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Pesquisa da UFSC aponta altos índices de adoecimento físico e mental entre professores da rede estadual

Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) revelou um cenário preocupante sobre a saúde dos professores da rede estadual de ensino catarinense. Intitulada “Radiografia da Saúde Docente em Santa Catarina”, a pesquisa identificou elevados índices de adoecimento físico e mental entre os profissionais da educação, além de apontar problemas relacionados às condições de trabalho, sobrecarga e insegurança profissional.

Coordenada pelo professor Julian Borba, do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC, a pesquisa foi realizada ao longo de cinco anos em parceria com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC). A etapa final do levantamento foi concluída em dezembro de 2024 e os resultados foram apresentados neste mês em Florianópolis.

Os dados revelam que mais de 60% dos docentes entrevistados convivem com algum tipo de problema relacionado à saúde mental. Entre os principais sintomas relatados estão ansiedade, presente em 39% dos participantes, estresse, apontado por 32%, e depressão, que atinge aproximadamente um terço da categoria. O estudo também identificou que 28% dos professores afirmaram já ter pensado em suicídio.

Segundo a pesquisa, fatores como desvalorização profissional, baixos salários, excesso de atividades, precarização das condições de trabalho e instabilidade contratual estão entre as principais causas do adoecimento. Atualmente, apenas 29,2% dos professores da rede estadual possuem vínculo efetivo, enquanto 70,8% atuam como Admitidos em Caráter Temporário (ACTs).

Além dos transtornos mentais, o levantamento apontou a presença significativa de problemas físicos. Entre os entrevistados, 41% relataram dores osteomusculares e 15% apresentaram problemas vocais relacionados ao exercício da profissão. O desgaste também aparece nos indicadores de bem-estar: 83% dos docentes disseram sentir cansaço extremo e 57% afirmaram utilizar medicamentos controlados ou de uso contínuo.

A sobrecarga de trabalho foi outro aspecto destacado pelo estudo. De acordo com os dados, 91% dos professores trabalham além da carga horária prevista em contrato e mais da metade precisou se afastar das atividades pelo menos uma vez ao ano por motivos de saúde. Além disso, 85% relataram já ter comparecido ao trabalho mesmo estando doentes.

A pesquisa também trouxe informações sobre violência e assédio no ambiente escolar. Quase metade dos docentes entrevistados afirmou ter testemunhado ou tomado conhecimento de agressões físicas contra colegas de profissão. Os índices de assédio moral também chamam atenção: 73% disseram já ter sofrido esse tipo de violência, enquanto 34% relataram experiências de assédio sexual.

O medo de situações de violência e pressão profissional também faz parte da rotina de muitos educadores. Mais da metade dos participantes declarou receio de sofrer agressões físicas no ambiente escolar, enquanto 68% demonstraram preocupação com a possibilidade de assédio moral e 72% afirmaram temer não alcançar as metas exigidas.

Para a secretária de Saúde do Trabalhador do Sinte-SC, Katiane Golin, os resultados evidenciam a necessidade de políticas públicas voltadas à valorização da categoria e ao cuidado com a saúde dos profissionais da educação.

A pesquisa contou ainda com a participação de professores, pesquisadores e estudantes da UFSC, além do apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu). Os responsáveis pelo estudo destacam que o levantamento constitui uma série histórica inédita sobre as condições de trabalho e saúde dos docentes da rede estadual de Santa Catarina, podendo servir de base para futuras ações de prevenção, assistência e valorização profissional.


Com informações de UFSC

 

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Duda Amaral

Estudante de Jornalismo na Universidade Regional de Blumenau (FURB), apaixonada por contar histórias do cotidiano com sensibilidade e leveza.

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