Vereador catarinense é condenado por esquema de compra de votos com cocaína

Uma investigação da Polícia Civil de Santa Catarina revelou um esquema de compra de votos com cocaína no município de Timbé do Sul, no Sul do Estado. O caso, que teve início entre 2021 e 2022 a partir de uma apuração sobre tráfico de drogas, apontou o vereador Sadi Vieira como beneficiado pelo esquema. Eleito e posteriormente presidente da Câmara Municipal, Vieira foi condenado por corrupção eleitoral em 2024, no último mês de seu mandato.

Segundo a Delegacia de Polícia de Timbé do Sul, tudo começou com a prisão em flagrante de um suspeito de tráfico. Ao analisar o celular apreendido, a equipe localizou mensagens em que o traficante solicitava fotos dos títulos de eleitor de moradores e prometia pagamento por voto. O valor combinado era de R$ 50,00 por eleitor, mas o repasse não era feito em dinheiro vivo: a “moeda” utilizada pelo grupo era a própria droga, referida nas conversas como “moeda branca”.

Em depoimento, eleitores confirmaram à polícia ter enviado os documentos e recebido porções de cocaína antes da votação. O cruzamento de dados e as mensagens trocadas entre o político e o investigado indicaram, segundo a Polícia Civil, que os dois combinavam a compra de votos e faziam a contabilidade do apoio obtido.

A natureza inusitada da modalidade do crime chamou a atenção dos investigadores. “Foi a primeira vez, em 15 anos como delegado de polícia, que nós conseguimos verificar uma compra de voto com cocaína, com droga”, afirmou o delegado Lucas Fernandes da Rosa.

A Justiça Eleitoral reconheceu a prática ilícita e condenou Sadi Vieira por corrupção eleitoral. Na decisão, a oferta de droga foi tratada como vantagem indevida em troca de voto, validando as conclusões da investigação conduzida pela Polícia Civil.

 

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