que, ao iniciar um pequeno negócio, conseguem reorganizar a rotina, retomar projetos interrompidos e reconstruir perspectivas de futuro”, explica Georgia Nunes.

NEGÓCIOS DE IMPACTO E APOIO ESPECIALIZADO

Além das iniciativas individuais, organizações estruturadas têm ampliado o suporte a mulheres em situação de violência. Em Brasília (DF), o Instituto RevEllas oferece atendimento integrado, incluindo apoio jurídico, psicológico e orientação para recomeço profissional.

A iniciativa foi criada pela advogada e delegada aposentada Patrícia Bozolan, que identificou a necessidade de um atendimento mais completo às vítimas.

“É fato que quando ocorre um divórcio, a mulher passa por um período de adequação financeira”, acrescenta Patrícia.

Segundo ela, muitas mulheres enfrentam dificuldades para retornar ao mercado de trabalho, especialmente após anos dedicadas exclusivamente à família.

“Atendo mulheres que até têm um diploma, mas nunca exerceram a profissão porque eram dedicadas exclusivamente para a família.”

Diante desse cenário, o empreendedorismo surge como alternativa viável, especialmente para mulheres fora do mercado há mais tempo.

SETORES MAIS ACESSÍVEIS PARA COMEÇAR

De acordo com especialistas, alguns segmentos exigem menor investimento inicial e aproveitam habilidades já desenvolvidas, o que facilita o início de um negócio próprio.

Entre as áreas mais comuns estão alimentação, beleza, moda, artesanato, serviços digitais, revenda e cuidados pessoais. Muitas dessas atividades também podem ser iniciadas em casa, reduzindo custos e ampliando a possibilidade de conciliar trabalho e rotina familiar.

“Hoje, inclusive, há muitas oportunidades no ambiente digital, que permitem começar de casa, com custo mais baixo”, finaliza Georgia.

IMPACTO SOCIAL E TRANSFORMAÇÃO DE VIDAS

Com cinco anos de atuação, o Instituto RevEllas já atendeu centenas de mulheres com serviços voltados ao rompimento de diferentes formas de violência, incluindo psicológica, patrimonial e física.

A proposta vai além do atendimento emergencial e busca promover autonomia e independência de longo prazo.

“É um modelo de negócio com um propósito muito forte. Tentamos praticar valores acessíveis em um espaço privado porque queremos gerar um impacto social para as mulheres que nos procuram”, frisa Patrícia.

A combinação entre geração de renda, apoio emocional e acesso a redes de suporte tem se mostrado essencial para que mulheres consigam não apenas sair de situações de violência, mas também construir novos caminhos com mais segurança e autonomia.

Com informações da Agência Sebrae

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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