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Alesc inaugura ateliê dedicado à restauração de obras de arte históricas

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) inaugurou recentemente um ateliê de restauração destinado a recuperar obras de arte que compõem seu acervo histórico, composto por mais de 500 peças que refletem momentos importantes da arte e da política catarinense. O projeto, coordenado pela Gerência Cultural da Casa, busca não apenas restaurar, mas também preservar a memória artística e política do estado.

INAUGURAÇÃO DO ATELIÊ E IMPORTÂNCIA DO ACERVO

O novo espaço de restauração marca um passo significativo na preservação do patrimônio cultural da Alesc. Entre as peças de destaque está o retrato de Antônio Pereira da Silva e Oliveira, político e militar que teve grande influência na história de Santa Catarina. Pintado pelo artista italiano Tiziano Basadon em 1926, o quadro representa uma das obras mais relevantes do acervo, unindo valor histórico e artístico.

De acordo com Juliana Bassetti, gerente de cultura da Alesc, a iniciativa visa resgatar a história por meio da recuperação meticulosa de cada peça. “O trabalho será um resgate da história de cada peça. Esse trabalho é de pesquisa também e vai nos dar mais subsídios a respeito dessa e de outras obras que serão recuperadas”, destacou.

TÉCNICAS MODERNAS E PARCERIAS INOVADORAS

A restauração das obras de arte será realizada utilizando técnicas modernas, incluindo o uso de grafeno, um composto de carbono que aumenta a durabilidade e a conservação das telas. O desenvolvimento dessa tecnologia contou com a parceria da Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e do Departamento de Química da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Segundo Thiago Guimarães Costa, pesquisador e químico do Ateliê de Conservação e Restauração de Bens Culturais Móveis da FCC (Atecor), o grafeno confere eficiência à conservação das peças. “Essa estrutura assegura mais eficiência às obras, como maior fixação, anti-envelhecimento, por exemplo. É uma técnica inovadora que vai garantir mais conservação à tela”, explicou.

PRIMEIRA OBRA A SER RESTAURADA

A tela de Antônio Pereira da Silva e Oliveira foi escolhida como a primeira obra a ser restaurada devido à sua relevância histórica. Outras oito peças estão na lista de restauro imediato, mas o retrato foi priorizado por simbolizar a memória política catarinense.

O quadro apresenta marcas do tempo, incluindo danos causados por fungos. Marcelo do Amaral, restaurador responsável pelo mapeamento inicial da obra, destacou o cuidado no processo de recuperação: “Essa obra chegou com bastante fungos. Foi feito um tratamento de desinfecção, com óleos desenvolvidos até pelo laboratório da Fundação Catarinense de Cultura, à base de melaleuca e outros solventes que nos ajudaram bastante”, informou.

HISTÓRIA DO QUADRO E PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS

O retrato de Antônio Pereira da Silva e Oliveira tem uma trajetória marcada por episódios históricos. Há registros de que a obra foi salva de um incêndio ocorrido em 1956 no antigo Palácio da Assembleia Legislativa, reforçando a importância de sua preservação.

A restauração será concluída no próximo ano, coincidindo com o centenário da obra, e a expectativa é que o quadro seja exibido no hall do Palácio Barriga Verde, permitindo à população catarinense apreciar a recuperação de um marco histórico.

DETALHES DO PROCESSO DE RESTAURAÇÃO

O processo de recuperação das obras de arte combina pesquisa histórica, técnicas químicas avançadas e intervenções físicas precisas. O uso do grafeno representa uma inovação no contexto da conservação, garantindo maior durabilidade e proteção contra o desgaste natural do tempo.

Além disso, servidores da Diretoria de Patrimônio da FCC colaboram diretamente na execução do projeto, unindo conhecimento técnico e experiência prática. O trabalho envolve múltiplas etapas, desde a limpeza das superfícies afetadas por fungos até a aplicação do composto de carbono que fortalece a pintura.

IMPACTO NA PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL

A iniciativa da Alesc não apenas resgata peças valiosas, mas também estabelece um modelo de preservação cultural que pode ser replicado em outras instituições do estado. Ao investir em tecnologia e pesquisa científica, o Parlamento catarinense reforça seu compromisso com a memória histórica e artística, garantindo que as obras de arte continuem a contar a história de Santa Catarina para as futuras gerações.

QUEM FOI ANTÔNIO PEREIRA DA SILVA E OLIVEIRA

Antônio Pereira da Silva e Oliveira nasceu em São Paulo, em 1848, e mudou-se para Santa Catarina aos quatro anos de idade. Desenvolveu carreira militar e política, sendo eleito deputado federal e senador, além de atuar como deputado na Assembleia Legislativa Provincial e na era republicana.

Foi presidente da Alesc e assumiu o governo estadual em três ocasiões. Também participou como deputado constituinte em 1895, consolidando-se como figura central na história política catarinense. Faleceu em 1938, em Florianópolis.

PRÓXIMOS PASSOS PARA O ACERVO DA ALESc

Após a conclusão da restauração do retrato de Antônio Pereira da Silva e Oliveira, outras oito obras serão recuperadas, seguindo a mesma metodologia e rigor técnico. A expectativa é que o ateliê se torne um centro de referência em conservação de obras de arte no estado, aliando tradição artística e inovação científica.

O investimento em pesquisa, tecnologia e mão de obra especializada demonstra o compromisso da Alesc com a preservação de seu patrimônio cultural, permitindo que obras históricas sejam apreciadas com qualidade e autenticidade.

TECNOLOGIA E INOVAÇÃO NA RESTAURAÇÃO

O uso do grafeno é um diferencial significativo. Desenvolvido pelo Atecor e pelo Departamento de Química da UFSC, o material oferece propriedades de resistência, fixação e proteção contra envelhecimento. A meta é que a técnica seja aplicada em larga escala, beneficiando não apenas o acervo da Alesc, mas também o mercado de conservação de arte.

Com a aplicação dessa tecnologia, o Parlamento catarinense consolida uma abordagem moderna para restaurar e conservar obras de arte, integrando conhecimento científico e sensibilidade histórica.

Com informações da Agência Alesc


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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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