O segundo Tarifaço imposto pelos Estados Unidos entrou em vigor nesta terça-feira (15) e deve prolongar os impactos sobre a economia de Santa Catarina, segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC). A entidade estima que os efeitos da nova rodada de tarifas serão semelhantes aos registrados no primeiro ciclo, que já reduziu a geração de empregos e afetou o desempenho das exportações catarinenses.
A avaliação ganha relevância em um momento em que setores industriais voltados ao mercado norte-americano ainda tentam recuperar espaço perdido. Para a FIESC, a nova configuração tarifária mantém a indústria catarinense em desvantagem diante de concorrentes internacionais, o que pode limitar investimentos, produção e novas contratações.
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TARIFAÇO PODE MANTER IMPACTO SOBRE EMPREGOS EM SC
De acordo com o levantamento da FIESC, o primeiro ciclo de tarifas aplicado pelos Estados Unidos já provocou reflexos no mercado de trabalho catarinense. A estimativa é de que aproximadamente 7,6 mil empregos formais deixaram de ser criados durante o período.
Segundo o presidente da entidade, Gilberto Seleme, a tendência é que o novo pacote produza efeitos semelhantes.
“O impacto projetado para esta nova fase tarifária é similar aos danos que já experimentamos no primeiro tarifaço. A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo à economia do estado”, afirma o presidente da entidade, Gilberto Seleme.
COMO FICAM AS NOVAS TARIFAS
A nova política comercial norte-americana reduz a tarifa nominal máxima aplicada aos produtos brasileiros de 50% para 37,5%.
Apesar dessa redução, a FIESC afirma que o cenário permanece desfavorável para Santa Catarina. O estudo aponta que a tarifa efetiva — indicador que considera a competitividade real dos produtos exportados — cairá de 47,8% para 35,9%.
Para o economista-chefe da entidade, Pablo Bittencourt, a diminuição das alíquotas não representa necessariamente uma melhora para os exportadores catarinenses.
“Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada”, avalia o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt.
EXPORTAÇÕES JÁ HAVIAM SENTIDO OS EFEITOS DO TARIFAÇO
Os impactos sobre o comércio exterior já foram observados durante a vigência do primeiro pacote tarifário, entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026.
Nesse intervalo, as exportações de Santa Catarina destinadas aos Estados Unidos caíram 38,29%, passando de uma média mensal de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões.
Após a suspensão das tarifas pela Suprema Corte dos Estados Unidos, em fevereiro, houve uma recuperação parcial das vendas impulsionada pela adoção temporária de uma tarifa global de 10%. No entanto, a implementação de uma nova sobretaxa de 25%, prevista na Seção 301 da legislação norte-americana, pode interromper essa retomada e consolidar uma retração próxima de 40% nas exportações ao mercado americano.
TARIFAÇO ALTERA A COMPETITIVIDADE DA INDÚSTRIA CATARINENSE
O estudo também aponta mudanças na competitividade dos produtos exportados pelo estado.
Segundo a análise, 518 produtos catarinenses perderão competitividade na comparação entre o primeiro e o segundo tarifaço. Em contrapartida, outros 608 produtos apresentarão melhora relativa nesse mesmo comparativo.
Ainda assim, a avaliação da entidade é de que a indústria catarinense continuará em posição desfavorável em relação aos concorrentes internacionais.
“O que nos preocupa é que, a despeito disto, há perda de oportunidades para as indústrias de SC, já que as tarifas efetivas dos concorrentes de outros países enfrentarão alíquotas mais baixas que as brasileiras”, salienta Bittencourt.
Entre os exemplos apresentados, o complexo madeireiro terá impactos distintos. Enquanto a madeira perfilada registra melhora competitiva de 6,2 pontos percentuais frente aos concorrentes em relação ao primeiro ciclo tarifário, produtos como portas e molduras de madeira devem perder espaço, com redução de 2,2 pontos percentuais na margem de competitividade.
SANTA CATARINA DEVE SER MAIS AFETADA QUE A MÉDIA DO PAÍS
A FIESC avalia que Santa Catarina tende a sofrer efeitos mais intensos do que o restante do Brasil devido ao perfil de sua pauta exportadora, concentrada em produtos manufaturados sujeitos às novas tarifas.
Enquanto a participação das exportações brasileiras afetadas pelas sobretaxas deve cair de aproximadamente 33% para 25%, em Santa Catarina esse percentual permanece próximo de 56%, indicando maior exposição da indústria estadual às mudanças impostas pelo mercado norte-americano.
Com a entrada em vigor do novo regime tarifário, os setores exportadores catarinenses passam a acompanhar os efeitos das medidas sobre as vendas externas, a competitividade e o ritmo de geração de empregos nos próximos meses.
