Diferença salarial entre homens e mulheres em SC chega a 27,8%
O mercado de trabalho formal em Santa Catarina registrou avanço na participação feminina em grandes empresas, segundo dados divulgados em abril de 2026 pelo Painel do Relatório de Transparência Salarial. As mulheres passaram a ocupar 44,5% dos vínculos empregatícios em estabelecimentos com 100 ou mais empregados no estado, somando 444,3 mil postos de trabalho.
Apesar do crescimento do emprego feminino, os dados mais recentes evidenciam a persistência de desigualdades salariais relevantes. Nas empresas de maior porte, mulheres recebem, em média, 27,8% a menos que os homens, o que mantém o tema da equidade no centro do debate sobre o mercado de trabalho.
Conteúdos
EMPREGO FEMININO AVANÇA EM SANTA CATARINA
Em dezembro de 2025, Santa Catarina contabilizava 2.923 estabelecimentos com 100 ou mais empregados, responsáveis por 996,8 mil vínculos formais. Desse total, 552,5 mil eram ocupados por homens e 444,3 mil por mulheres.
Entre as trabalhadoras, 145,4 mil eram mulheres negras (32,7%) e 298,8 mil não negras (67,2%). Já entre os homens, 179,4 mil eram negros (32,4%) e 373 mil não negros (67,5%).
O crescimento acompanha uma tendência nacional de expansão do emprego formal, impulsionada pelo aquecimento econômico e pela ampliação de oportunidades no setor produtivo.
DIFERENÇA SALARIAL ENTRE HOMENS E MULHERES EM SC SEGUE ELEVADA
Mesmo com maior presença no mercado, a diferença de remuneração permanece significativa. Em Santa Catarina, a média salarial das mulheres em grandes empresas foi de R$ 3.408,96, enquanto os homens receberam R$ 4.724,02.
O recorte racial amplia ainda mais essa disparidade. Mulheres negras tiveram rendimento médio de R$ 2.653,75, abaixo das mulheres não negras (R$ 3.787,67). Entre os homens, os salários médios foram de R$ 3.588,67 para negros e R$ 5.284,73 para não negros.
No cenário nacional, mulheres receberam, em média, 21,3% a menos que homens em 2025, índice superior ao registrado em 2023.
EMPREGO DE MULHERES NEGRAS TEM FORTE CRESCIMENTO
Um dos destaques do relatório é a expansão das contratações de mulheres pretas e pardas em grandes empresas. Entre 2023 e 2025, o número de vínculos formais desse grupo cresceu 29% no Brasil, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões.
O aumento representa mais de 1 milhão de novas contratações no período, indicando maior inclusão, embora ainda distante de condições igualitárias de renda.
POLÍTICAS DE INCENTIVO AINDA SÃO LIMITADAS
O levantamento também mostra que parte das empresas já adota medidas voltadas à inclusão feminina. Em Santa Catarina, 22,8% dos estabelecimentos com mais de 100 empregados possuem algum tipo de política de incentivo à contratação de mulheres.
Entre essas iniciativas:
- 17,6% incentivam a contratação de mulheres com deficiência
- 16,1% focam em mulheres negras
- 13,2% incluem mulheres LGBTQIAP+
- 4,9% voltam-se a vítimas de violência doméstica
Os dados indicam avanço, mas também revelam que a maioria das empresas ainda não possui políticas estruturadas nessa área.
DESAFIOS VÃO ALÉM DO SALÁRIO
Durante a divulgação do relatório, autoridades destacaram que a desigualdade não se limita à remuneração. “Quando nós defendemos a igualdade salarial, não estamos defendendo puramente aquele número nominal de valor do salário das mulheres e homens numa empresa. Nós estamos falando da função que essa mulher está, das condições de trabalho em que ela se encontra, dos direitos que ela já tem garantidos e que muitas vezes não são cumpridos”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
Ela acrescentou: “As mulheres ainda se ressentem muito de todos esses processos que as discriminam, que as inferiorizam, que as subalterniza por vários interesses e, principalmente, pela cultura ainda misógina, machista. A gente tem que trabalhar muito mais, tem que dialogar muito mais, tem que se juntar a todas as confederações, as entidades, as instâncias federativas”.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, também ressaltou a necessidade de avanço na progressão profissional: “Não é somente a igualdade de salário na mesma função. Nós estamos falando da necessidade da promoção de valorização das mulheres na ascensão nas carreiras. Nós queremos estabelecer passo a passo, degrau por degrau, na construção da igualdade salarial, mas ela é um pedacinho do todo que nós desejamos quando se debate o direito das mulheres”.
IMPACTO ECONÔMICO DA DESIGUALDADE
O relatório aponta que a diferença salarial tem efeitos diretos na economia. Para que a remuneração feminina correspondesse à sua participação no emprego formal, seria necessário ampliar em R$ 95,5 bilhões por ano a massa salarial das mulheres no Brasil.
Essa equiparação elevaria em mais de 10% o total de rendimentos no país, indicando que a redução da desigualdade pode influenciar o crescimento econômico e a distribuição de renda.
PRESENÇA FEMININA EM LIDERANÇA CRESCE
Outro ponto observado foi o aumento da participação feminina em cargos de liderança. O número de empresas com presença suficiente de mulheres em funções de gerência e direção para análise de paridade salarial cresceu 12%, chegando a 13,7 mil estabelecimentos.
Também houve avanço em políticas de promoção interna e apoio à parentalidade, sinalizando mudanças graduais na estrutura corporativa.
A evolução dos indicadores mostra ampliação do emprego feminino e maior diversidade nas contratações, mas mantém em evidência a necessidade de ajustes estruturais no mercado de trabalho para reduzir desigualdades persistentes.
Com informações de GOV.BR





