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Floram assume gestão da Ilha do Campeche garantindo preservação ambiental e cultural

A Floram, Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis, oficializa nesta segunda-feira, 18 de agosto, a criação do Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche, transformando o local em uma Unidade de Conservação sob gestão direta do município. A medida representa um marco significativo na preservação ambiental e no controle sustentável do turismo na região, permitindo que Florianópolis administre diretamente o acesso, a conservação e a experiência dos visitantes.

A TRANSFERÊNCIA DE GESTÃO E SEUS IMPACTOS

Anteriormente sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e mediada pela Justiça Federal, a administração da Ilha do Campeche passa agora a ser de competência municipal. Essa mudança habilita o município a implementar regras claras de visitação, estabelecer limites de visitantes e atuar diretamente na preservação do patrimônio natural e cultural da ilha. A expectativa da administração é regulamentar o acesso já para a próxima temporada de verão, garantindo que os turistas possam desfrutar do local de maneira organizada e sustentável.

Segundo Alexandre Waltrick, secretário municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, “transformar a Ilha do Campeche em uma Unidade de Conservação é um passo decisivo para que possamos pensar esse espaço como um local de preservação e controle. Com isso, poderemos enfrentar problemas como a exploração indevida do local. É um avanço fundamental, especialmente, para a conservação e qualificação da experiência dos visitantes”.

O PAPEL DA FLORAM E DO GRUPO TÉCNICO DE TRABALHO

A condução do processo ficou a cargo da Floram, com suporte de um Grupo Técnico de Trabalho multidisciplinar instituído em 2024. Ao longo de mais de um ano, esse grupo desenvolveu estudos técnicos, realizou escutas públicas, oficinas, saídas de campo e articulações institucionais. Essa abordagem colaborativa permitiu identificar os principais desafios da gestão ambiental e elaborar estratégias que conciliem preservação e turismo sustentável.

O resultado dessas atividades reforça a importância da participação institucional e comunitária no planejamento de Unidades de Conservação. As medidas propostas pelo grupo incluem monitoramento ambiental rigoroso, definição de limites de visitantes, infraestrutura adequada para recepção do público e ações de educação ambiental.

ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL AMPLA

A transformação da Ilha do Campeche em Unidade de Conservação é fruto de intensas negociações entre diferentes órgãos e entidades, incluindo o município de Florianópolis, Ministério Público Federal, União, Secretaria do Patrimônio da União (SPU), IPHAN, Floram, Instituto Ilha do Campeche, Associação Couto de Magalhães de Preservação da Ilha do Campeche (Acompeche), Associação de Transporte da Barra da Lagoa, Associação dos Pescadores da Praia da Armação, Associação dos Barqueiros da Praia do Campeche e Capitania dos Portos em Santa Catarina.

Essa rede de parcerias permitiu construir uma estratégia de gestão que integra conservação ambiental, preservação cultural e regulamentação turística. O modelo adotado busca conciliar interesses diversos, garantindo proteção do patrimônio natural sem impedir o acesso do público, promovendo um turismo responsável e sustentável.

HISTÓRICO DE PRESERVAÇÃO DA ILHA

Com 51 hectares de extensão, a Ilha do Campeche possui longa trajetória de proteção ambiental. Desde 1985, a área é considerada de Preservação Permanente (APP), sendo tombada como patrimônio arqueológico, etnográfico e paisagístico pelo IPHAN em 2000. Em 2009, a ilha foi regulamentada por Portaria Federal IPHAN nº 691, reforçando sua proteção.

Apesar dessas medidas, o local enfrentou pressões ao longo dos anos, incluindo exploração irregular e excesso de visitantes, comprometendo ecossistemas sensíveis e patrimônios culturais. A criação da Unidade de Conservação municipal oferece agora instrumentos legais para conter essas ameaças e assegurar a preservação a longo prazo.

OBJETIVOS DA UNIDADE DE CONSERVAÇÃO

A nova classificação da Ilha do Campeche como Monumento Natural Municipal tem como objetivo conciliar conservação ambiental com uso público sustentável. Entre as ações previstas estão:

  • Regulamentação do número de visitantes e horários de acesso;

  • Monitoramento contínuo da fauna, flora e recursos arqueológicos;

  • Implantação de infraestrutura adequada para recepção de turistas, incluindo sinalização e pontos de apoio;

  • Desenvolvimento de ações de educação ambiental para conscientizar visitantes e moradores;

  • Criação de um Conselho Gestor participativo para acompanhamento da gestão;

  • Elaboração de um Plano de Manejo a ser finalizado entre o final deste ano e início do próximo.

Segundo Waltrick, “o modelo inclui ainda a criação de um Conselho Gestor participativo e a obrigatoriedade da elaboração de um Plano de Manejo, que deve ser finalizado entre o final deste ano e começo do próximo”.

BENEFÍCIOS PARA O TURISMO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A transformação da Ilha do Campeche em Unidade de Conservação não implica em restrição total de visitação. Ao contrário, o objetivo é manter o acesso público de forma organizada, promovendo experiências turísticas compatíveis com a conservação do local. O controle do fluxo de visitantes, aliado a ações educativas, permitirá que turistas e moradores usufruam do patrimônio natural sem prejudicar sua integridade.

Além disso, a iniciativa abre espaço para projetos educativos, envolvendo escolas, universidades e organizações ambientais. Programas de pesquisa científica poderão ser ampliados, contribuindo para o conhecimento sobre ecossistemas costeiros, biodiversidade e patrimônio arqueológico.

INSTRUMENTOS LEGAIS PARA A CONSERVAÇÃO

Com a Unidade de Conservação municipal, a Floram passa a contar com instrumentos legais que permitem coibir atividades irregulares, proteger espécies nativas e conservar o patrimônio arqueológico presente na ilha. A regulamentação formal garante também segurança jurídica para ações de fiscalização, pesquisa e manejo ambiental.

Essa abordagem é alinhada às diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), do qual Florianópolis passa a ter 11 Unidades Municipais devidamente integradas. A padronização permite maior eficiência na gestão e articulação entre diferentes áreas de proteção ambiental.

A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO SOCIAL

O modelo adotado valoriza a participação social na gestão ambiental. Entidades comunitárias, associações de pescadores, barqueiros e organizações civis foram envolvidas desde o início do processo, garantindo que as decisões contemplem interesses locais e promovam desenvolvimento sustentável. A expectativa é que a experiência da Ilha do Campeche sirva de referência para outras Unidades de Conservação municipais.

DESAFIOS E EXPECTATIVAS FUTURAS

Embora a criação da Unidade de Conservação represente um avanço significativo, desafios permanecem. Entre eles estão a fiscalização eficaz do acesso, o combate à exploração irregular, a manutenção da infraestrutura e a implementação do Plano de Manejo. A expectativa da administração municipal é superar essas dificuldades com planejamento técnico e colaboração institucional.

A regulamentação da visitação para a temporada de verão será um teste inicial da gestão municipal. A experiência permitirá ajustar medidas de controle, estratégias de monitoramento e ações educativas, garantindo que o turismo na ilha seja compatível com os objetivos de preservação.

IMPACTO AMBIENTAL E CULTURAL

A Ilha do Campeche é reconhecida não apenas pela beleza natural, mas também pelo patrimônio arqueológico e cultural que abriga. A formalização como Unidade de Conservação municipal assegura a proteção desses valores, garantindo que futuras gerações possam desfrutar e estudar o local.

As medidas de conservação incluem monitoramento de espécies nativas, controle de impacto de visitantes, preservação de trilhas e pontos de acesso, bem como restrição de atividades que possam comprometer a integridade ambiental e arqueológica da ilha.

FLORAM COMO REFERÊNCIA EM GESTÃO AMBIENTAL

A atuação da Floram na criação da Unidade de Conservação da Ilha do Campeche evidencia a capacidade da gestão municipal em liderar projetos ambientais de grande relevância. Com planejamento técnico, articulação institucional e participação social, a fundação demonstra que é possível conciliar turismo, educação ambiental e preservação do patrimônio natural.

A experiência adquirida com a Ilha do Campeche poderá servir de base para futuras iniciativas, fortalecendo a rede de Unidades de Conservação e consolidando Florianópolis como referência em gestão ambiental municipal.


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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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