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Jorginho cumpriu pouco mais da metade das promessas feitas nas eleições de 2022, segundo levantamento do G1

Levantamento aponta que 7 dos 13 compromissos de Jorginho acompanhados foram cumpridos, dois tiveram execução parcial e quatro não foram concretizados; resultado contrasta com discurso adotado pelo governador na tentativa de reeleição

O governador Jorginho Mello (PL) volta a pedir o voto dos catarinenses nas eleições 2026 com um novo conjunto de compromissos para os próximos quatro anos. Desta vez, porém, há um elemento que não existia quando ele concorreu ao Governo de Santa Catarina em 2022: o histórico do que prometeu e do que efetivamente entregou durante o mandato.

Segundo levantamento publicado pelo g1 em 22 de julho de 2026, após três anos e meio de governo, 7 das 13 promessas acompanhadas pelo veículo haviam sido cumpridas. Outras duas foram consideradas parcialmente cumpridas e quatro não haviam sido concretizadas.

Em números, 53,8% dos compromissos avaliados estavam cumpridos. Outros 15,4% tinham execução parcial e 30,8% não haviam sido cumpridos. Isso significa que, no momento do levantamento, 6 das 13 promessas ainda não tinham sido integralmente entregues.

O balanço ganha relevância porque Jorginho tenta a reeleição apresentando novas propostas e defendendo a continuidade da atual gestão. No plano para 2027 a 2030, a candidatura afirma que “100% dos compromissos assumidos no Plano de Governo de 2023 foram concluídos ou encontram-se em execução”.

As duas avaliações adotam critérios diferentes, mas o contraste existe. Enquanto o novo plano reúne na mesma conta aquilo que foi concluído e o que permanece em execução, o acompanhamento do g1 verifica se as promessas feitas aos eleitores foram efetivamente cumpridas. A diferença coloca uma questão para o eleitor: se parte dos compromissos de 2022 ainda não havia sido entregue após três anos e meio, como avaliar as novas promessas apresentadas agora?

SETE PROMESSAS FORAM CONSIDERADAS CUMPRIDAS

Das 13 promessas acompanhadas, sete foram classificadas pelo g1 como cumpridas. Entre elas estão compromissos importantes que efetivamente se transformaram em políticas ou decisões do governo.

Entram nesse grupo a criação de um programa para custear vagas nas universidades comunitárias do sistema Acafe, concretizado por meio do Universidade Gratuita; a ampliação do trabalho de presos no sistema penitenciário; a criação de delegacias especializadas de atendimento à mulher; a implantação da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia; a manutenção da Celesc e da Casan sob controle estatal; a implantação das Carretas da Saúde; e a redução dos preços do gás natural e do GNV.

O resultado mostra que a maior parte das promessas monitoradas pelo g1 foi cumprida. Ao mesmo tempo, quase metade dos compromissos avaliados ainda apresentava alguma pendência, sendo dois parcialmente cumpridos e quatro não cumpridos.

21 ESCOLAS TÉCNICAS PROMETIDAS NÃO FORAM CRIADAS

Uma das promessas não cumpridas envolve a educação profissional. Durante a campanha de 2022, Jorginho anunciou a criação de 21 escolas técnicas, as chamadas Etecs, voltadas à formação profissional de jovens catarinenses. As unidades não foram implantadas no formato anunciado e, por isso, o compromisso aparece como não cumprido no levantamento do g1.

O governo apresentou como contraponto a expansão da educação profissional por outros caminhos. Segundo as informações prestadas ao veículo, as matrículas no ensino técnico chegaram a 50 mil, com crescimento de 316% entre 2022 e 2026. Cursos também passaram a ser oferecidos em centenas de escolas estaduais e por meio de parcerias.

Os resultados indicam avanço na educação profissional, mas também evidenciam uma questão central quando se avaliam promessas eleitorais: ampliar uma política pública não é necessariamente o mesmo que entregar aquilo que foi prometido. O compromisso apresentado aos eleitores em 2022 era específico — criar 21 escolas técnicas — e essas unidades não foram implantadas como anunciado.

No novo programa de governo, a formulação mudou. Em vez de voltar a prometer as 21 Etecs, Jorginho propõe ampliar a educação profissional e tecnológica gratuita e fortalecer os Centros de Educação Profissional e Tecnológica.

SECRETARIA ESPECÍFICA PARA IDOSOS NÃO SAIU DO PAPEL

Outra promessa não cumprida foi a criação de uma Secretaria Executiva de Políticas para Idosos. A proposta previa uma estrutura administrativa específica para formular e executar políticas destinadas à população idosa. A secretaria não foi criada durante o mandato.

Ao g1, o governo argumentou que as políticas voltadas aos idosos passaram a ser contempladas pela Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família, criada durante a reforma administrativa de 2023.

Nesse caso, novamente existe uma diferença entre desenvolver ações para determinado público e executar exatamente a estrutura prometida durante a campanha. Embora políticas destinadas aos idosos tenham permanecido na administração estadual, o órgão específico apresentado ao eleitor em 2022 não foi implantado.

PARQUES EÓLICOS NÃO TIVERAM A AMPLIAÇÃO PROMETIDA

Jorginho também havia assumido o compromisso de incentivar a ampliação dos parques eólicos e da geração de energia em Santa Catarina. Segundo o levantamento do g1, o Estado permanecia com 18 empreendimentos eólicos, a mesma quantidade registrada quando o governo começou, em janeiro de 2023. Por esse motivo, a promessa foi considerada não cumprida.

O governo informou que havia previsão de novos investimentos privados envolvendo fontes como energia eólica, solar e biomassa e apontou projetos em desenvolvimento. A perspectiva de investimentos futuros, porém, não alterava o cenário encontrado no período analisado: a quantidade de empreendimentos eólicos não havia aumentado.

A diferença entre anúncio e resultado volta a aparecer. Projetos previstos ou em fase de planejamento podem representar perspectivas de expansão, mas não equivalem à ampliação efetivamente realizada durante o período analisado.

RESTAURANTES POPULARES PROMETIDOS NÃO FORAM IMPLANTADOS

A quarta promessa não cumprida envolve a segurança alimentar. Durante a campanha de 2022, Jorginho anunciou que implantaria restaurantes populares em municípios de médio e grande porte, oferecendo refeições a preços reduzidos. Os restaurantes não haviam sido implantados até o levantamento realizado pelo g1.

O governo justificou que os critérios adotados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social para esse tipo de equipamento levam em consideração fatores como população e vulnerabilidade social e informou que apenas parte dos municípios catarinenses atenderia aos parâmetros.

A explicação apresenta as dificuldades apontadas pela administração para executar o projeto, mas não muda o resultado objetivo: a estrutura anunciada durante a campanha não havia sido criada.

DUAS PROMESSAS AVANÇARAM, MAS NÃO FORAM INTEGRALMENTE CUMPRIDAS

Entre os 13 compromissos avaliados pelo g1, dois ficaram em uma situação intermediária.

Um deles é o Santa Catarina Trifásico. Em 2022, Jorginho prometeu investir R$ 1,5 bilhão e implantar 12 mil quilômetros de redes trifásicas, principalmente para melhorar o fornecimento de energia no meio rural. O programa foi colocado em andamento, mas a meta anunciada estava distante de ser alcançada. Conforme os números apresentados no levantamento, o governo informava ter chegado a cerca de mil quilômetros entregues.

A segunda promessa parcialmente cumprida envolve o Pronampe SC e o Pronampe Rural. Os programas de crédito foram criados, mas não com todas as condições anunciadas durante a campanha. Jorginho havia prometido prazo de até 72 meses para pagamento, enquanto as linhas implantadas passaram a operar com prazo máximo de 48 meses.

Os dois casos ajudam a compreender a diferença entre uma política estar em execução e uma promessa estar integralmente cumprida. Houve ações concretas nos dois programas, mas os resultados ou condições estabelecidos originalmente não haviam sido alcançados.

BALANÇO DO G1 CONTRASTA COM DISCURSO DO NOVO PLANO

É justamente nesse ponto que o levantamento passa a ter peso na política catarinense de 2026.

No novo plano de governo, Jorginho afirma que “100% dos compromissos assumidos no Plano de Governo de 2023 foram concluídos ou encontram-se em execução”. A frase apresenta uma avaliação positiva do primeiro mandato e serve de argumento para a continuidade da gestão.

O problema é que “concluído” e “em execução” não significam a mesma coisa. O Santa Catarina Trifásico é um exemplo. O programa existe e pode ser considerado em execução. A promessa, porém, previa 12 mil quilômetros de redes trifásicas e o levantamento apontava uma entrega muito inferior à meta. Sob o critério da candidatura, portanto, o compromisso pode entrar entre aqueles que estão sendo executados; sob o critério de cumprimento da promessa, ainda havia uma distância considerável entre anúncio e entrega. A mesma discussão aparece na educação profissional. O governo ampliou matrículas e cursos técnicos, mas não criou as 21 escolas anunciadas aos eleitores.

Por isso, afirmar que todos os compromissos foram “concluídos ou encontram-se em execução” não equivale a dizer que todas as promessas feitas na campanha anterior foram cumpridas.

NOVAS PROMESSAS TAMBÉM PRECISAM PASSAR PELO TESTE DO HISTÓRICO

Jorginho chega às eleições 2026 prometendo continuar obras rodoviárias, avançar com a ViaMar, ampliar sistemas de reconhecimento facial, contratar profissionais para as forças de segurança, expandir a educação integral e profissionalizante, manter o Universidade Gratuita, ampliar linhas de crédito e levar programas habitacionais a todos os municípios, entre outras medidas.

Cada proposta pode ser analisada por sua viabilidade, custo e potencial impacto. Mas, em uma candidatura à reeleição, existe um elemento adicional: quem promete já teve a oportunidade de governar. É por isso que o balanço de 2022 se torna relevante para avaliar o programa de 2026.

O levantamento do g1 mostra que, após três anos e meio, quase metade do que foi prometido ainda não havia sido integralmente entregue, sendo que duas estavam parcialmente cumpridas e quatro não haviam sido cumpridas.

É preciso avaliar que se em 2022 foram prometidas 21 escolas técnicas e elas não foram criadas; se restaurantes populares foram anunciados e não implantados; se a ampliação dos parques eólicos não ocorreu; e se uma secretaria específica para idosos não saiu do papel, essas entregas passam a fazer parte da avaliação das novas propostas.

A pergunta, portanto, deve ser colocada diante dos dados: se parte do que Jorginho prometeu em 2022 não foi cumprida integralmente, quais elementos sustentam a confiança de que as novas promessas serão entregues até 2030?

Para o eleitor, o programa apresentado agora é apenas uma parte dessa avaliação. A outra está no histórico dos quatro anos anteriores, e na distância entre aquilo que foi prometido, aquilo que começou a ser feito e aquilo que efetivamente foi entregue.