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Exportações de Santa Catarina cresceram 4,3% no 1º semestre de 2026 com diversificação de destinos

As exportações de Santa Catarina somaram US$ 6,13 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O crescimento foi impulsionado pela ampliação das vendas para novos mercados, especialmente União Europeia, Japão e México, o que ajudou a compensar a forte retração das exportações para os Estados Unidos.

O resultado mostra uma mudança no perfil do comércio exterior catarinense em meio às tarifas impostas pelo mercado norte-americano e às incertezas do cenário internacional. Enquanto a proteína animal sustentou o desempenho das exportações, setores como o madeireiro ainda enfrentam dificuldades para recuperar espaço no mercado externo.

EXPORTAÇÕES DE SC GANHAM NOVOS MERCADOS INTERNACIONAIS

Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), a diversificação dos destinos foi determinante para o resultado positivo registrado no semestre.

A União Europeia passou a ocupar a posição de principal destino das exportações catarinenses, com crescimento de 11,5% nas compras de produtos do estado, impulsionado pelos efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Também apresentaram aumento as exportações para Japão (41,2%), México (15,2%), Paraguai (13,3%) e China (10,4%).

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a adaptação da indústria catarinense permitiu reduzir os impactos provocados pela perda de mercado nos Estados Unidos.

“A reconfiguração dos nossos destinos comerciais demonstra a resiliência e a agilidade da indústria catarinense, que conseguiu expandir sua atuação em mercados estratégicos e compensar perdas expressivas com as vendas aos Estados Unidos”, esclareceu Seleme.

PROTEÍNA ANIMAL LIDERA O CRESCIMENTO DAS EXPORTAÇÕES

O segmento de proteína animal foi o principal responsável pelo desempenho positivo da balança comercial catarinense.

As exportações de carne de aves alcançaram US$ 1,13 bilhão entre janeiro e junho, impulsionadas pela demanda de países como China, México, Chile, Coreia do Sul e Japão.

Já as vendas internacionais de carne suína somaram US$ 873,9 milhões no período, com destaque para o crescimento das exportações destinadas ao mercado japonês.

O desempenho desses segmentos ajudou a equilibrar as perdas registradas em outras atividades industriais.

SETOR MADEIREIRO SEGUE ENTRE OS MAIS AFETADOS PELAS TARIFAS DOS EUA

Apesar do avanço das exportações totais, as vendas para os Estados Unidos caíram 31,3% no primeiro semestre, totalizando US$ 582,9 milhões.

O impacto foi mais intenso no setor madeireiro, tradicionalmente dependente do mercado norte-americano.

“O resultado negativo foi concentrado no setor madeireiro catarinense, cujas vendas para os EUA despencaram 40,8%, passando de US$ 316,6 milhões para US$ 187,5 milhões no primeiro semestre”, afirmou Seleme.

Segundo o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, parte dos produtos que haviam sido atingidos por uma tarifa adicional de 50% em 2025 começou a apresentar recuperação após o fim da cobrança, em março deste ano.

Entretanto, produtos enquadrados na Seção 232 das medidas comerciais norte-americanas continuam enfrentando dificuldades.

“Essa restrição cortou pela metade o volume desses embarques (de 22 mil para 11,7 mil toneladas) e ainda não apresenta sinais de reação, pressionando a economia das regiões Serrana e do Planalto Norte catarinense”, explicou Bittencourt.

IMPORTAÇÕES DE SANTA CATARINA TAMBÉM CRESCEM

As importações catarinenses atingiram US$ 18,15 bilhões no primeiro semestre, avanço de 7,9% na comparação com igual período de 2025.

Os principais produtos adquiridos pelo estado foram cobre em formas brutas, que movimentou US$ 819,5 milhões, seguido por pneus, com US$ 496,5 milhões e crescimento de 86,5%.

O setor automotivo também registrou expansão. As importações de partes de automóveis somaram US$ 533,1 milhões, alta de 17,3%, enquanto as compras de automóveis de passageiros cresceram 22,6%, alcançando US$ 416,3 milhões.

ACORDO COM A UNIÃO EUROPEIA E DIVERSIFICAÇÃO DEVEM SUSTENTAR O COMÉRCIO EXTERIOR

Para a FIESC, a expectativa é que o acordo entre Mercosul e União Europeia continue ampliando as oportunidades para os produtos catarinenses nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, permanecem preocupações relacionadas às tarifas impostas pelos Estados Unidos e à possibilidade de novas restrições comerciais.

“Ao mesmo tempo, a continuidade das tensões tarifárias com os Estados Unidos e o risco de um “segundo tarifaço” geram apreensão em segmentos relevantes para o estado”, lembrou o economista.

Segundo Pablo Bittencourt, a continuidade do crescimento das exportações dependerá da capacidade dos setores mais afetados, especialmente os segmentos madeireiro e moveleiro, de ampliar sua presença em novos mercados internacionais e reduzir a dependência de parceiros comerciais tradicionais.

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