Quem são os pré-candidatos ao Senado por Santa Catarina?

Em Santa Catarina, o processo eleitoral ganhou tração antes do previsto. Embora o calendário oficial reserve o período entre o fim de julho e o começo de agosto para as convenções e registros de candidaturas, os maiores grupos políticos do Estado já se mobilizaram para estruturar suas alianças para as eleições de 2026 em Santa Catarina. Resultado disso é um cenário já praticamente definido, com quatro chapas com candidaturas ao governo e ao Senado em diferentes níveis de definição.
Embora o foco das eleições gerais costume recair sobre as disputas para governador e presidente, o pleito para o Senado Federal em Santa Catarina e no Brasil ganhou protagonismo este ano. Essa mudança de cenário ocorre porque as maiores coalizões de direita e esquerda do país definiram a Câmara Alta como prioridade estratégica para o próximo ano, travando uma disputa acirrada por cada assento para garantir o controle majoritário da Casa.
Neste ano, duas vagas estão sendo disputadas em cada Estado da Federação. Isso significa que o resultado do pleito de 2026 tem grandes chances de mudar completamente a configuração da Casa — que tem entre suas prerrogativas a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal e a aprovação de autoridades indicadas pelo presidente para diferentes órgãos, incluindo o STF. Isso significa que assegurar a maioria no Senado garantirá uma influência determinante sobre o Poder Executivo, independentemente de quem esteja na chefia do Palácio do Planalto
Em Santa Catarina, as disputas preliminares pela chance de ser pré-candidato à Câmara Alta já deram o que falar — principalmente nas alianças construídas pelos candidatos da direita. Agora, o turbilhão que dominou as manchetes entre o final de 2025 e o início de 2026 já passou, mas ainda deixa seus ecos nas chapas que foram construídas e nas alianças que serão firmadas até outubro.
Confira abaixo mais detalhes de cada pré-candidatura catarinense ao Senado Federal:
Conteúdos
CHAPA DE JORGINHO MELLO

Em setembro deste ano, o governador de Santa Catarina tornou-se o primeiro a confirmar sua chapa para o Senado Federal. Jorginho Mello optou por uma composição restrita ao próprio partido, “puro-sangue”, que traz como candidatos a deputada federal Carol De Toni e o ex-vereador do Rio de Janeiro, Carlos Bolsonaro.
A definição da chapa ocorreu após um intenso embate interno no PL catarinense, que quase culminou na desfiliação de Carol De Toni. O conflito surgiu porque, inicialmente, a reeleição do senador Esperidião Amin estava prevista em parceria com Carol, mas a entrada de Carlos Bolsonaro, por determinação da cúpula nacional, alterou os planos. Após meses de negociações, a chapa foi consolidada e, segundo levantamento da Neokemp de junho, os dois nomes do PL aparecem na frente das intenções de voto.
CAROL DE TONI
Uma das parlamentares catarinenses mais votadas em 2018, Carol De Toni é advogada e deputada estadual, e esteve no centro de uma disputa interna no PL catarinense entre o final de 2025 e o início de 2026. A briga girou justamente em torno de sua candidatura, e quase resultou em sua saída do partido. No final, a grande vencedora da disputa foi ela.
De Toni é hoje uma das principais lideranças da direita no estado, e aparece à frente nas pesquisas para o pleito, com 48% das intenções de voto, segundo o Instituto Neokemp.
CARLOS BOLSONARO
Terceiro filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Carlos foi até o início deste ano vereador pelo Rio de Janeiro, e transferiu seu domicílio eleitoral para São José logo após renunciar seu cargo na Câmara carioca. Ele ocupou uma cadeira na Casa por sete mandatos consecutivos.
Sua candidatura foi uma imposição do PL nacional e do próprio ex-presidente, e faz parte da estratégia do PL de tentar lançar candidatos competitivos ao Senado e ocupar a maioria na Câmara Alta.
CHAPA DE GELSON MERÍSIO

A chapa da frente de esquerda catarinense foi anunciada oficialmente em abril deste ano, e congrega a grande maioria dos partidos deste espectro político em torno de Gelson Merísio (PSB), pré-candidato a governador, e de Ângela Albino (PDT), pré-candidata a vice. O projeto busca ampliar o palanque de Lula em Santa Catarina, e atrair o voto de eleitores que não se consideram de esquerda e que, normalmente, se recusariam a apoiar candidatos desse campo político.
Ao lado de Merísio correm duas figuras que, nas últimas eleições gerais, protagonizaram os movimentos da esquerda no estado: Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL). Até o início deste ano, eles eram as figuras centrais dos projetos de seus próprios partidos — Afrânio era, oficialmente, o pré-candidato do PSOL catarinense ao governo, enquanto Décio era citado nos bastidores como a principal opção do PT para o pleito. Hoje, o cenário é outro, completamente diferente de quando o ex-presidente do Sebrae chegou ao segundo turno no Estado.
DÉCIO LIMA
Também uma figura de peso na política catarinense, Décio Lima era originalmente a escolha óbvia do PT estadual para o governo do Estado. Ex-deputado federal, ex-prefeito de Blumenau e ex-presidente do Sebrae, ele foi o protagonista da esquerda catarinense no pleito de 2022, e conquistou o feito histórico de chegar ao segundo turno contra o hoje governador Jorginho Mello.
Apesar do sucesso eleitoral em 2022, neste ano Décio deixou o centro do projeto da esquerda para o Estado com vistas a uma corrida em que ele aparece mais bem posicionado: o Senado. Hoje, o pré-candidato figura como terceiro colocado nas pesquisas, atrás apenas dos dois integrantes da chapa pura construída pelo PL, e aposta na divisão de votos entre os candidatos da direita para conquistar um assento na Câmara Alta este ano.
AFRÂNIO BOPRÉ
Figura de longa data na política da Capital, Afrânio é economista e ocupa o cargo de vereador por Florianópolis desde 2013. Ele já foi vice-prefeito da cidade entre 1993 e 1997, durante a gestão de Sérgio Grando, e também teve uma passagem pela Alesc, entre os anos de 2003 e 2007.
Hoje candidato ao Senado pela aliança construída por Gelson Merísio, Afrânio era até o início deste ano o pré-candidato do PSOL para o governo estadual. A articulação de Merísio e a influência de Lula na construção da esquerda estadual para 2026 mudaram os planos dele e de seu partido.
CHAPA DE JOÃO RODRIGUES

O ex-prefeito de Chapecó se vende como a principal alternativa à direita ao governo do Estado. Sua candidatura é um projeto antigo, ensaiado desde antes de 2022, porém apenas agora tomou contornos claros — e ganhou apoio significativo. João corre ao lado dos partidos mais tradicionais da direita catarinense: o MDB e o Progressistas, que desembarcaram do projeto de Jorginho após o anúncio feito pelo governador de que ele comporia uma chapa pura, e traria o ex-prefeito de Joinville, Adriano Silva, como pré-candidato a vice, preterindo o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini.
João ainda não tem pré-candidato a vice definido, mas já consolidou sua chapa para o Senado: em 2026, correrão ao lado dele o Senador Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição, e o deputado estadual Antídio Lunelli (MDB).
ESPEREDIÃO AMIM
Senador por Santa Catarina desde 2018 e hoje pré-candidato à reeleição, Esperidião Amin é uma figura recorrente na política estadual. Em seu extenso currículo estão duas passagens pela prefeitura de Florianópolis — no final dos anos 70 e no início dos anos 90 — e também como governador: entre 1983 e 1987 e depois, de 1999 a 2003. Amin foi ainda deputado federal e, logo antes de sua primeira passagem no governo do Estado, exerceu um mandato no Senado Federal.
Com o fim de seu segundo mandato na Câmara Alta, ele busca uma chance de permanecer na cadeira que ocupou pelos últimos oito anos. Seu projeto, no entanto, passou por altos e baixos nos últimos meses: de início, tudo indicava que ele apostaria suas fichas na chapa de Jorginho, mas a vinda de Carlos Bolsonaro para Santa Catarina embaralhou seus planos. Agora, ele se posiciona ao lado de João Rodrigues (PSD), e luta para roubar os votos que hoje parecem concentrados na chapa pura do PL.
ANTÍDIO LUNELLI
Empresário, ex-prefeito de Jaraguá do Sul e hoje deputado estadual, Antídio (MDB) anunciou sua pré-candidatura ao Senado no início do último mês. O anúncio veio após uma série de articulações entre o PSD e o MDB para a construção de uma aliança entre os dois partidos para o pleito deste ano.
Antídio Lunelli é uma figura de destaque no MDB, tendo sido o terceiro deputado estadual mais votado de Santa Catarina nas eleições de 2022. Ele renunciou à prefeitura de Jaraguá em 2022 para concorrer ao governo, e foi barrado pelo próprio partido, que preferiu Mauro Mariani, e estava sendo considerado como uma das alternativas para uma candidatura própria do MSB neste ano.
CHAPA DE RALF ZIMMER
O advogado Ralf Zimmer foi o último a definir sua pré-candidatura ao governo do Estado. Representando a Federação Renovação Solidária, composta pelos partidos PRD e Solidariedade, ele promete ser uma alternativa de “centro” nas eleições no estado, mas ainda não definiu quem será seu candidato a vice. A chapa para o Senado, no entanto, já conta com um pré-candidato confirmado: o advogado Jeferson Rocha (PRD).
JEFERSON ROCHA
Advogado com atuação focada em pautas relacionadas ao agronegócio catarinense, Jeferson Rocha teve sua pré-candidatura confirmada pela Federação em abril. Além da carreira jurídica, ele é produtor rural, e tem como principal bandeira de campanha a defesa dos interesses da categoria no Senado Federal.
SENADO DEVE CONCENTRAR UMA DAS PRINCIPAIS DISPUTAS ELEITORAIS EM SC
Com as principais chapas já estruturadas e a maioria das pré-candidaturas ao Senado definida, Santa Catarina caminha para uma das disputas mais relevantes dos últimos anos. A campanha oficial ainda depende das convenções partidárias e do registro das candidaturas, mas o cenário já indica uma corrida marcada pela polarização, pela disputa entre diferentes projetos políticos e pelo peso estratégico que o Senado Federal terá na definição dos rumos do país a partir de 2027.





