Florianópolis foi reconhecida no último dia 27, como uma das 20 cidades Lixo Zero do mundo, em iniciativa vinculada à ONU-Habitat. A capital catarinense é a única representante brasileira e da América Latina na lista, ao lado de cidades como San Francisco, nos Estados Unidos, referência internacional na gestão de resíduos.
O reconhecimento ocorre às vésperas do Dia Internacional Lixo Zero, celebrado na próxima segunda-feira, 30, e destaca municípios comprometidos com a redução da geração de resíduos, reaproveitamento de materiais e fortalecimento da economia circular — temas considerados estratégicos diante do aumento da produção de lixo nas cidades.
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FLORIANÓPOLIS LIXO ZERO E METAS ATÉ 2030
A inclusão no ranking internacional reforça o compromisso assumido pela Prefeitura de Florianópolis de se tornar a primeira capital brasileira com padrão Lixo Zero. A meta é reciclar 60% dos resíduos secos e tratar 90% dos resíduos orgânicos até 2030, conforme diretrizes estabelecidas a partir de 2018 e regulamentadas pela Lei nº 10.501/2019.
O avanço recente é atribuído à consolidação de políticas públicas voltadas à gestão sustentável de resíduos sólidos, com foco na redução do volume enviado a aterros e na valorização dos materiais descartados.
TRAJETÓRIA COMEÇOU NA DÉCADA DE 1980
A política de resíduos da capital tem origem em iniciativas iniciadas ainda em 1986, com o Programa Beija-Flor, que levou coleta seletiva e triagem a bairros populares e escolas em um período em que o tema ainda era pouco difundido no país.
Ao longo dos anos 1990, a cidade ampliou a coleta seletiva para todo o território, implantou Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em áreas públicas e estruturou sistemas de coleta descentralizados. Atualmente, Florianópolis possui a maior taxa de reciclagem entre as capitais brasileiras, resultado de ações como compostagem comunitária, coleta porta a porta e recuperação inclusiva de resíduos.
EXPANSÃO DA COLETA E RESULTADOS RECENTES
Entre os principais avanços recentes está a ampliação da coleta de resíduos orgânicos, iniciada em 2020 e já presente em bairros como Itacorubi, Trindade e Centro. O material recolhido é encaminhado ao Centro de Valorização de Resíduos (CVR) do Itacorubi, onde é transformado em adubo utilizado em hortas urbanas.
Em 2025, a cidade atingiu 14% de desvio de resíduos orgânicos de aterros e 15,5% de recuperação total de resíduos. A compostagem de resíduos alimentares mais que quadruplicou nos últimos anos, passando de 1.175 toneladas em 2020 para 6.002 toneladas em 2025.
A coleta de vidro também se destaca, com média de 436 toneladas reaproveitadas por mês, enquanto resíduos verdes, como galhos e folhas, somaram mais de 8 mil toneladas reaproveitadas no último ano.
IMPACTO SOCIAL E GERAÇÃO DE RENDA
Além dos ganhos ambientais, a política de reciclagem tem impacto direto na geração de renda. Cerca de 200 famílias atuam na triagem de materiais recicláveis na capital, integrando cooperativas e associações que participam da cadeia de reaproveitamento.
“Quando decidimos adotar o programa Lixo Zero, sabíamos da complexidade e da dimensão desse desafio. Hoje conseguimos visualizar, de forma concreta, os avanços construídos ao longo dos últimos anos, que são resultado de um trabalho contínuo desenvolvido há décadas na Capital. Nossa principal meta agora é ampliar ainda mais esses resultados, fortalecer a participação da população e garantir que Florianópolis siga avançando como referência em sustentabilidade”, destaca o prefeito Topázio Neto.
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E PARTICIPAÇÃO DA POPULAÇÃO
A estratégia do município também inclui ações contínuas de educação ambiental. O projeto Escola Lixo Zero já estruturou planos de gerenciamento de resíduos em todas as 124 unidades da rede municipal e implantou compostagem em parte delas.
Fora do ambiente escolar, iniciativas como o Museu do Lixo e o projeto Minhoca na Cabeça ampliam o engajamento da população. Desde 2003, o museu reúne mais de 40 mil itens reaproveitados, enquanto o programa de compostagem doméstica já distribuiu milhares de kits e contribui para o desvio de resíduos orgânicos das residências.
“Colocar a mão na massa e mudar hábitos é fundamental, mas é na base que acontecem as transformações mais duradouras. Quando investimos em educação ambiental e em ações que envolvem a comunidade, conseguimos resultados concretos e consistentes. O trabalho desenvolvido com as crianças da rede municipal é essencial para formar uma nova geração mais consciente e comprometida com o meio ambiente. Formar o que chamamos de cidadão crítico transformador”, ressalta Daiana Bastezini, gerente da Divisão de Planejamento e Educação Ambiental.
PROJEÇÃO INTERNACIONAL E ECONOMIA CIRCULAR
O município também aderiu a iniciativas internacionais voltadas à redução de emissões, como o programa LOW-M, e implementou medidas para ampliar a compostagem e a participação das residências no sistema.
“O que chama atenção nesses resultados é a consolidação de um sistema que alia eficiência, inovação e participação social. Florianópolis vem construindo uma política pública consistente, que facilita o engajamento da população e fortalece toda a cadeia da reciclagem. Isso posiciona a Capital como uma referência nacional e, agora, também internacional na gestão de resíduos”, afirma o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick.
Com metas estabelecidas, indicadores em evolução e reconhecimento internacional, Florianópolis passa a integrar um grupo restrito de cidades que buscam transformar a gestão de resíduos em um modelo baseado na economia circular.
“Com políticas públicas consolidadas, metas claras e resultados mensuráveis, Florianópolis se posiciona entre as principais referências globais em gestão de resíduos e transforma todo o planejamento em resultado, em impacto concreto. O reconhecimento internacional reforça um caminho já em curso e projeta a Capital como protagonista na transição para uma economia mais circular e sustentável”, reforça Ulisses Bianchini, Subsecretário de Resíduos Sólidos.
