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Eleger Décio Lima ao Senado é prioridade estratégica da frente democrática em SC

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Após a apresentação oficial da chapa da Frente Democrática, liderada por Gelson Merisio (PSB) para o governo, ficou claro que um dos pilares centrais da aliança não está apenas no Executivo, mas no Legislativo Federal. A candidatura de Décio Lima (PT) ao Senado Federal é tratada como uma “missão prioritária” pelo diretório nacional e pelo presidente Lula.

Inicialmente cotado para o governo do Estado, Décio Lima tem boas chances de sair vitorioso nessa corrida. Em 2022, ele foi o primeiro candidato de esquerda a chegar ao segundo turno em Santa Catarina, com mais de 710 mil votos. Agora em 2026, pesquisas recentes, como a do instituto Veritá, publicada no início de abril, mostram o petista na terceira colocação na corrida pela Câmara Alta, atrás de Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL), mas à frente do atual senador Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição. 

Se a candidatura de Merísio ao governo já era lida como parte da estratégia nacional do PT de apostar em cabeças de chapa ligadas ao centro, o projeto de Décio para o Senado se encaixa em outro objetivo da esquerda para Santa Catarina: aproveitar a fragmentação da direita em torno das candidaturas ao Senado para garantir pelo menos uma das duas vagas em disputa. 

Essa é também uma estratégia adotada pelo PT a nível nacional, batendo de frente com os objetivos políticos da direita — que aposta na eleição de uma maioria na Câmara Alta para promover a anistia dos condenados pelos atos antidemocráticos e o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Para uma eventual reeleição de Lula, além da defesa da democracia, conquistar uma presença considerável no Senado é também garantir um mandato tranquilo e com maior governabilidade pelos próximos quatro anos.

Escolha de Merísio como candidato “é fantástica”, afirmou Décio

Durante a coletiva de imprensa que lançou a pré-candidatura da centro-esquerda catarinense, Décio Lima demonstrou estar confiante do projeto construído pelo grupo político para o pleito deste ano. Segundo ele, a mesa composta pela Frente Democrática representa “um retrato que nunca aconteceu nos 46 anos da democracia contemporânea aqui em Santa Catarina”.  

Décio celebrou a união de partidos com trajetórias distintas, e reforçou que a viabilidade da chapa passa pela união com o ex-deputado: “a escolha do Merisio é uma escolha fantástica de garantir a liderança que nós precisamos”, afirmou. “Ele e Ângela Albino trazem uma possibilidade concreta de ganhar as eleições no segundo turno e essa construção também é um exercício de inteligência”.

Candidatura de Merísio foi determinação de Lula

Segundo Gelson Merísio, que contou detalhes da construção da chapa durante a coletiva, a pré-candidatura ao governo foi ideia de Lula. Ele se encontrou com o presidente no início do ano, para tratar de outras questões, e saiu da reunião pré-candidato. “Na verdade, não foi uma conversa, foi uma determinação”, brincou Merísio, ao relatar o diálogo. Segundo ele, Lula considera Santa Catarina um dos estados mais difíceis do Brasil no pleito deste ano, e busca construir uma aliança plural que possa abrir o campo de debate e o espaço para seu projeto — a curto e a longo prazo.

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Merísio, Décio e a pré-candidata a vice, Ângela Albino, durante o congresso do PT, em Brasília – Foto: Divulgação

“O objetivo é chegar ao segundo turno. Disputar a eleição e ir para o segundo turno é uma grande vitória”, explicou Merísio, que aposta em uma fragmentação da direita entre as candidaturas de Jorginho Mello (PL) e João Rodrigues. “Temos ainda toda a campanha pela frente, mas acredito que a briga de primeiro turno é do lado direito do rio. Vamos ter um caminho mais aberto no primeiro turno, com horizonte de curto prazo com maior possibilidade de êxito”. 

Mas se por um motivo ou outro a estratégia da chapa não render frutos em 2026, Merísio afirma estar tranquilo quanto aos próximos passos que irá tomar politicamente. Questionado sobre seus planos futuros, o pré-candidato afirmou ter disposição para seguir com a construção da centro-esquerda catarinense com vistas aos próximos pleitos. “Estou disposto a estar junto com Lula a longo prazo, seja em 2030 ou em 2028, nas eleições municipais”, respondeu ele.